Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
6/03/12 às 12h33 - Atualizado em 13/11/18 às 14h36

Reatar laços com a imaginação criadora

COMPARTILHAR


hamilton pereira

Hamilton Pereira (Pedro Tierra)

Criar as condições para realizar a I Bienal Brasil do Livro e da Leitura de Brasília se torna um dos mais importantes desafios da Política Pública de Cultura do Distrito Federal, neste ano de 2012. Sobretudo porque se trata de uma iniciativa que restabelece o laço indispensável com as Políticas de Educação Pública, inserida no Plano do Livro e da Leitura do Distrito Federal. Trabalhar duramente para declarar o Distrito Federal território livre do analfabetismo é um objetivo estratégico do Governo Agnelo Queiroz. A I Bienal Brasil do Livro e da Leitura de Brasília se afirmará como um momento simbólico importante desse esforço e do compromisso da sociedade e do poder público, no momento do aniversário da cidade, entre os dias 14 e 23 de abril.

Esse objetivo confere grandeza ao esforço de fazer convergir a ação do Estado na fixação dos valores simbólicos herdados das tradições culturais do nosso povo com a produção, reprodução e difusão desses mesmos valores por meio da rede escolar. Confere transcendência às Políticas Culturais porque permite a elas ir além do evento que evapora no apagar das luzes do espetáculo. E recupera para o poder público a responsabilidade de induzir processos culturais antes entregues exclusivamente à lógica do mercado.

Abrir espaço para que a poderosa criação literária contemporânea de África e América Latina seja exposta, lida e debatida com seus criadores, os poetas e escritores convidados. Mais do que um evento contemporâneo de mercado, como costuma ocorrer em outras capitais do país e do mundo, em Brasília, a I Bienal do Livro e da Leitura se converterá num exercício de cidadania cultural como nunca ocorreu desde a fundação da cidade. Trata-se de um esforço para reerguer a auto-estima de Brasília à altura dos seus fundadores, com o espírito cosmopolita que lhe deu impulso e reatar os laços com a imaginação criadora na busca de soluções para um mundo em crise.

Dois continentes, duas paixões. O melhor testemunho de que o Brasil se reencontra consigo mesmo neste momento da História é o gesto de aproximação com os países africanos e com nossos irmãos do continente sul-americano, traduzido numa política que alterou, já não sem tempo, os fundamentos que determinaram as relações internacionais do país desde a guerra fria. Além de estimular as relações econômicas e comerciais legítimas – e, de resto, inevitáveis – reforçar relações culturais e não renunciar ao pensamento, à busca intelectual e política para compreender os dramas humanos numa sociedade pulverizada como a sociedade contemporânea e conferir a essa busca um sentido de justiça e solidariedade ausente da lógica suicida que o sistema financeiro busca impor aos povos, como ocorre nestes dias na União Européia.

Homenagear a inteligência. Homenagear a sensibilidade do nigeriano Wole Soyinka e do mineiro de todos os Brasis, Ziraldo, como exemplos da criatividade e da liberdade humanas revela que aos poucos, Brasília, depois de mais de uma década submetida ao provincianismo rasteiro, hoje, trabalha para redefinir a qualidade do seu desenvolvimento. Prepara-se para se reafirmar como uma capital sintonizada com a sociedade do conhecimento e com as demais agendas do mundo contemporâneo. Como disse acima, não apenas pela necessária dimensão econômica, mas pela percepção do direito à cultura, concebido como direito básico dos cidadãos e cidadãs.

O projeto político em curso no Distrito Federal procura arduamente restabelecer a sintonia com os novos padrões de desenvolvimento do Brasil e ir além: fazer da capital do país um exemplo de gestão democrática e republicana, de combate às desigualdades sociais e padrão de desenvolvimento ambientalmente sustentável.

Hamilton Pereira (Pedro Tierra) é Secretário de Cultura do Distrito Federal.