Governo do Distrito Federal
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2/08/19 às 12h02 - Atualizado em 2/08/19 às 15h21

Slow Food começa com grande público e sinaliza destaque para o fim de semana

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Festival fílmico-gastronômico com feira de degustação está no Cine Brasília até domingo com entrada franca

Mais de quinhentas pessoas assistiram ontem (1º) à programação de abertura do Festival Internacional de Cinema e Alimentação (Slow Filme) no Cine Brasília, que entre filmes, feira e atividades paralelas no Espaço Cultural Renato Russo vai até domingo (4). O evento tem apoio de Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).

Pela primeira vez em Brasília, o Slow Filme combina cinema e gastronomia. Antes realizado em Pirenópolis (GO), o movimento que já está em sua décima edição propõe a interseção da cultura alimentar sustentável e da economia criativa, reunindo pequenos agricultores que, em rede, tornam-se empreendedores capazes de produzir ingredientes e produtos “limpos, bons e a preço justo”, reza a cartilha.

O curador da mostra, Sérgio Moriconi, festejou a audiência do primeiro dia e prevê crescimento da assistência até o fim do evento. “Brasília tem um público jovem que está interessado em comida saudável, em fugir do esquemão. Além disso, há uma cultura cinematográfica instalada na capital”, justifica.

Ele aponta também a força da vertente local do movimento, o Slow Food Cerrado, que reúne em torno de 40 comunidades em Brasília e entorno. Os participantes fazem o inventário de produtos do bioma, modos de produção e buscam o fortalecimento da rede de agricultores a partir de convívios, nome dado aos grupos locais do Slow Food. Estes “articulam relações com os produtores, fazem campanhas para proteger alimentos tradicionais, organizam degustações e palestras, encorajam os chefs a usar alimentos regionais. E, o mais importante: cultivam o gosto ao prazer e à qualidade de vida no dia-a-dia”, explica o site do movimento.

A líder do Slow Food Cerrado, Thaíssa Aragão, explica que, sob o espectro da economia criativa, os convívios dão força à agricultura familiar, que por natureza foge da produção em escala. Por R$ 80 mensais, os produtores articulam ações que lhes dão visibilidade, algo inaugurado quando o evento Terra Madre reuniu 5 mil delegados de 130 países em Turim (Itália), em 2004, entre agricultores, pescadores, processadores, distribuidores, cozinheiros e especialistas agrícolas.

Na feira montada na área externa do Cine Brasília, 18 expositores deixam o público na dúvida sobre o que experimentar (e comprar) primeiro. Andrei Polejack, produtor de defumados, exemplifica bem o perfil dos participantes do Slow Food. “Meu negócio é de família, há mais de uma geração. Optamos por ficar pequenos e ter qualidade. Já recusei várias propostas de produzir para cadeias de supermercados e grandes varejistas. Eles vão ficar mais ricos e eu infeliz se mudar meu modo de produção”, afirma.

Caso parecido com o de dona Ana Romero, que trabalha com marido e filho na produção de quitandas, sucos naturais, melados, cachaças e outras iguarias em Taboquinha de Goiás. Ela é feirante no Ceasa e aos sábados mantém um café da manhã para quem quer provar a diferença de produtos cultivados com carinho e seus congêneres comerciais. “70% do meu movimento vem do varejo. O restante, que vendo para empresas, é basicamente de frutas de estação, como cajuzinho, araticum, pimenta de macaco e cagaita”, explica.

Ludmila Lemos, servidora pública, elogiou a combinação entre gastronomia e cinema. “Frequento o Cine Brasília, que amo, e sou filha de produtor de café orgânico, há muitos anos tenho cuidado com o que consumo”.

Lucas Douglas “do Queijo” se apresenta como especialista na qualidade canastra, que compra de todo Brasil. O mineiro tem a base do seu negócio em Piumhi, bem além dos limites do Distrito Federal, mas acha que Brasília é um mercado promissor e estuda abrir uma unidade de produção em Padre Bernardo (GO). “Lá a umidade é melhor e a temperatura média, entre 20 e 25 graus centígrados, é mais propícia para se fazer queijos”, diz.

Na programação de cinema (confira aqui), quem foi à abertura pôde assistir ao filme “Slow Food Story”, que dá contexto à mostra. Conta como o criador do movimento, Carlo Petrini, e dois amigos mudaram o modo de se encarar comida. Para ele, comer em pequenas osterias reforça a subjetividade, produz identidades locais, pertencimento. No filme, conta que certa vez foi interpelado pelo executivo de grande cadeia de fast food, que o tachou de inimigo. “Sou muito grato ao seu negócio. Sem ele, não existiria o movimento do Slow Food”, retrucou.

Para os amantes de boa comida, da bebida artesanal e do cinema, o final de semana promete.

Serviço
Slow Filme
Sexta, 2, a partir das 16h, a domingo, 4, das 10h30
Cine Brasília/Espaço Cultural Renato Russo
Facebook.com/FestivalSlowFilme
Entrada Franca