Governo do Distrito Federal
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27/09/19 às 11h21 - Atualizado em 27/09/19 às 11h54

Palestra sobre papel de museus na educação patrimonial leva rede pública ao MVMC

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“Museus por dentro – por dentro dos museus” demonstra que esses espaços estão vivos em permanentes significações

 

Como funciona um museu, para que serve, que profissões estão envolvidas na sua manutenção? 42 alunos do Centro Educacional 4 do Guará (CED 4) ouviram atentamente ontem (26) à tarde a palestra da professora de Museologia da UnB, Silmara Küster de Paula Carvalho, com algumas respostas.

 

Com o subtítulo “Museus por dentro – por dentro dos museus”, a atividade promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) aconteceu no Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC), equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) no Núcleo Bandeirante. A ação educativa termina hoje (27).

 

Silmara explicou aos alunos o conceito de “museu social”, afastando-os do senso comum de que se trataria “de um lugar para se guardar coisas antigas”. Deu como exemplo o Ponto de Memória da Cidade Estrutural, região administrativa do DF com um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano e local sobre o qual ela desenvolve seu trabalho de doutorado.

 

O Ponto de Memória da Estrutural foi inaugurado em 21 de maio de 2011. Sua página na internet o define como “um museu popular, gerido por representantes da comunidade, com foco na reflexão sobre identidade, pertencimento, movimentos sociais e culturais e com base no protagonismo daqueles que habitam, participam e fazem a história da comunidade”.

 

Os “Pontos de Memória” são um programa que nasceu em 2009, resultado da parceria entre o Ministério da Cultura, o Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania – PRONASCI, do Ministério da Justiça e o Ibram, que o institucionalizou no mês passado.

 

Silmara explicou aos alunos que, “num espaço como esse, você musealiza (sic) a luta, do mesmo modo que aqui no MVMC, estão musealizadas ferramentas dos candangos”.

 

Alguns dos alunos do CED 4 moram na Cidade Estrutural e têm no Ponto de Memória local um acervo de argumentos que ajudam a enfrentar a discriminação e lutar por um lugar à sombra. Sim, porque, como a professora que se formou em Artes Plásticas antes de se especializar em conservação e restauro de acervos em papel enfatizou, uma das pautas da comunidade é o reflorestamento, mirando a beleza do paisagismo do Plano Piloto, para eles apenas um cartão postal.

 

Aluna do 3º ano do CED 4, Geovanna Silva viveu até recentemente na Cidade Estrutural, com a qual cultiva laços de pertencimento fundamentais. “Todo mundo critica o lixão. De fato o cheiro incomoda e eu também pensava assim até conhecer pessoas que criavam a família com a renda tirada da reciclagem”.

 

O professor Vitor Moura, 26, que ensina Sociologia para a turma e acompanhava a excursão, acredita que a atividade amadurece os alunos, fazendo-os pensar sobre o ato de aprender para além da sala de aula, procurando na vida deles sentido para o mundo. “Isso é bacana. Ajudá-los a quebrar estereótipos é muito bacana”, revela o egresso da UnB.

 

A historiadora Karolline Pacheco, mediadora e coordenadora do Projeto Territórios Culturais – parceria entre Secec e Secretaria da Educação –, não tem dúvidas sobre a força da iniciativa: “É papel da gente abrir a cabeça deles e delas para as possibilidades profissionais numa cidade em que a preocupação com o patrimônio é fundamental”.

 

 

 

Fotos: Ludimila Barbosa/ SECEC DF

 

 

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