Governo do Distrito Federal
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10/03/11 às 13h35 - Atualizado em 13/11/18 às 14h36

Organizar a alegria

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Organizar a alegria?

Hamilton Pereira*

O que dirá o Pacotão…? Quatro dias de folia marcados pela diversidade das expressões musicais, pela participação numerosa dos cidadãos e das cidadãs, nos desfiles de Blocos e Escolas de Samba, meninos, meninas, homens e mulheres de todas as cores, resultado de um processo definido pelos critérios da democracia, austeridade e transparência. Governo e Sociedade organizada por meio dos Blocos Tradicionais e das Escolas de Samba somaram esforços para garantir ao Distrito Federal um Carnaval de Paz.

Vale a pena nos determos um tempo, ainda que breve, para refletir sobre o Carnaval de 2011. Um êxito, considerando o tempo limitado de sua preparação e as difíceis condições em que encontramos o Governo do Distrito Federal ao assumirmos em janeiro último. Devemos recuperar, na condução das Políticas Públicas de Cultura do Distrito Federal, o exercício de realizar e refletir permanentemente sobre o realizado.

Brasília é uma cidade diversa. Acolhemos aqui mais de dois e meio milhões de pessoas em trinta cidades. Podemos dizer que “Brasília é o espelho quebrado da cara do Brasil”. As múltiplas expressões culturais do país, aqui têm lugar. Carregadas na mala de sonhos e esperanças que cada um trouxe consigo. O Carnaval brasileiro é a maior festa pública do mundo. O Carnaval de Brasília reflete não o volume, mas a diversidade dessa magnífica recriação do nosso povo. Fizemos do entrudo herdado dos colonizadores europeus essa apoteose de rítimos, cores, irreverência e sensualidade que nos esbalda nesses quatro dias do evoé Baco e encanta o mundo.

Combinamos aqui as duas expressões básicas do Carnaval. Os blocos e as Escolas. Acompanhamos talvez um impulso vigoroso da principal matriz do carnaval brasileiro, o carnaval do Rio, o renascimento dos blocos. Reafirmando mais uma vez a tradição: “Quem faz o carnaval é o folião”. Ou dito de outro modo: mais gente menos estrutura… foi o que nos ensinou o Bola Preta ao inundar as ruas do Rio com dois e meio milhão de pessoas.

A partir dessa semana a Secretaria de Cultura proporá uma agenda de encontros com os protagonistas do carnaval de Brasília para estabelecermos o diálogo necessário em torno dos principais desafios que devemos enfrentar com relação a carnaval de 2012, mas sobretudo projetar o que desejamos para a festa de Momo nos próximos anos. No que toca ao governo, vamos propor a redefinição do papel do Estado.

Defenderemos a idéia de que o Estado não deve cumprir o papel de provedor do carnaval, mas de indutor do processo cultural como um todo, inclusive do carnaval. Uma festa popular que mobiliza multidões, se constitui num mercado expressivo e que, portanto, deve ser do interesse da iniciativa privada como ator econômico e social indispensável. Trata-se de despertar a sensibilidade do setor privado para a incidência positiva que o processo do Carnaval exerce sobre as atividades de suas empresas. É importante que passemos a tratar o carnaval como processo que percorre o ano inteiro e não como um evento que dura apenas quatro dias de fevereiro ou março. E nos prepararmos para consolidar a cadeia produtiva e criativa do carnaval dentro da economia do Distrito Federal em lugar de buscarmos fornecedores no Rio ou em S. Paulo para suprir nossas próprias necessidades a um custo elevado e sem gerar aqui emprego e renda.

Realizar o Carnaval no Ceilambódromo? Estabelecer um rodízio que inclua as diversas cidades? Construir uma estrutura permanente como Rio e S. Paulo? Onde? Analisar e responder a essas perguntas desapaixonadamente, pensando na importância do Carnaval para o conjunto do Distrito Federal, sem abrir mão dos interesses legítimos que permeiam uma discussão complexa e necessária, é o objetivo do Governo do Distrito Federal e um compromisso do Governador Agnelo Queiroz, sob a coordenação da Secretaria de Cultura.

Esse diálogo em torno de uma agenda que deve incluir as questões pertinentes, propostas por seus protagonistas, a essa festa popular que já se inclui entre as mais expressivas do país, buscará envolver governo – particularmente as Secretarias de Cultura e Turismo – a sociedade – os Blocos e a Escolas – e iniciativa privada. E nos permitirá produzir o aprimoramento da qualidade do Carnaval da Capital da República. A meta é oferecer aos súditos de Momo uma festa digna dos cidadãos de Brasília cada vez mais apreciada pelos brasileiros e estrangeiros que nos visitam.

*Hamilton Pereira é Secretário de Cultura do Distrito Federal.

Publicada em 2011