Governo do Distrito Federal
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14/04/14 às 20h53 - Atualizado em 13/11/18 às 14h45

Perdeu o que aconteceu na Bienal Confira aqui

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Bienal do Livro se tornou o programa de fim de semana do brasiliense


Logo na manhã de sábado (12), quando os pavilhões da II Bienal Brasil do Livro e da leitura foram abertos, o público já começou a invadir os estandes de livros procurando os autores preferidos, nomes desconhecidos e até mesmo pechinchas. As lojas que ofertavam publicações a preços baixos eram as mais populares e não era raro ver filas para adquirir as obras. De sexta a domingo, a Bienal recebeu mais de 30 mil visitantes.

Antes mesmo de começarem as palestras, debates e programação infantil, os visitantes já começavam a conferir as duas exposições permanentes: “O Brasil nos tempos de chumbo” e “O traço do Pasquim no combate à ditadura”. Nesta última, o público entrava no clima que misturava humor, tristeza e reverência aos que lutaram pela redemocratização do país, em meio às charges expostas nas paredes.

Os pais puderam ainda levar os pequenos para um programa de fim de semana diferente. As crianças, além de terem um pavilhão inteiro dedicado a elas, ainda podiam conferir várias atrações na Arena Infantil Monteiro Lobato e na Arena Jovem Cecília Meireles. As atividades de teatro e contação de histórias aconteceram durante todos os dias.

Nem mesmo a chuva de sábado espantou o público. Abrigados na estrutura, que oferece cobertura em todos os caminhos dos pavilhões ao ponto de encontro e auditórios, os visitantes continuaram enchendo as sacolas de livros e conversando com autores.

Entre sábado e domingo, foram 12 lançamentos de livros, sempre com público atentos, que por vezes aguardava ansioso pelo início da apresentação, com direito a autógrafos dos autores ao final dos eventos.

No sábado, um dos destaques foi a presença do cubano Leonardo Padura, que lançou o livro “O homem que amava os cachorros”, sobre o assassinato de Trotski. A introdução da palestra foi feita pelo secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira, que tem histórico na resistência à ditadura e também é poeta, sob o pseudônimo de Pedro Tierra.

No sábado à noite, o ponto de encontro foi a Bienal e os debates sobre Marighella encheram o Pavilhão D de curiosos. A conversa passou por detalhes sobre a história brasileira e chegaram até às discussões atuais sobre os direitos de biógrafos e biografados. Mário Magalhães prendeu a plateia além do tempo previsto, já que o público parecia não querer ir embora.

Como uma boa mesa redonda sobre os gols da rodada, o debate Futebol e Literatura levou a um bate-bola entre Xico Sá e Sérgio Rodrigues sobre a produção literária, ficcional e jornalística, sobre o esporte. Os autores afirmaram que, ao contrário do que se prega, a literatura tem oferta e qualidade, principalmente na crônica esportiva atual. E lembraram do maior cronista do gênero: Nelson Rodrigues.

Domingo foi dia de novidades na área, com uma discussão sobre a nova geração de ficcionistas brasileiros e que, curiosamente, reuniu autores de gerações diferentes. No debate, como mudar a narrativa ficcional diante das novas tecnologias e das novas possibilidades com leitores eletrônicos, vídeo e música.

Um dos maiores sucessos da noite foi Naomi Wolf, autora de “Vagina: uma biografia”, que lotou o auditório. O interesse era tanto que pessoas se aglomeraram na porta e ouviram toda a palestra, mesmo sem os tradutores simultâneos. Para Naomi, a mulher deve ser protagonista da própria história e convidou todas a escreverem sobre suas experiências. “O que vocês têm a contar é especial”, disse.