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28/05/18 às 12h01 - Atualizado em 13/11/18 às 15h07

Orquestra Sinfônica encerra concertos de maio com Ciclo Tchaikovsky

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Apresentação será esta terça-feira (29), às 20h, no Cine Brasília com entrada franca

 

 

A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro apresenta nesta terça-feira (29/5), o quinto concerto do Ciclo Tchaikovsky, série que lembra os 125 anos de morte do compositor russo. Sob regência do maestro Claudio Cohen, serão executadas as obras Francesca da Rimini, Op. 32 e Sinfonia nº 4, Op. 36. A apresentação será no Cine Brasília, às 20h, com entrada franca, por ordem de chegada.

 

Este concerto encerra a programação de maio da Orquestra Sinfônica, marcada por seis apresentações e presenças de músicos internacionais como o maestro polonês Piotr Sulkowski, os violinistas italiano Domenico Nordio e croata Petar Čulić e a soprano portuguesa Cátia Moreso.

 

O ponto alto da agenda deste mês foi a despedida do Ciclo Beethoven, em dois concertos magistrais no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com a presença de 4,5 mil pessoas. Nestas duas apresentações, a Orquestra do Teatro Nacional foi acompanhada dos corais Ad Infinitum e Adventista, de Brasília, e do Coro Sinfônico de Goiânia, além de quatro cantores líricos como solistas: a mezzo-soprano ítalo-brasileira Luísa Francesconi; a soprano japonesa Masami Ganev, o tenor paulista Paulo Mandarino; e o barítono também paulista Johnny França.

 

 

Serviço:

 

Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro

Concerto Ciclo Tchaikovsky – 125 anos de morte

Data: 29/5 (terça-feira), 20h

Horário: Cine Brasília (106/107 sul)

 

Entrada gratuita por ordem de chegada

 

 

Sobre Tchaikovsky

 

Tchaikovsky (1840-1893) nasceu em Votkinsk, na Rússia, no dia 7 de maio de 1840. Filho de Ilia Petrovitch, engenheiro, e de Alexandra d’Assier, de origem francesa. Com cinco anos já dedilhava o piano e aos sete já compunha. Em 1850, a família vai morar em São Petersburgo onde o jovem se encantou com o teatro e os concertos. Nesse mesmo ano, ingressa no curso de Direito. Em 1854, perde sua mãe, contaminada pela cólera.

 

Em 1859 ingressa no Ministério da Justiça, como escriturário, mas o trabalho o deixava irritado. Pouco tempo mais tarde pede demissão e ingressa no Conservatório de São Petersburgo. Sonhava em ser compositor. Entra em contato com as escolas musicais de Berlim e Viena.

 

Compõe a sinfonia “Sonho de Inverno”, a abertura sinfônica “A Tempestade” e danças para a ópera “Voievoda”. Conclui seus estudos no conservatório, com a cantata para solo, coro e orquestra “Ode ao Júbilo”. Em 1866, é nomeado professor de Composição no Conservatório de Moscou. Em 1869 inicia a composição de “Romeu e Julieta”.

 

Em 1871, compõe o “Quarteto em Ré Maior” e conquista o público. Dedica-se ao trabalho de criação. Em 1873, escreve a música de cena para a peça Strovsky e sua terceira ópera, “Oprischnik”. O êxito dessa obra vem junto com o sucesso da “Segunda Sinfonia”. Em 1874 executa o “Concerto nº 1”, que o popularizou definitivamente.

 

Tchaikovsky apresenta, em 1875, sua “Terceira Sinfonia”, a “Polonesca” e a pedido do Teatro de Moscou compõe “O Lago dos Cisnes”. Em 1877, casa-se com Antonina Milyukova, mas a união só dura 15 dias. Entre 1877 e 1879, compõe “A Quarta Sinfonia”, as óperas “Eugene Onegin” e “Joana D’Arc” também chamada “Donzela D’Orléans”.

 

Em 1890, compõe a “Dama de Espada” e em 1891, sua última ópera “A Filha do Rei René”, o balé “A Bela Adormecida” e “Quebra-nozes” e a “Quinta Sinfonia”. Em 1893, a Academia Musical de Paris lhe entrega o diploma de membro correspondente e a Universidade de Cambridge, o título de doutor honoris causa. Nesse mesmo ano, já dava mostras de extremo cansaço, e instalado na casa de campo em Klin, compõe sua última sinfonia, “Patética”.

Pyotr Ilitch Tchaikovsky morre no dia 6 de novembro de 1893, de cólera, em São Petersburgo.

 

 

Sobre as Obras

 

Francesca da Rimini, Op. 32

 

Francesca, filha de Guido da Polenta, Senhor de Ravena, nasceu por volta de 1260. Partidário do Papa, Guido precisou se aliar a Malatesta da Verucchio, Senhor de Rimini, para expulsar os partidários do Sacro Império Romano-Germânico. Para selar a aliança entre as duas famílias, Guido deu sua jovem e bela filha de 15 anos em casamento ao filho mais velho de Malatesta, Giovanni, homem rude e feio. A lenda conta que os Malatesta, imaginando que Francesca poderia recusar o casamento, enviaram o irmão mais jovem de Giovanni, Paolo, o Belo, para realizar o enlace por procuração. Francesca teria visto Paolo pela janela e imaginara que seria seu esposo. Ao acordar em Rimini, quão surpresa ela deve ter ficado ao ver Giovanni ao seu lado. O casal teve uma filha e um filho: Concordia e Francesco.

 

Isso é tudo que sabemos de Francesca pelos documentos históricos. A continuação da história devemos a um contemporâneo seu, Dante Alighieri, que a encontra, juntamente com Paolo, no inferno (A Divina Comédia, Inferno, Canto 5). No segundo círculo do inferno, onde se encontram os que viveram uma vida de luxúria, uma tempestade de vento atormenta a todos, fazendo-os rodopiar no ar, sem descanso. Dante percebe que duas almas giram constantemente abraçadas e pergunta a Virgílio como fazer para conversar com elas. Virgílio lhe diz que espere passar perto mais uma vez e lhes dirija a palavra com amor. As duas almas param de girar e se aproximam. Francesca vem contar sua história. Diz que não há dor maior que recordar-se do tempo feliz, quando se está na miséria. Mas, como o poeta deseja sinceramente saber de sua história, ela conta que ambos se apaixonaram enquanto liam as histórias de Lancelot. Um belo dia, começaram a se observar. Dos olhares vieram os sorrisos e dos sorrisos, o primeiro beijo: “desse dia em diante não lemos mais”. Um dia, seu marido os surpreendeu e os matou violentamente. Francesca e Paolo continuaram juntos no inferno e, enquanto Francesca contava sua história, Paolo chorava copiosamente, ao ponto de Dante sentir tanta piedade de ambos que tombou como tomba um corpo morto.

 

Em agosto de 1876, Tchaikovsky, que já havia desejado transformar a história em uma ópera, escrevia de Paris ao irmão, dizendo estar “inflamado pelo desejo de escrever um poema sinfônico sobre a Francesca”. No início de outubro, de volta a Moscou, ele pôde, finalmente, se dedicar à obra. Em cinco semanas esta obra monumental de aproximadamente 25 minutos estava pronta. Sua estreia se deu em 9 de março de 1877, em Moscou, pela Sociedade Musical Russa, sob a regência de Nikolai Rubinstein.

 

Escrita em um único movimento, a peça inicia-se com a representação da descida de Dante ao inferno (Andante lugubre). Desta seção somos conduzidos à seção seguinte (Allegro vivo) que representa o momento em que Dante testemunha o fenômeno da tempestade de vento que faz as almas girarem. Francesca e Paolo param de girar e ela conta sua história (Andante cantabile non troppo). A seção dedicada a Francesca e suas memórias inicia-se com um belo solo de clarineta e apresenta algumas das mais belas melodias de Tchaikovsky. A tempestade de vento retorna (Allegro vivo), levando embora as duas almas, e a obra chega ao fim, de maneira forte e comovente.

 

Sinfonia no. 4, Op. 36

A composição da Sinfonia nº 4 está intimamente ligada ao aparecimento de uma mulher que mudaria para sempre a vida de Tchaikovsky: Nadezhda Filaretovna von Meck. Viúva de um engenheiro que fizera fortuna construindo estradas de ferro na Rússia, Mme. von Meck era uma musicista amadora, excelente administradora e rica o bastante para manter, constantemente, um grupo de músicos à sua disposição. Em dezembro de 1876 ela fizera a encomenda de uma peça para violino e piano, que Tchaikovsky prontamente executou. Em fevereiro de 1877 Tchaikovsky recebia uma segunda carta de Mme. von Meck, agradecendo-lhe pela composição e dizendo-lhe o quanto o amava: “Gostaria muito de contar-lhe toda a extensão de meus pensamentos e sonhos a seu respeito”. Tchaikovsky respondeu no dia seguinte: “Por que hesita em contar-me seus pensamentos? Asseguro-lhe que ficaria muito interessado e agradecido, já que sinto profunda simpatia pela senhora. Estas não são palavras vãs. Talvez eu a conheça melhor do que imagina”.

 

Mme. von Meck respondeu-lhe dizendo de seu amor pelo compositor, amor platônico, mas que beirava à obsessão. Nascia ali um dos casos mais duradouros de mecenato da história da música. Nos treze anos seguintes, Mme. von Meck depositou, mensalmente, 500 rublos na conta de Tchaikovsky, soma considerável, destinada a liberar o compositor da necessidade de dar aulas para sobreviver e a permitir-lhe dedicar-se, inteiramente, às viagens e à composição. Os dois trocaram mais de mil cartas nesse período e a única imposição de Mme. von Meck era de que nunca se encontrassem pessoalmente.

 

Os primeiros esboços da Sinfonia nº 4 datam dessa época: fevereiro de 1877. Embora já tivesse iniciado sua composição quando recebeu a emblemática carta de Mme. von Meck, Tchaikovsky logo passaria a chamar sua nova obra, em algumas cartas, de “nossa sinfonia” ou “sua sinfonia” (em 26 de setembro de 1879, Mme. von Meck escrevia ao compositor: “considero que esta sinfonia é só minha”.). Vasculhando a correspondência de Tchaikovsky descobrimos que, em 15 de maio, os três primeiros movimentos já estavam rascunhados e, em 8 de junho, o Finale estava pronto: “até o fim do verão terminarei a orquestração”. Mas a sinfonia só começaria a ser orquestrada, de fato, no fim de agosto: “nossa sinfonia está progredindo pouco” (24 de agosto). Nesse meio tempo, além de ocupado com a composição da ópera Eugene Oneguin, Tchaikovsky embarcara em um casamento desastrado com sua antiga aluna Antonina Miliukova. No início de outubro a orquestração do primeiro movimento estava quase pronta quando Tchaikovsky viajou para o balneário suíço de Clarens, a fim de recuperar-se do colapso nervoso causado pelo fim do casamento que durara apenas seis semanas. A orquestração dos três primeiros movimentos foi concluída em Veneza. Em 7 de janeiro de 1878, em San Remo, Tchaikovsky completava sua amada Quarta Sinfonia.

 

Considerada pelo compositor como uma de suas melhores obras, a Sinfonia nº 4 foi dedicada a Mme. von Meck. A estreia se deu em Moscou, em fevereiro de 1878, pela Sociedade Musical Russa, sob a regência de Nikolai Rubinstein. Tchaikovsky estava em Florença e recebeu notícias contraditórias sobre a estreia. Seu amigo Sergei Taneyev foi o único a contar-lhe a verdade: músicos e público tiveram dificuldade em compreender uma obra que ia muito além das fronteiras tradicionais. Só após a estreia em São Petersburgo, nove meses depois, a Sinfonia nº 4 começaria a conquistar seu lugar no repertório sinfônico.

 

O primeiro movimento dura, aproximadamente, metade da obra. Inicia-se com uma introdução forte nas trompas e fagotes, seguidos dos trombones, tuba, trompetes e madeiras. O primeiro tema é apresentado nas cordas (Moderato con anima), em movimento de valsa. O segundo, apresentado nas madeiras, é introduzido pelo clarinete. O movimento se desenvolve com inúmeras repetições dos dois temas principais e do tema da introdução, e termina com uma coda majestosa.

 

O segundo movimento é uma triste canção russa com dois temas: o primeiro, mais melancólico, é executado pelo oboé e prontamente repetido pelos violoncelos; o segundo, mais esperançoso, é apresentado nos violinos.

O Scherzo é extremamente leve e gracioso. A primeira seção destina-se às cordas, que tocam em pizzicato durante todo o movimento. A seção central contém um momento destinado às madeiras e outro aos metais. O movimento termina calmamente com o pizzicato das cordas.

 

Tchaikovsky compôs um Finale grandioso para a Quarta Sinfonia. O primeiro tema, vivo e brilhante, dá o caráter do andamento. O segundo, executado primeiramente pelo oboé e fagote, apresenta um pouco de calma no tumulto orquestral, mas não por muito tempo: o caráter agitado do primeiro tema logo contagia o segundo. À medida que caminhamos para o fim ouvimos, novamente, o tema da introdução do primeiro movimento. Uma grande coda fecha a sinfonia, à moda dos desfechos imponentes de Tchaikovsky.