Governo do Distrito Federal
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8/12/12 às 14h02 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

Secretaria de Cultura entrega V Prêmio José Aparecido de Oliveira

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A emoção evidente no rosto de Luís Guilherme Batista denunciava a alegria que tomara conta do professor da rede pública de ensino do Distrito Federal .
 
Não era para menos. Depois de uma menção honrosa na quarta edição do prêmio, em 2011, o “Projeto Re(vi)vendo Êxodos”, apresentado por ele, levou o prêmio José Aparecido de Oliveira de 2012.
 
Em seu discurso, o professor Luís Guilherme Batista fez questão de destacar que o prêmio não é uma exclusividade dele, mas do grupo que participa do “Projeto Re(vi)vendo Êxodos” há onze anos. Segundo ele, o projeto só existe porque os alunos acreditam nele. “Eles acreditam que é possível fazer um trabalho bonito nas escolas públicas.”
 
Para Luís Guilherme, o projeto cumpre sua função que é tornar as pessoas que participam dele mais sensíveis, participativas e críticas. Ele lamenta a ausência de muitos alunos que não acreditam no trabalho, mas defende que a educação dos jovens é o melhor caminho. “se a gente não conseguir educar nossos jovens, no reeducarmos também, para entender os perigos que Brasília corre, as soluções criativas que a gente tem de ter para melhorar isso aqui, vai ser muito difícil. Daqui a alguns anos a gente vai ter uma Brasília impossível de viver.”
 
No fim, o professor criticou o crescimento desordenado do DF: “Aquele sonho de Brasília com o pôr do sol de 360 graus, aquele horizonte, está deixando de existir.”
 
Presente na cerimônia, o secretário de cultura, Hamilton Pereira, lembrou que Brasília completa 25 anos como patrimônio cultural da humanidade e fez uma bela homenagem a um dos criadores da cidade, o arquiteto Oscar Niemeyer, morto no dia 5 de novembro. “Brasília acolheu de forma emocionada um homem que todos nós imaginamos que seria eterno. E nós tínhamos razão: ele será eterno.”

Hamilton Pereira também homenageou o ex-governador do DF, José Aparecido de Oliveira, que dá nome ao prêmio. “Nós temos sim que agradecer a este homem, com o qual não concordamos necessariamente com todas as ideias, mas não podemos diminuir a sua estatura”.
 
O Secretário concluiu agradecendo as pessoas que “na nossa cidade, produzem propostas, projetos, protestam, criam um ambiente de vida, de democracia, que nos ajudam a construir uma perspectiva dialogada para a preservação do patrimônio, que é o que celebramos ao premiar os trabalhos inscritos. Por isso, eu quero manifestar a convicção de que a proteção do patrimônio não é apenas uma atribuição do Estado. Se for apenas uma atribuição do Estado, seguramente o patrimônio não será preservado. Então eu creio que é indispensável a participação da sociedade para que a gente encontre soluções que sejam duradouras.”

Projeto Re(vi)vendo Êxodos
O Projeto Re(vi)vendo Êxodos, em parceria com o Clube dos Pioneiros de Brasília, o ICMBio e o Iphan, tem o propósito de trazer para os alunos da rede pública uma formação intelectual e emocional, que possibilite a transformação em cidadãos críticos, participativos e sensíveis.
 
As pesquisas e ações desenvolvidas pelos alunos estão embasadas em três eixos: Identidade (cidadania, ética, comportamento, relações); Patrimônio (material e imaterial, construções sociais e culturais) e Meio Ambiente (cerrado, fauna, flora, preservação, tecnologias e ciências,). Atualmente, o Projeto é desenvolvido no Centro de Ensino Médio Setor Leste, no Centro de Ensino Fundamental 104 Norte e na escola Nova Betânia em São Sebastião; e está sendo levado a outras escolas públicas do Distrito Federal.
 
As ações são realizadas em conjunto e as experiências compartilhadas. Os alunos realizam extensa pesquisa bibliográfica e de campo, com a abordagem de temas contemporâneos e o aprofundamento experimental. Ao longo do ano os alunos desenvolvem dossiês, portfólios, vídeos, boletins informativos, cartazes, folders, encenações, uma monografia escolar e apresentam seminários. Além disso, os alunos visitam as cidades estudadas realizando entrevistas e pesquisas sobre o patrimônio imaterial dessas comunidades.
 
O ápice do projeto acontece durante a caminhada quando aproximadamente 100 pessoas, entre estudantes, monitores e professores, bombeiros, destacamento do exército e da polícia ambiental atravessam territórios vizinhos à capital federal. Em geral, a caminhada tem duração de duas semanas e os dias são divididos entre longos percursos a pé, aulões e programação cultural.
 
A Comissão Julgadora também concedeu Certificado de Menção Honrosa ao “A Educação pela Arte – o caso Brasília / A Educação pela Arte – o caso Garagem”, proposto pela ex-secretária de cultura do DF, Maria de Souza Duarte.

Lançado pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal, o prêmio tem como objetivo contemplar trabalhos ou ações que contribuam para a preservação de Brasília – cidade reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade.