Governo do Distrito Federal
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29/04/21 às 21h04 - Atualizado em 29/04/21 às 21h04

Mesa do Gira Cultura destaca o valor da educação patrimonial

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Texto: Loane Bernardo/ Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

29.04.2021

21:00:00

A tarde desta quinta-feira (29) contou com um debate sobre o papel do poder público no desenvolvimento de políticas para proteção e conservação de arquivos. Atividade inserida no I Festival Gira Cultura DF, a mesa “Cultura, a Guardiã das Memórias” trouxe à pauta o valor da construção cultural para garantir um legado histórico para as próximas gerações. Transmitida via canal do YouTube da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), o evento propôs uma narrativa consciente acerca da educação patrimonial.

Mediado pelo servidor e jornalista da Secec Alexandre Freire, a mesa virtual contou com a presença de profissionais que atuam diretamente como guardiãs do patrimônio histórico cultural do Distrito Federal: Ana Lúcia de Abreu Gomes (UnB), Elisa Raquel Quelemes (Biblioteca Nacional de Brasília), Sara Seiliert (Museu Nacional da República), Aline Ferrari e Mariah Boelsums (Secretaria de Patrimônio Cultural). Além das convidadas, o evento teve a participação poética da chefe da Assessoria de Relações Institucionais, Beth Fernandes.

 

A conversa foi iniciada por Alexandre Freire, que saudou os presentes e o público do chat. Ele também citou o minicurrículo de cada uma das convidadas presentes na roda de conversa. Para abrir o debate, Alexandre perguntou à professora Ana Abreu. “O tema fala de memória. Se possível, em que medida que memória e história são termos importantes na educação patrimonial?” questionou.

No caso de Brasília, Alexandre destacou uma particularidade a respeito do acesso à história e memória da capital. “Uma historiografia oficial está sempre muito longe da memória. No caso de Brasília é diferente. Temos pioneiros vivos e podemos fazer recortes interessantíssimos com esses personagens”, pontuou o mediador.

A líder do grupo de pesquisa Museologia, Patrimônio e Memória, do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UnB, Ana Abreu justificou que a memória e história são coisas totalmente distintas, mas atuam juntas, em protagonismo, na questão da educação patrimonial e da cultura como um todo.

 

Segundo ela, a memória é mais plural. Já a história segue uma linha oficial. “Se entendermos a memória na construção de narrativas, que vão sendo passadas pelas gerações, e que pode ser fonte para uma escrita de uma história, elas vão construir essa perspectiva de educação patrimonial. Onde a história esquece, a memória lembra”, acrescentou.

Beth Fernandes recitou poemas que fizeram parte da série especial que a Secec dedicou aos 61 anos de Brasília. Foram 61 poemas em forma de contagem regressiva para a data do Aniversário da cidade, de autoria de Sérgio Maggio e Daniel Marques.

“Dulcina de Moraes – Há quem pense que é um prédio.

De dia, se vê artista. De noite, regozija sua cidade infinita
Atriz-monumento. Saudade da primeira dama dos palcos
De um tempo antigo, mas nunca esquecido
Já que, até hoje, seu perfume beija de longe quem segue nos palcos”

Gerente de acervo da Secec, Aline Ferrari destacou os detalhes do trabalho realizado na Subsecretaria do Patrimônio Cultura. Dona de uma bíblia herdada pelo avô, ela usou o exemplo da memória afetiva e relacionou seu objeto com a gerência de acervo.

 

“Guardamos e preservamos o que é importante para a comunidade, o que tem significado. A memória do candango é muito mais que a memória da cidade. Temos acervos que contam com uma narrativa histórica, como o caso do Museu do Catetinho”, descreveu.

Já Mariah Boelsums, gerente de Conservação e Restauro na Subsecretaria do Patrimônio Cultural (Supac) fala que sua profissão gera muita curiosidade. Atuando diretamente na conservação do patrimônio, ela destacou o pouco tempo dos cursos de formação de conservação em restauro, enquanto formação, mas que é muito antiga enquanto saber.

 

A gerente admitiu a importância das políticas públicas para a conservação e restauro do patrimônio cultural. “O profissional trabalha com a matéria, bens móveis e imóveis: são esculturas, livros, objetos históricos e afetivos, que se transformam em patrimônio cultural e são dignos de conservação”, relatou Boelsuns.

Diretora do Museu Nacional da República, Sara Seilert é graduada em artes visuais e explica sua função e contribuição à frente das atividades do equipamento. Para ela, uma das missões mais importantes de um museu, para além da conservação de bens, é a comunicação daquilo que ele guarda.

 

Em termos gerais, um museu é um espaço de salvaguarda e memória, mas para que isso faça sentido, é necessário conhecer aquilo que se guarda e se preserva. “Neste momento em que o museu se encontra fechado, tiramos para fazer um serviço de revisão do catálogo de acervo no sentido de trazer a informação de modo mais acessível para que pudéssemos disponibilizar ao público”, detalhou.

a bibliotecária e diretora da Biblioteca Nacional, Elisa Raquel, reforça o canal de disseminadora de conhecimento e informação do equipamento que dirige. Para ela, uma das funções da biblioteca é o de conservar e restaurar todo esse conhecimento e informação administrado pelo espaço, como é o caso das obras raras de responsabilidade da BNB.

 

Como novidade, Elisa adiantou que a BNB está organizando acervos da coleção de documentos históricos brasileiros e coleção de obras raras. Com cerca de 400 exemplares, eles serão disponibilizados para pesquisadores credenciados e para o público em geral, em forma de exposição.

 

“Para ser uma obra rara, não basta ser difícil de achar, é necessário que a obra seja inédita e tenha preciosidade. A lista de critérios também conta com nuances, como dedicatórias por exemplo. Estamos revisitando à nossa memória e construindo a nossa história”, citou Elisa.

Por fim, a professora Ana Abreu se pronunciou sobre a questão do caminho para sensibilizar os gestores para conservar e construir a memória de Brasília. Ela também acrescentou a necessidade de consciência da população brasileira a respeito da Biblioteca Nacional, por ser uma memória bibliográfica da Nação. “É um trabalho de sensibilização, constância e seriedade”, arrematou.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br

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