Governo do Distrito Federal
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5/03/13 às 20h07 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

Ogãs vão ganhar registro de músicos profissionais

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Em uma das estrofes da música “Jorge da Capadócia”, o cantor Jorge Benjor evoca:

“Ogã toca pra Ogum
Ogã toca pra Ogum
Ogã, Ogã toca pra Ogum”

É um pedido para que o orixá Ogum dê a sua benção. Ogã, vem do yorubá e, na linguagem das religiões africanas e afro-brasileiras como a Umbanda e o Candomblé, significa originalmente “aquele que bate, toca e canta”. Nos cultos, Ogã é quem toca os tambores. É, então, um músico. Mas esses tocadores de terreiros não eram reconhecidos como tal.

Não eram. Porque a partir de agora, graças a uma iniciativa – inédita no Brasil – da Secretaria de Cultura; Secretaria da Igualdade Racial do DF; Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, e Ordem dos Músicos de Brasília (OMB-DF), os Ogãs serão reconhecidos como músicos profissionais. Na prática, o acordo prevê que todos os ogãs em atividade no DF poderão requerer a carteira de músico da OMB-DF.

A ideia de reconhecer os Ogãs como músicos profissionais foi da presidente da Casa de Santo Ilê Axé Oya Bagan, Adna Santos, mais conhecida como Mãe Baiana. “A iniciativa foi para prestar uma homenagem, dando aos Ogãs o reconhecimento, a autoestima e a valorização que eles merecem.” Segundo Mãe Baiana, os Ogãs tocam para que os orixás tragam as bênçãos no salão quando a pessoa é iniciada na religião de matriz africana. 

 

O REGISTRO DE MÚSICO

O primeiro passo dos Ogãs para tirar a carteira de músico profissional será dado no dia 28 de abril, na Prainha. Nesse dia haverá um processo de audição coletiva com a participação de diretores da Ordem dos Músicos de Brasília – DF.

Mas para tirar o registro, é necessário que o terreiro do qual participa o Ogã encaminhe o pedido à Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, que passará à OMB-DF.

Aprovado o pedido, a OMB-DF submete o Ogã a uma prova prática em que ele tocará três ritmos próprios do terreiro que frequenta. Passando no teste, uma banca formada por diretores e conselheiros da Ordem dos Músicos autorizará a retirada do registro. A contribuição anual do Ogã será de R$ 150,00.

Um dos entusiastas da proposta; diretor da OMB-DF, Anapolino Barbosa disse que, além de se tornar um músico profissional, o Ogã vai poder participar de projetos que envolvam dinheiro público. “Se tiver um evento religioso na Prainha, por exemplo, eles vão poder apresentar projetos para conseguir os recursos necessários para a apresentação.”

A profissionalização também garante aos Ogãs a participação em eventos religiosos financiados pelo poder público, como no caso das apresentações Gospel em comemorações na Esplanada dos Ministérios. Além de poderem participar de contratações para apresentações privadas.

CASAS DE SANTO
Em Brasília existem cerca de 2 mil terreiros. Se contados com os do entorno do DF o número chega a 5 mil. Em cada terreiro são necessário quatro Ogãs.

Foto: Luis Alves