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23/11/12 às 14h03 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

Mostra de artista cubano no Museu da República vai além do olhar

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Mostra de artista cubano no Museu da República vai além do olhar
 

O que difere a exposição de Kcho das de outros tantos artistas é simples, mas de uma importância grandiosa. Enquanto na maioria das mostras o expectador precisa manter uma certa distância da obra que aprecia, em 'La Conversación', do cubano reconhecido internacionalmente, os trabalhos vão além do alcance dos olhos.
 
Quem passar pelo Museu da República até o dia 2 de dezembro vai poder tocar as obras, mudá-las de lugar, montar seu cenário particular e despertar o sentimento que couber a cada um.
 
A propósito, esse é um aspecto das exposição de Kcho que o próprio artista faz questão de enfatizar. Segundo ele, os trabalhos são feitos para as pessoas poderem interagir, perceber e estabelecer uma conexão de proximidade. Para Kcho, nenhum momento é igual ao outro. Cada um tem uma energia diferente. É como uma conversa, que tem seu momento específico. Por isso é importante que cada exposição tenha a sua própria identidade.
 
'La Conversación'  é uma espécie de trilogia em que o artista apresenta em três diferentes ambientes trabalhos que estão ligados ao infinito. Na concepção de Kcho, é algo que revela o desconhecido. 
 
Como a instalação 'Davi', em que uma espécie de cais em forma de homem flutua deitado sobre o mar de Havana apontando a cabeça para a imensidão das águas. Nele também se pode perceber a proposta do cubano. Na 'escultura', as pessoas correm, brincam e conversam sem receio de tocar a obra. Segundo Kcho, tem tudo a ver com a bíblica história de Davi e Golias. Fica clara aí a conotação política que o artista dá ao trabalho. Algo que pode ser interpretado como um contraste entre a socialista Cuba e os capitalistas e que, assim, tem a função de evocar o real ante à subjetividade.
 
Na 'Fênix', bandeiras de vários países são projetadas em velas sobre um barco de madeira que faz parte do acervo do Museu da República. Tudo converge para a ideia da jornada ao desconhecido com a permissão do tocar. Uma ambiguidade que parece dar força ao desejo do artista de tirar de cada uma das pessoas que passam por ali um conceito subjetivo e ao mesmo tempo concreto da sua arte.
 
 'La Conversación', que dá nome à mostra, reúne 99 barcos em madeira de diversos tamanhos. No Museu da República todos estão dispostos em pé passando a ideia de grupos de famílias reunidos. As impressões são as mais variadas. Há quem veja o conjunto como uma reunião em praça pública. Há aqueles que veem nos barcos a representação do sagrado e do profano. Algo como objetos fálicos, que aliás, foram confirmados pelo próprio Kcho.  Uma constatação, talvez, de que as ideias de artista e público estão muito mais interligadas do que possa parecer.
 
Se a intenção do artista era despertar esses vários olhares, parece que o objetivo foi alcançado.
 
A exposição de Kacho faz parte da mostra de arte “Cuba Mucho Gusto”, até o dia 2 de dezembro, no Museu Nacional da República, que reúne os mais representativos profissionais e artistas das artes plásticas, cinema e da fotografia daquele país.
 
Programe-se: até 2 de dezembro, de terça a domingo, das 9h às 18h30, no  Museu Nacional – Complexo Cultural da República, Esplanada dos Ministérios, entrada franca. 
 
Mais informações em  http://www.cubamuchogusto.com.br/