Governo do Distrito Federal
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17/04/14 às 0h24 - Atualizado em 13/11/18 às 14h45

Participação do público na II Bienal supera expectativas

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Destaques são lançamento do livro do presidente de Gana e a participação do escritor Mia Couto 

Cerca de 100 mil pessoas já passaram pela II Bienal Brasil do Livro e da Leitura nos cinco primeiros dias do evento, superando as expectativas para os primeiros dias. No local – uma estrutura montada na Esplanada dos Ministérios – o público pode conferir cerca de 150 editoras e aproximadamente 200 autores que participam do encontro literário. A quarta-feira (16) foi mais um dia de programação extensa e de atividades variadas.

O dia iniciou com muita contação de histórias, exposições e espetáculos. Ao longo da programação, ocorreram as palestras “A instigante aventura de ler”, com Stella Maris Rezende, e a “Produção de Chico Buarque nos anos 70 e 80”, com Marco Antunes.

Presenças internacionais, como Kim Young-há, da Coréia do Sul, e Murong Xuecun, da China, debateram “A literatura que vem do Oriente”. “Adaptações cinematográficas da literatura argentina sobre os anos de chumbo”, foi o tema da conversa entre os argentinos Eduardo Sacheri e Martín Kohan.

Livro presidencial

Um dos destaques do dia, o lançamento do livro “Meu primeiro Golpe de Estado”, do Presidente de Gana, John Dramani Mahama, aconteceu no auditório do Museu Nacional da República. Mahama palestrou no local, falando sobre sua trajetória de vida e as similaridades entre Brasil e Gana.

Participaram do lançamento, o Secretário de Cultura, Hamilton Pereira, o Ministro de Estado das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado e o embaixador de Gana, Wallace Agbi Gbedemah. Na solenidade, Hamilton Pereira agradeceu a presença de todos e disse que a II Bienal tem como tema a memória.

“Nós elegemos a América Latina e a África nossos principais interlocutores. Como diz o ex-presidente Lula, nós nunca seremos suficientemente gratos à África por toda sua contribuição à nossa história”, ressaltou.

Durante sua fala, o Presidente Dramani relatou que, aos sete anos de idade, presenciou o primeiro de muitos golpes de estado que aconteceriam em seu país. “Eu estudava em um internato e um dia em que os pais deveriam buscar seus filhos para passar o feriado em casa, ninguém me pegou. É incrível como um único evento pode mudar o curso das nossas vidas”, disse. Seu pai era ministro de Estado na época e perdeu tudo com o golpe de 1966.

Seminário concorrido

O Presidente de Gana também participou do seminário Krisis com o escritor moçambicano, Mia Couto, debatendo “A Sociedade Global e a utopia do desenvolvimento sustentável”. O bate papo, lotou o auditório Nelson Rodrigues e contou também com a presença da jornalista Roseane Jatobá e do climatologista Carlos Nobre.

Na ocasião, Mia Couto questionou o uso do conceito desenvolvimento sustentável que sempre surge nos debates sobre meio ambiente. “Como escritor, a palavra bate à minha porta, mas eu só deixo entrar se eu souber pra que ela serve. O que é o desenvolvimento sustentável? Tenho grande suspeita sobre essa expressão, que cria uma cortina sobre temas mais profundos”, ponderou.

O presidente de Gana, John Dramani Mahama, acrescentou que é importante redefinir o conceito de felicidade, muito associado ao consumismo desenfreado. “O que faz uma pessoa viver uma vida mais digna? O Ocidente associa tudo ao materialismo. O tamanho de uma casa faz alguém melhor que outro?”, questionou.

Confira a programação completa de quinta-feira (17)