Governo do Distrito Federal
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18/04/14 às 14h54 - Atualizado em 13/11/18 às 14h45

Mémorias dos anos de chumbo

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Secretário de Cultura, Hamilton Pereira, e escritor Maurice Politi relembram fatos marcantes do período ditatorial


“Hoje se disputa no país o passado. Vivemos um momento que parece mais 1964 do que 1988, quando o Brasil foi intoxicado por ideias fascistas. Setores conservadores não gostam que falemos sobre a ruptura do Estado de Direito”. Com essa introdução, o Secretário de Cultura, Hamilton Pereira, – sob o pseudônimo Pedro Tierra – iniciou o seminário “Narrativas guerrilheiras: a luta contra a ditadura vista por dentro”, último seminário da quinta-feira (17) na II Bienal Brasil do Livro e da Leitura.

O debate contou ainda com a presença do escritor Maurice Politi, e mediação de Tereza Cruvinel. No evento, os dois escritores relembraram o passado e os momentos difíceis pelos quais, ainda muito jovens, foram submetidos durante o regime militar.

Politi falou sobre seu livro “Resistência atrás das grades” que surgiu de um diário escrito por ele em seus dias de encarceramento. A obra retrata a greve de fome feita por 32 presos políticos em três presídios de São Paulo no ano de 1972, como protesto a separação dos detentos em pequenos grupos. “Eu tinha 22 anos e fiz o que todo jovem gosta: um diário, no qual registrei dia após dia na prisão”, contou.

Pedro Tierra lembrou também os abusos cometidos pelo regime militar no período da ditadura. “O golpe disse a que veio. De abril a dezembro de 1964 ocorreram mais de 500 intervenções a sindicatos. Veio para deter o avanço das classes trabalhadoras”, lembrou.

A quinta-feira contou ainda com lançamento de livros, espetáculos, seminários e debates. O dia encerrou com show da banda Plebe Rude e da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro no palco Bienal, montado ao lado do Museu Nacional da República.

Homenagem

A morte do escritor Gabriel García Márquez foi lembrada durante a quinta-feira (17) na II Bienal Brasil do Livro e da Leitura. O Secretário Hamilton Pereira, falou durante o seminário sobre a importância da obra de García Marquez para a literatura. “Como disse Gaelano ‘a primavera não morre’. Gabriel Garcia Marquez teceu com palavras múltiplas primaveras. Poucos são os escritores que conseguem fazer isso”, disse.

A partir desta sexta-feira (18), todas as atividades na II Bienal Brasil do Livro e da Leitura serão iniciadas com a projeção de um painel em homenagem ao Nobel da literatura.