Governo do Distrito Federal
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23/04/18 às 15h00 - Atualizado em 13/11/18 às 15h31

Noite hip hop reúne 10 mil pessoas na Esplanada

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A noite deste domingo (22) dos shows de celebração do 58º Aniversário de Brasília foi dedicada a grandes nomes do rap local e nacional, reunindo um público de 10 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. A programação teve início no fim de tarde, com a Cia. Pegada Black, passando pelo rapper cearense Rapadura Xique Chico, seguido pela força feminina das Donas da Rima, o reencontro histórico do Câmbio Negro, a poesia de GOG, finalizando com Mano Brown, referência do rap nacional.

 

O aniversário de 58 anos de Brasília foi a síntese da pluralidade da capital federal. Nos dois dias de shows no palco da Esplanada dos Ministérios, passaram por ali diversas vertentes musicais e expressões culturais vistas por mais de 30 mil pessoas que formaram o público da festa.

 

Confira como foi o primeiro dia de shows

 

Leia sobre a programação infanto-juvenil do Aniversário de Brasília

 

 

 

Às 16h da tarde, sob o sol forte de abril, a Pegada Black já colocava a galera para dançar. Com seus típicos passos de Charme, o grupo teve seu DJ selecionado no chamamento público, e toda a companhia compareceu ao palco na abertura e nos intervalos dos shows. Petrônio Paixão, líder do grupo, disse que foi um verdadeiro sonho. “A gente vem de uma batalha de muitos anos, tem gente dançando com o olho cheio de lágrima. Estar aqui é mágico, estamos parabenizando nossa cidade, representando a galera da periferia aqui”, disse.

 

Crescido em Samambaia o rapper Rapadura Xique Chico sintetiza a diversidade cultural brasiliense. Misturando o rap com a cultura popular brasileira, traz as influências e as lutas do norte e nordeste para suas letras. Para ele, se apresentar no aniversário de Brasília é “representar um povo, a cultura, a luta dessas pessoas, dos muitos nordestinos que trabalham e vivem aqui. De alguma forma a gente representa essas pessoas através do nosso canto. Elas nos representam na luta diária e nós estamos juntos com elas quando temos o microfone na mão. A gente faz questão de falar por essas pessoas que não tem voz. Eu me sinto muito feliz por ser um representante dessas pessoas”.

 

Trazendo a força feminina do rap, as Donas da Rima subiram ao palco logo em seguida. Com Cris de Souza, Júlia Nara, Luana Euzébia, Thug Dee, Vera Verônika e Julyana Duarte, o show trouxe diversas mensagens de resistência e empoderamento feminino, inclusive com o depoimento de Sônia Guajajara, pedindo justiça e garantia de direitos para a população indígena.

 

Luana Eusébia lembrou que este espaço de manifestação artística é “extremamente importante, por sermos mulheres que estão lutando por um espaço na cena Hip Hop do DF e é uma honra estarmos representando várias minas de todas as quebradas, de todos os lugares”. O grupo reúne integrantes de diversas Regiões Administrativas, tais como São Sebastião, Brazlândia, Asa Norte, Recanto das Emas, e inclusive da RIDE, como Planaltina de Goiás e Valparaíso.

 

 

Depois de 18 anos, o Câmbio Negro, grupo pioneiro do rap no Distrito Federal, se reuniu para esta apresentação histórica. Mesmo com uma nova formação, o grupo trouxe clássicos como “Sub raça” e “Que irmão é você”. “Tocar no aniversário da minha cidade, nasci aqui, para a gente é fantástico esse convite”, disse o vocalista X.

 

Também nascido em Brasília, GOG trouxe seus sucessos e diversos convidados para o palco, entre eles, Thabata Lorena e Rebeca Realleza. “É muito importante ver que a cena tem uma história e que ela continua presente. O rap conseguiu ascender a vários espaços mas continua fincado nas suas raízes”, disse Thabata. “É uma grande satisfação ver a antiga e a nova escola do rap juntas fazendo acontecer no centro de Brasília, onde a nossa voz ecoa para cada quebrada. A voz ativa da periferia eles não podem calar”, complementou Rebeca.

 

GOG celebrou a reunião de tantos nomes do Hip Hop da cidade no palco principal, principalmente no atual contexto. “Quando Brasília completa 58 anos, a gente vê infelizmente que falta pouco para 1964. Essa é a luta que a gente faz. Periferia é periferia em qualquer lugar, e de fora das asas do avião, Brasília teve coragem de fazer esse ano uma festa com a cara dela”, afirmou.

 

Fã de Mano Brown desde pequeno, Christopher Monteiro, de 23 anos, chegou à Esplanada antes das 16h, para pegar o lugar mais próximo ao palco. Morador da Candangolândia, não mediu esforços para assistir ao show. “O Hip Hop é muito forte em Brasília, trazer o Brown foi muito daora”, disse.

 

O show que fechou a noite dedicada ao Hip Hop foi de Mano Brown, integrante dos Racionais MC’s, referência do rap nacional. O paulista apresentou os grandes sucessos do grupo, que foram acompanhados em uníssono pelo público na Esplanada dos Ministérios. Aniversariante do dia, também ouviu “parabéns pra você” cantado pelo público.

 

 

 

“Me sinto em família e em casa e não tenho como retribuir”, disse, emocionado. Apesar da noite totalmente dedicada ao estilo, Mano Brown lembra que “a periferia tem muitas vozes. O rap é uma delas. Não é única”, destacando a importância da liberdade de pensamento e expressão cultural.