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18/12/20 às 9h15 - Atualizado em 18/12/20 às 9h19

“Por Onde Anda Makunaíma?” retrata facetas do personagem modernista

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Texto: Lúcio Flávio/Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

18/12/2020
09:15:00

 

Uma dos livros seminais do modernismo brasileiro, o romance “Macunaíma”, de Mário de Andrade, publicado em 1928, não é uma obra de fácil assimilação. Com sua narrativa alegórica em torno do “herói sem nenhum caráter”, trata-se de trabalho complexo, arraigado nas crenças e tradições da cultura popular. O documentário “Por Onde Anda Makunaíma?”, do carioca Rodrigo Séllos, tenta decifrar esse mito a partir de resgate histórico e cultural preciosos.

 

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O longa-metragem de Roraima, com parceiros de São Paulo e Rio de Janeiro, é atração da mostra competitiva do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em cartaz nesta sexta (18), às 23h, no Canal Brasil. O filme está sob licença exclusiva do Curta! e foi extraordinariamente cedido para compor a seleção do festival na emissora.

 

“É minha primeira vez no Festival de Brasília. Participar de um dos eventos mais importantes e tradicionais do País é uma honra. Ainda mais sendo um festival que recebeu já o ‘Macunaíma’ de Joaquim Pedro de Andrade, e o “Exu-Piá”, do Paulo Veríssimo”, festeja o diretor, referindo-se aos dois outros trabalhos clássicos sobre o tema lançados, respectivamente, em 1969 e 1985. “É um retorno de Macunaíma a uma de suas malocas cinematográficas”, brinca o realizador, que gastou dois anos para rodar o filme.

 

Assim como a saga do personagem de Mário de Andrade, Rodrigo e sua equipe se embrenharam por uma aventura épica, seguindo os rastros do etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg (1872 – 1924) pela tríplice fronteira entre Brasil-Venezuela-Guiana. Isso aconteceu em 2016, durante pesquisa para seu primeiro longa de ficção. Foi nessa região que o aventureiro germânico registrou pela primeira vez, em 1910, a existência do mito de Makunaíma.

 

O relato serviu de base para que Mário de Andrade, um apaixonado pelo folclore e cultura indígena, criasse o seu Macunaíma. “Começamos uma pesquisa para entender de onde vinha o livro, o filme, e assim criamos o projeto do nosso documentário”, conta Séllos, “mas que parte, primariamente, da valorização e ‘revelação’ dos saberes dos povos originários”, esclarece.

 

Norteado por esse ponto de partida antropológico, o filme costura engenhosa narrativa em que se analisa – a partir de entrevistas e vasto material de arquivo – as diferentes representações do personagem que, nascido indígena, invadiu a cultura urbana. Vai desde a obra de Andrade, passando pelos filmes de Joaquim Pedro de Andrade e Paulo Veríssimo, até chegar à revolucionária montagem teatral de Antunes Filho, realizada em 1978.

 

“Nosso encanto e desafio foi trazer as histórias do Norte, da Venezuela, o saber dos povos indígenas, dando o devido respeito e valor, assim como qualquer uma dessas obras”, defende Séllos. “O Norte (do País) é riquíssimo e precisamos aprender e valorizar as diversas culturas da região. Infelizmente, o Brasil ainda não se conhece e ainda há muito a aprender com as milhares de etnias que resistem desde 1500”, ensina.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br