Governo do Distrito Federal
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14/02/20 às 10h22 - Atualizado em 14/02/20 às 12h13

Público triplica taxa de ocupação do Centro de Dança em 2020

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Espaço da Secec para ensaios de grupos da cidade a aulas oferece 14 modalidades e níveis

 

A taxa de ocupação do Centro de Dança, equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) para ensaios de grupos da cidade e aulas, triplicou no início deste ano em relação ao movimento do começo de 2019. Em agosto passado, a tendência já era visível, com a duplicação do uso das cinco salas que o espaço mantém abertas ao público mediante solicitação.

 

“Em 2019 melhoramos a divulgação do Centro de Dança como local com disponibilidade para o público”, afirma o gerente Aghatto Augusto dos Santos. Isso foi feito por meio das redes sociais, com foco no Instagram, e eventos que deram mais visibilidade ao local, como o XXIX Seminário Internacional de Dança de Brasília e o Brasília Trends Fashion Week.

 

Atualmente, o Centro mantém 14 modalidades e níveis de dança, com frequência média de 30 pessoas por turma. A maioria das aulas é paga, mas há práticas gratuitas também. A relação das modalidades pode ser consultada aqui. Os professores que cobram pelas aulas assinam termo de compromisso com a Secec, pelo qual devem oferecer uma cota de gratuidade de 20% do números de alunos matriculados.

 

Fundado em 1993, o Centro de Dança é destinado a pesquisas, ensaios, oficinas, workshops e cursos da área de dança. Tem a função de contribuir com formação, pesquisa coreográfica, aprimoramento e difusão da arte em suas várias modalidades e linguagens.

 

Saúde
Se a maior divulgação do Centro de Dança contribuiu para o aumento da frequência de público no local, outro fator que parece ter influenciado no salto da taxa de ocupação é a maior preocupação das pessoas com a própria saúde.

 

“Vivemos numa sociedade muito ansiogênica, e a dança faz um contraponto importante, colocando o corpo para se movimentar de maneira prazerosa, dando um descanso pra cabeça”, diz a médica Cláudia Costa, praticante de dança afro contemporânea Afrontasia. Ela trocou uma prática de 20 anos de dança de salão pelo estilo de matriz africana. “Me apaixonei pelo gingado”, confessa.

 

A saúde passa também pelo espírito, acredita o tutor do estilo Afrontasia, José Calixto. Natural da Bahia, está há trinta anos na capital e é um dos primeiros dançarinos a introduzir a prática por aqui. Ele explica que o afro contemporâneo mistura elementos simbólicos da cultura dos orixás e estéticos de movimentos folclóricos, como o maracatu.

 

Calixto constata um aumento da procura pelo afro por causa da malhação que a dança propicia. “Muita gente vem porque, além da curiosidade com o estilo, percebe que a prática é puxada. Pode-se perder até 800 calorias numa aula”, afirma. Acredita ainda que “as pessoas também estão cansadas da monotonia das academias tracionais, em que basicamente se puxa peso”.

 

O psicólogo Andrei Morales pratica a dança afro contemporânea no estilo Itans, com o professor Júlio César Pereira, que busca a formação de multiplicadores na criação da dança negra atual. O estilo tem como ponto marcante o esforço rítmico, comandado pela percussão ao vivo, que movimenta cabeça, quadris, troncos, pernas e braços, em passos, saltos e giros.

 

“Eu pratico e recomendo. Melhora a nossa consciência corporal, autoestima e até a capacidade cognitiva, diminuindo a ansiedade”, afiança Morales, que tem pós-graduação em neuropsicologia.

 

“As aulas seguem uma sequência de aquecimento, alongamento e movimentação”, descreve Júlio César, cuja trajetória vai do clássico ao butô, passando por influências medievais e celtas, antes de ancorar no afro contemporâneo.

 

A psicóloga Lorena Leite, da Gestalt Terapia, pratica dança contemporânea com o grupo Ímpar, de Naedly Franco, e acredita “na capacidade da dança de nos reconectar com nossas emoções, que ficam atravessadas no corpo”. Ex-bailarina de clássico, que praticou por 15 anos, encontrou na nova modalidade um contraponto para as tensões acumuladas no consultório.

 

Dois para lá, dois pra cá
Se as matrizes africanas têm atraído muita gente, a tradicional dança de salão não fica para trás. O professor do estilo Jeferson Rocha e sua companheira Analu Paz comandam pares de casais que buscam na prática socialização, além de saúde.

 

As pessoas chegam duras, mas vão se soltando, deixando que o corpo se desligue do controle da mente, explica Rocha. Os professores promovem um rodízio entre os pares para facilitar a descontração, parte do processo de se deixar levar pela música. “Quando a gente se entrega ao passos, entra em êxtase e se desliga do mundo em volta”, afirma.

 

Jeferson usa o Centro de Dança desde 2007 e elogia a qualidade do local: “O espaço é bonito, a gente respira arte, há pinturas na parede, estante de livros, local para descansar”.

 

Serviço
Centro de Dança, SAN, quadra 1 bloco E, acesso pela N2
Contato: 3328-4387, centrodanca@cultura.df.gov.br

 

 

Fotos : Ludimila Barbosa Secec/DF