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20/12/20 às 10h27 - Atualizado em 20/12/20 às 11h42

O cinema como ferramenta humanista

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Texto: Vanessa Castro. Edição: Guilherme Lobão

 

20/12/2020
10:27:00

 

O cinema sempre foi um dispositivo capaz de provocar reflexões sociais, políticas e artísticas além de despertar inúmeros sentimentos e sensações. Com o mote de unir cinema e humanismo, a mesa on-line de debate pertencente às atividades paralelas do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro reuniu a pesquisadora Tânia Montoro, a atriz Anne Mota, os cineastas Joel Zito Araújo, Adriana Dutra e Silvio Tendler e a  diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck.

 

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O encontro é alinhado ao novo prêmio do festival, o troféu Cosme Alves Netto uma iniciativa da Anistia Internacional, que premiará o filme desta seleção do Festival de Brasília que mais refletir o cinema humanista.

 

A mesa foi mediada pelo cineasta Renato Barbieri, que falou sobre o atual momento pandêmico mundial e como é preciso repensar o modus operandi atual. “A vida é a maior riqueza do cosmos conhecido. Estamos em meio à sexta extinção da humanidade. O aquecimento global está enorme, o planeta está cada vez mais quente. É uma mudança de todos e urgente, não temos mais tempo. O cinema tem esse grande papel civilizatório e de ainda sensibilizar as pessoas em cima dessa narrativa capitalista, necropolítica e de todas as estruturas de poder”, enfatizou.

 

Jurema reforçou a importância do cinema humanista como ferramenta e recurso imaginativo. “Não podemos deixar de sonhar e de imaginar um mundo melhor, o cinema é esse fio condutor que guia o nosso olhar para fora da caixa, para o inesperado, mais do que nunca não podemos deixar para trás a necessidade de mudar o mundo”, conclamou.

 

Doutora, professora e pesquisadora de cinema aposentada da Universidade de Brasília (UnB), Tânia Montoro analisou o poder do cinema. “É algo que transforma quem faz e quem assiste. É uma plataforma de socialização e de saber gigante. Entendo ainda que precisamos pensar em mais acessibilidade de consumo que alcance os idosos e os aproxime dos novos acessos tecnológicos, deste universo digital. Esse é um enorme desafio para a cinematografia da América Latina”, avaliou.

 

Para o diretor Joel Zito, o cinema humanista é rejeitado pelo público, achata questões relevantes e dificilmente conseguira alcançar uma grande audiência. “Somos homem-moeda. As grandes corporações o capitalismo nos enxerga como corpos de produção. Muito disso vem da construção em torno das narrativas do cinema, da televisão das novelas com um viés de bem e de mal, onde a população acaba fazendo péssimas escolhas políticas”, ponderou.

 

Anne Mota, protagonista do filme “Alice Júnior”, que aborda o universo transgênero, explicou que é preciso representatividade positiva e real. “É preciso que nas novelas, filmes, hajam personagens trans que sejam representados por atores trans. Essa ainda é uma lacuna importante a ser superada. Assim como é preciso ter mais negros, gordos nas produções”, contextualizou.

 

O audiovisual tem o poder de fazer essa reflexão, de mobilizar as pessoas, segundo a cineasta Adriana Dutra. “Desde 2014 estamos com o protagonismo feminino de mulheres nos diversos formatos, porém ainda precisamos de maior visibilidade para os LGBTQIA+, índios, negros e essa demanda tem que parte de nós que realizamos o audiovisual”, opinou.

 

Curador e diretor artístico desta edição do Festival de Brasília, o cineasta Silvio Tendler se demonstrou otimista em relação ao alcance e a importância dos recortes audiovisuais com a temática humanista. “Estamos vivendo um momento muito conturbado. O nosso trabalho é de formiga, mas estamos construindo o futuro. Quem gosta de falar com multidões geralmente são ditadores. Gostamos de falar com pessoas. É isso que importa”, concluiu.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br