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5/02/18 às 16h44 - Atualizado em 13/11/18 às 15h31

Orquestra abre temporada de concertos 2018

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A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro abre a temporada de 2018 nesta terça-feira (6), com uma grande homenagem à música indiana, em concerto gratuito de música carnática (do Sul da Índia), a partir das 20h, no Cine Brasília.

 

No repertório, estão composições de L. Subramaniam como, Hino da Terra, Eri Me To, Shanti Priya, e Bharath Symphony. As duas últimas serão executadas pelo corpo sinfônico com a participação do próprio compositor e violinista indiano e de sua esposa, a solista Kavita Krishnamurti Subramaniam, sob a condução do maestro titular da orquestra, Claudio Cohen.

 

Subramaniam estará acompanhado pela cantora Kavita Subramaniam e pelo coro brasiliense Ad Infinitum, dirigido pelo regente Eldom Soares.

 

Programação de fevereiro

 

Nos moldes em que Beethoven foi homenageado ao longo de 2017, a Orquestra Sinfônica o Teatro Nacional vai celebrar neste ano a memória de Piotr Ilitch Tchaikovsky (7 de maio de 1840 – 6 de novembro de 1983), com o Ciclo Tchaikovsky 125 Anos.

 

A exibição de abertura da série em referência ao compositor russo será em 20 de fevereiro, novamente no Cine Brasília. Sob a regência de Cohen, a sinfônica executa Serenata para Cordas, a abertura-fantasia de Romeu e Julieta, e a Sinfonia nº 1.

 

Na mesma semana, em 22 de fevereiro, uma apresentação extraordinária contará com a participação especial do maestro e pianista brasileiro João Carlos Martins.

 

Ele dividirá com o maestro titular a condução do programa de clássicos universais. Entre os compositores escolhidos estarão Beethoven, Elgar, Ennio Morricone, Mozart, Ravel e Shostakovic.

 

O concerto sinfônico ocorrerá no plenário do Tribunal Superior do Trabalho, às 18 horas, com acesso livre.

 

Para a última terça-feira do mês (27), a orquestra articula o Merengue Sinfônico, em homenagem ao ritmo da República Dominicana. O local ainda não foi definido.

 

Concerto Indiano – Obras

 

Hino da Terra

Dr. L. Subramaniam escreveu o poema em 2008, quando vivia na Rússia após ver uma imagem da Terra tirada de um satélite e recitar um trecho do Upanishads (texto sagrado hindu). “Dizia que o mundo inteiro é uma família. Compreendi que toda a vida está conectada, que há uma relação de interdependência. Escrevi o poema porque acho que essa interdependência deve unir todas as forças de vida. Eu quis compor um hino de alerta e de proteção à natureza. O poema virou música em 2013. Esse hino da terra já foi traduzido para 30 línguas.”

 

Sinfonia de Bharat

A obra encomendada, Sinfonia de Bharat, será uma elegante tapeçaria da cultura indiana em quatro movimentos, simbolizando os quatro grandes períodos de sucessão indiana, denominados:

  1. Período Vedico Pré-histórico
  2. Período Mughal
  3. Período Britânico
  4. Período moderno Pós-independência

O primeiro movimento irá incorporar cantos melódicos de Rigveda, um texto sacro na linguagem Sânscrita com cerca de 5.000 anos de idade. No segundo movimento, as influências Mughal e Islâmica que prevaleciam por volta do século XI serão entrelaçadas na estrutura da composição, através da inclusão de instrumentos hindus como a tabla. O terceiro movimento irá focar na interação de várias formas de música orquestral, com uma ênfase no violino, que foi reintroduzido durante o período raj britânico. O quarto movimento irá simbolizar o período pós-independência e irá traçar influências globais nos últimos setenta anos.

 

Shanti Priya

Concerto para Violino Indiano, Percussão e Orquestra, Shanti Priya (1989)

  1. Adagio rubato
  2. Adagio poco rubato

III. Allegro

Dr. Subramaniam compôs Shanti Priya por encomenda da Orquestra Sinfônica de Kirov enquanto ele visitava a Índia, e foi estreada em Nova Dheli em 1989. O Concerto foi dedicado a Indira Gandhi.

O primeiro movimento é baseado em uma Karnatic Raga Charukesi, uma das 72 escalas parentais na tradição sul indiana. Ele abre com cordas sustentadas seguidas de vibrafone, bell tree e harpa, levando à exposição do tema pelo oboé. É acompanhada pela flauta na segunda parte. O solista então repete o tema com pequenas variações. Durante o desenvolvimento há um trade-off  entre o solista e a orquestra (madeira e cordas). Os trade-offs  se tornam cada vez menores e levam finalmente a uma cadência improvisada pelo violino solo. Em seguida há uma recapitulação que relembra a melodia no naipe dos metais com auxílio do naipe de cordas e madeira. Isso culmina em um clímax que leva ao motivo rítmico final, o qual é repetido por três vezes em um costume sul indiano tradicional.

O naipe de cordas e de madeira começam o Adagio, e os violinos apresentam então um tema lento, sentimental e romântico. Uma cadência do violino solo leva a uma recapitulação do tema pelo solista e pelas cordas da orquestra. Esse movimento é baseado em uma Kamatic Raga Kirvani, que é também uma das 72 escalas parentais e corresponde no ocidente às escalas menores harmônicas.

 

O final começa com um motivo que compreende oito barras de ritmo 5/16, seguida por duas barras de 5/8 e outras quatro barras de 5/16. O solista entra após a introdução do tema pelo oboé e pela clarineta. Isso leva ao desenvolvimento onde o tema é transposto e repetido em diferentes claves com frases musicais simultâneas de 4/16 em oposição a frases de 5/16 entre as diferentes seções orquestrais. Isso é seguido por uma cadência, depois da qual o solista reintroduz o tema. Há uma sessão rítmica cíclica de 10/16 que leva ao final em 5/16 com um total clímax orquestral melódico e rítmico. Ele se baseia em uma escala Mohanam pentatônica, umas das Ragas derivadas na tradição Carnática. Ela corresponde a uma escala maior omitindo o quarto e sétimo graus.

 

Eri Me To

Mirabai é uma renomada santa-poetisa indiana que viveu durante o início do século XVI no Rajastão. Ela é uma grande erudita na tradição bhakti (devoção), que tem uma inquebrável tradição de aproximadamente cinco mil anos. Ela nasceu em uma família nobre mas desde jovem foi profundamente devota a Krishna, a renomada divindade Hindu. Ela compôs várias bhajans (canções devocionais) em louvor a Krishna. Suas canções não são apenas emocionalmente vivas  como também profundas filosoficamente.

‘Eri main to prem diwani’ é uma  Mira bhajan popular que captura a perturbação emocional que ela está passando e como seria impossível para qualquer outra pessoa conhecer sua dor e angústia ao se separar de seu deus. As letras das canções são do Mira bhajan original e a melodia foi composta por Kavita Krishnamurti Subramaniam; Dr, L. Subramaniam fez o arranjo musical da peça para orquestra sinfônica. Esta é talvez a primeira vez na história em que uma Mira bhajan é apresentada juntamente com uma orquestra sinfônica completa.

 

Sobre o Compositor L. SUBRAMANIAM

 

O Dr. Lakshminarayana Subramaniam, violinista ícone da Índia, considerado pelo San Francisco Chronicle “o Paganini da música clássica indiana” e “o deus do violino indiano” segundo o Times of India, reúne a serenidade de um músico Indiano combinado com o magnetismo de uma “estrela” ocidental.

 

Sua carreira, desde criança, o colocou em contato com os melhores músicos e desde cedo ele se impôs como um mestre do violino, um verdadeiro prodígio. Ainda bem jovem, foi homenageado com o título de “Violin Chakravarthy”. Nenhum outro músico pode se vangloriar de um repertório e colaborações tão diversas, ou mesmo de uma técnica tão surpreendente.

 

Dr. L. Subramaniam realiza o legado do guru e pai Prof. V. Lakshminarayana, responsável por criar novas técnicas de curvatura da mão esquerda e da mão direita para tornar o Violino Indiano um instrumento solo.

 

Até então, Dr. Subramaniam já produziu, apresentou, colaborou e conduziu mais de duzentas obras. Ele tem sido aclamado como “o maior violinista na história da música indiana” (Chicago World Music Festival).

 

Sobre a solista KAVITA SUBRAMANIAM

Sem dúvida uma das favoritas dos críticos e das massas, a carreira de Kavita como cantora é como um conto de fadas. Sua voz requintada e suave, sua ampla extensão vocal e sua versatilidade em cantar diferentes estilos e tipos de músicas colocou-a em um lugar único entre os cantores, além de ser cotada como a “rainha da melodia” pelos principais críticos e conhecedores.

 

Kavita é uma personalidade rara que serviu de ponte desde os antigos cantores de filmes (intérpretes de temas de filmes), como Md. Rafi, Manna Dei, Kishore Kumar, até os intérpretes dos dias atuais. Sua fantástica extensão e interpretação vocal levou a colaborações com diversos diretores musicais, como Naushad, Khayyam, OP Nayyar, Lakshmikant-Pyarelal, R.D. Burman e A.R. Rahman, por exemplo. Kavita faz colaborações com outros artistas por mais de quatro décadas. Além de ser uma lenda de Bollywood, Kavita é a única artista a colaborar/gravar com grandes Orquestras Sinfônicas, incluindo a Sinfonia de Londres e lendas do jazz como Al Jarreau, Hubert Laws, Stanley Clarke e George Duke. Ela colaborou extensivamente com seu marido, o lendário violinista/compositor Dr. L. Subramaniam, em seus Projetos de Fusão Global.

 

PROGRAMAÇÃO

 

Fevereiro

 

Concerto Indiano

6 de fevereiro, terça-feira

Cine Brasília (106/107 sul), às 20h

Entrada gratuita por ordem de chegada

 

Ciclo Tchaikovsky 125 Anos

Serenata para cordas

Romeu e Julieta (abertura-fantasia)

Sinfonia nº 1

20 de fevereiro, terça-feira

Cine Brasília (106/107 sul), às 20h

Entrada gratuita por ordem de chegada

 

Concerto sinfônico

Clássicos Universais

Com o pianista João Carlos Martins

22 de fevereiro, quinta-feira

Plenário do TST (Setor de Administração Federal Sul, Quadra 8, Lote 1), às 18h