Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
11/07/19 às 19h12 - Atualizado em 12/07/19 às 9h51

Setor Comercial Sul terá grande evento de grafite em outubro

COMPARTILHAR

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) vai realizar em outubro um evento piloto no Setor Comercial Sul (SCS) com apoio do Comitê Permanente do Grafite. Trata-se do “Encontro do Graffiti 2019”, que busca aproveitar a vocação cultural da área, no coração de Brasília, para alavancar a ocupação do espaço, dando visibilidade a suas manifestações culturais e promovendo geração de renda com inclusão social.

 

Em reunião hoje (11), a subsecretária de Economia Criativa da Secec, Érica Lewis, a Coordenadora de Articulação de Políticas Culturais da pasta, Sol Montes, o representante do coletivo NoSetor, Ian Viana, e os artistas grafiteiros Carlos Corrêa (Astro) e Paulo Sérgio debateram ideias de ocupação do SCS.

 

A ideia do Encontro do Grafitti 2019 é abrir um espaço amplo de discussão para subsidiar ações maiores nos próximos anos, fixando a vocação da capital federal como centro de referência da arte urbana. Ian Viana, do coletivo NoSetor morador de Taguatinga, também atesta a força do grafite em irradiar ações de inclusão: “No Setor Comercial Sul hoje temos carnaval, samba, hip hop, hortas urbanas, clube de leitura e até futebol”. As peladas semanais ajudam na aproximação com os moradores em situação de rua. “A gente consegue trocar uma ideia com eles. Muitos perdem oportunidades por causa do vício. Procuramos acolhê-los”, conta.

 

No SCS há uma população crescente em situação de rua, hoje estimada em meia centena. O Buraco do Rato – nome da degradada Galeria Nova Ouvidor – que já foi controlado pelo tráfico, é um lugar que pode conhecer outra realidade a partir da ação de grafiteiros e sua cadeia de valores artísticos e de mercado. “O grafite tira crianças da rua, protege-as do tráfico”, testemunha Astro, cuja base de atuação é Ceilândia. “Temos de aproveitar o spray para transformar revolta em arte”, acredita.

 

A subsecretária de Economia Criativa, Érica Lewis, também falou sobre as possibilidades de desenvolvimento socioeconômico a partir do trabalho de revitalização do SCS, valorizando a arte urbana. “Há uma oportunidade aí de geração de renda que deve ser explorada, para valorizar não só o trabalho artístico, mas toda a cadeia produtiva por trás disso”, avalia a subsecretária Lewis.

 

Próximos passos

Na próxima semana, o Comitê Permanente do Graffiti vai percorrer o SCS para mapear os locais que serão revitalizados para receber novas manifestações artísticas. Além de paredes, telas e outros suportes vão ser produzidos por um grupo de grafiteiros que pode chegar a cem. A ideia é que possam comercializar suas obras numa exposição em novembro na Casa da Cultura da América Latina da UnB e outros espaços.

 

Brasília tem um decreto (39.174/2018) que institui a política de valorização do grafite, com vistas a fortalecer, valorizar e fomentar a arte no Distrito Federal e Entorno. O Distrito Federal também conta com a Resolução nº 5, de outubro do mesmo ano, que criou o Comitê Permanente do Grafite, com onze membros, sete deles da sociedade civil com atuação no segmento cultural.