Governo do Distrito Federal
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12/08/19 às 12h23 - Atualizado em 12/08/19 às 12h23

Sinfônica do Teatro Nacional traz Schubert e Bártok no concerto desta terça-feira

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Dois compositores marcados por circunstâncias trágicas de vida revisitam romantismo e modernismo

 

A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro traz nesta terça (13) no Cine Brasília dois gênios da música erudita, cujas trajetórias são marcadas por questões trágicas.

 

O austríaco Franz Peter Schubert, na transição do classicismo para o romantismo, morreu sem reconhecimento público de sua obra, que só foi resgatado por gigantes admiradores que lhe seguiram, como Mendelssohn, Liszt e Brahms. Apesar de ter vivido pouco além de três décadas, deixou mais de 600 peças de caráter imaginativo, lírico e melódico.

 

O regente Claudio Cohen conduzirá do autor a “Sinfonia nº 8 Inacabada”, de 1822, com aproximadamente 25 minutos de duração. Composta em Viena, o subtítulo “Inacabada” vem do fato de existirem apenas os dois primeiros movimentos, explica o maestro. “O primeiro (allegro moderato) inicia-se com lenta introdução nos violoncelos e contrabaixos.

 

O tema inicial é primeiramente executado pelo oboé e clarinete, enquanto o segundo grupo temático abre com bela melodia nos violoncelos, respondida pelos violinos. O caráter misterioso da introdução será retomado na seção central e na coda” (seção com que se termina uma música, e o arranjador poderá tilizar ideias musicais já apresentadas), ensina.

Sobre o segundo movimento (andante con moto), Cohen explica que possui dois temas: o primeiro, executado pelos violinos, e o segundo, pelo clarinete. Um episódio dramático marca a volta dos dois temas.

 

Depois do intervalo, é a vez de Béla Bártok, com “Concerto para Orquestra”, de 40 minutos de duração. Bártok é considerado o representante da moderna etnomusicologia. O húngaro percorria cidades do interior do país e da vizinha Romênia, registrando canções de origem popular. Com a ascensão do nazismo na Europa e o ataque dos fascistas às músicas consideradas “degeneradas” de Stravinsky e Shönberg, Bártok teve de emigrar para os Estados Unidos. Não se adaptou à vida no país, onde sua música não encontrou espaço, contraiu e morreu de leucemia.

 

“O Concerto para orquestra é uma obra de síntese e de superação. Nele, temas e procedimentos composicionais inspirados em tradições populares e na música erudita convivem, de forma orgânica, em um tecido composicional exuberante. A obra, por sua riqueza de atmosferas, de contrastes e, particularmente, por sua força e vitalidade, não deixa entrever as provações e os sofrimentos pelos quais passava o compositor”, diz o maestro Claudio Cohen.

 

A peça parece refletir a trajetória de vida do genial compositor. “Apesar do espírito extrovertido do segundo movimento, apresenta uma transição gradual da severidade do primeiro e da lúgubre canção de morte do terceiro em direção à afirmação de vida que marca o movimento conclusivo”, afirma Cohen.

 

Serviço
F.Schubert – “Sinfonia nº 8, Inacabada”
B.Bartok – “Concerto para Orquestra”
Maestro Cláudio Cohen
Cine Brasília, 13 de agosto às 20h
Entrada franca sujeita à lotação (acesso a partir de 19h30)