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24/04/21 às 20h24 - Atualizado em 24/04/21 às 20h25

Painel traça caminhos para a formação de jovens escritores

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Texto: Loane Bernardo/ Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)
24.04.2021
20:24:00

 

A tarde deste sábado (24) do I Festival Gira Cultura DF contou com um debate para lançar luz sobre as maneiras de estimular a leitura e escrita em crianças. A mesa “A Escrita para Infância: Caminhos de Incentivo” provocou a discussão sobre as alternativas para iniciação ao hábito de ler dos pequenos, com agentes que defendem a literatura e a escrita criativa como ferramenta de transformação.

 

Transmitido pelo canal do YouTube da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), o painel trouxe a importância do incentivo público à literatura infantil com o lançamento do edital Candaguinho.

 

Mediado pela chefe da Assessoria de Relações Institucionais da Secec, Beth Fernandes, e pela diretora da Biblioteca Nacional de Brasília, Elisa Raquel Quelemes, o encontro virtual contou com a presença de quem atua diretamente em prol do estímulo à escrita e leitura: a psicopedagoga da UnB Ana Solinoa, as escritoras Chris Nóbrega e Mariana Negreiros, os poetas MC Dudu Mano e Israel Angelo Pereira e Maria José Vieira, responsável pelo programa Mala do Livro da Secec.

 

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O evento foi aberto por Beth Fernandes, que destacou a felicidade em ter uma mesa com escritores e leitores brasilienses. “Brasília com 61 anos já tem uma geração de brasilienses presentes”, conferiu Beth.

 

 

Também na mediação da mesa on-line, Elisa Raquel, que está à frente dos projetos literários na Biblioteca Nacional, proferiu um relato emocionante sobre a sua paixão pelo conhecimento adquirido pelos livros e apresentou o I Prêmio Candanguinho de Poesia Infanto-Juvenil. “Sou uma apaixonada pelos livros e pelo conhecimento. Quanto mais eu conheço, mais viva me sinto. A partir do momento que se aprende a ler, o destino de quem aprende pode crescer, com significados reais para cada palavra lida. Na infância é que precisamos dar o estímulo para a leitura e para futuros escritores”, ensinou Elisa.

 

Prodígio no universo literário local, Mariana Negreiros publicou sua primeira obra aos 14 anos. A brasiliense nascida em 2002 relata que se apaixonou pelo universo da leitura e da escrita por meio das histórias contadas por sua mãe na infância. Inserida em um universo lúdico, a jovem autora criou um projeto utiliza seus livros em um cenário itinerante para apresentações em escolas e eventos em suas redes sociais.

 

Segundo ela, o “Projeto Segredos” serve como instrumento para estimular a leitura e a escrita entre jovens. “Comecei o projeto também aos 14 anos. Falo com crianças e jovens, hoje de modo online sobre a importância do hábito de ler. Também transmito que o sonho de ser escritor não é algo inatingível”, destacou.

 

Professora da rede pública de ensino, Ana Solino abriu sua fala com uma citação de Bartolomeu Campos de Queiroz: “A beleza é algo que a gente não dá conta sozinho.” Ela detalhou um pouco sobre seu trabalho na mediação e leitura compartilhada. “As crianças que estão tendo a experiência de leitura mediada se sentem dentro da história. Como professor, ele deve também se encantar pela narrativa”, revelou.

Para a professora e gerente do programa Mala do Livro, Maria José Lira, com a leitura a criança internaliza e adquire sua maturidade de forma diferente. Maria José diz que, pela sua experiência como educadora, as crianças de hoje que já começaram a ler querem uma variedade de livros e temas. “O conteúdo das nossas malas é muito bom. Proporcionamos a inclusão e a liberdade de escolha da comunidade, principalmente com o trabalho de agente comunitários de leitura”, ressaltou.

 

Hoje autor com um livro publicado de poesias, o engenheiro ambiental Israel Ângelo foi uma das pessoas alcançadas pela Mala do Livro. “Tive uma experiência grandiosa de me descobrir como um ávido leitor e também de incentivar a inserção da leitura na vida das pessoas. Devo isso à Mala do Livro”, reconheceu Ângelo, que agora é agente do projeto. Seu envolvimento com a literatura o levou inclusive a idealizar o projeto literário do Açougue Cultural T-Bone, na Asa Norte.

 

Natural de Taguatinga, Chris Nóbrega é escritora, advogada e integra o Coletivo Editorial Maria Cobogó. Com três livros ilustrados publicados, foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria infantil em 2020 com a obra “Fios”. Ela contou como se descobriu como uma escritora infantil e sobre sua relação com o universo da literatura infantil. Para ela, ao contrário do que muitos adultos pensam, a criança leitora é muito exigente. “O livro infantil não pode ser qualquer coisa. As obras precisam ter qualidade artística, caso contrário as crianças não perdoam”, reiterou.

 

À frente do projeto “Ressocialização Autonomia Protagonismo”, MC Dudu Mano destacou seu trabalho com difusão da poesia periférica e da cultura hip-hop. Morador de Ceilândia, Dudu, que é arte educador, poeta e produtor cultural relatou algumas situações de desigualdades ainda muito presentes em sua região “Temos incentivado a juventude periférica por meio da poesia e literatura dentro da cultura hip-hop. Vejo que o incentivo ao conhecimento nas regiões de periferia ainda é restrito, porém temos incentivado a leitura e o rap como instrumento de resgate e de combate à desigualdade”, enfatizou.

 

Por fim, Beth Fernandes agradeceu aos convidados e garantiu o empenho da secretaria para ampliar o diálogo com a comunidade em prol da formação de políticas públicas de incentivo à leitura e escrita, assim como de todos os outros segmentos culturais. “Como cidadãos e servidores da Cultura, estamos muito atentos para ouvir diversos segmentos, inclusive para nos ajudar a pensar em novas políticas públicas de expansão. O Candanguinho é um primeiro passo de caminho de expressão para as nossas crianças e jovens.”

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br