Governo do Distrito Federal
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28/05/20 às 9h07 - Atualizado em 28/05/20 às 9h11

Projeto de memória colaborativa de Brasília a partir de banco de fotos movimenta redes sociais

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Iniciativa da Subsecretaria do Patrimônio Cultural da Secec alimenta perfis com imagens para público ajudar a descrever

 

O “Projeto Imagem e Memória Candanga”, um exercício colaborativo de compartilhamento e identificação de fotos da época da construção de Brasília até seus primeiros anos (1956-1976), está convidando a população em isolamento social em razão da pandemia do novo coronavírus a visitar os perfis sociais no Flickr e no Instagram e participar.

 

A gerente de Acervos da Subsecretaria do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), Aline Ferrari, explica que as interações com o público vêm em sua maioria da capital federal, principalmente de pioneiros e de seus parentes radicados na cidade.

 

A publicação de fotos do projeto começou no Flickr em outubro do ano passado, a partir de uma ideia da Administração Regional da Candangolândia (RA XIX), onde o atual centro político do país nasceu.

 

A gestora lembra que a empreitada comandada por Juscelino Kubitschek teve como ponto de partida a região onde hoje estão Candangolândia, Núcleo Bandeirante e Park Way, entre outros núcleos urbanos.

 

“Naqueles tempos, tudo acontecia por ali. A Cidade Livre recebia os recém-chegados, a Novacap – empresa responsável por construir Brasília – tinha lá sua sede, assim como o primeiro hospital do DF [que levou o nome do então presidente] e o Catetinho [primeira sede administrativa]”, narra Ferrari. Foi lá também que surgiram os primeiros equipamentos urbanos – escola, biblioteca, igreja, casas comerciais.

 

O Projeto consiste numa base de dados de imagens que são disponibilizadas na internet em contas do Flickr e do Instagram. A ideia é oferecer uma descrição mínima e consistente de fotografias que já estão nos acervos de instituições públicas do DF para que os usuários possam contribuir com a inclusão de novos dados.

 

“Quem vê as imagens pode identificar um parente ou mesmo se reconhecer em alguma das cenas registradas e informar aos gestores dos perfis”, explica a bibliotecária da Secec.

 

Além disso, os internautas também poderão enviar imagens de coleções particulares, produzindo um canal colaborativo de memória. Um estagiário ajuda a formatar os metadados – informações como data, autor, assunto e notas, que dão contexto às imagens armazenadas.

 

Anedotas e histórias
As interações com as fotos geram postagens de internautas que revelam casos anedóticos. Uma seguidora do perfil social, cujo pai foi pioneiro, conta que em certa ocasião ele viu um homem tentando transpor uma cerca com um aparelho de televisão da época – um trambolho – nos braços. Ajudou-o no melhor espírito de colaboração daqueles tempos idílicos. Dias depois soube que se tratava de objeto furtado. Havia dado uma força ao ladrão.

 

Há histórias também como a da hoje empresária Mercedes Urquiza, natural da Argentina e radicada no Brasil, que saiu de seu país rumo ao Planalto Central, numa aventura que durou 48 dias. “Tinha muitos trechos desertos e estradas intransitáveis, sem nenhum conforto. Vim com meu marido, nossa primeira filha na barriga, um cão policial de seis meses e um baú de vime com três mudas de roupa para cada um”, rememora.

 

Hoje, bem-sucedida no ramo de turismo e autora de livro sobre a epopéia, Mercedes afirma que “Brasília foi uma importante decisão de começar a vida do zero. A construção da capital e de minha nova vida correram juntas. Valeu muito!”.

 

Ela é uma entusiasta do projeto “Imagem e Memória Candanga”, que a seu ver “merece ser desenvolvido cada vez mais, como parte da construção de Brasília, obra do inesquecível JK”.

 

Dados da Secec mostram que o público mais ativo que segue os perfis está concentrado na faixa etária entre 25 e 54 anos. Desses, 42% são mulheres e 58% homens. Diariamente há cerca de 150 visualizações. Desde que a quarentena começou, os gestores fazem publicações diárias e convidam o público a participar.

 

[Crédito da foto no carrossel: 1957/1958, JK no Palácio da Alvorada em obras, acervo particular de Mercedes Urquiza]

 

Serviço
“Projeto Imagem e Memória Candanga”
https://www.instagram.com/imagemememoriacandanga/
https://www.flickr.com/people/imagemememoriacandanga/

 

#agendacultural