Governo do Distrito Federal
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19/12/20 às 9h14 - Atualizado em 22/12/20 às 15h14

Longa deste sábado (19) no Festival de Brasília explora luta por moradia

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Texto: Lúcio Flávio. Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

19/12/2020
09:14:00

 

Produção mineiro-pernambucana dirigida pela dupla Aiano Bemfica e Pedro Maia, “Entre Nós Talvez Estejam Multidões” talvez seja, na essência da palavra, o mais político dos filmes na competição na Mostra Oficial de longas do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), em exibição neste sábado (19), às 23h, no Canal Brasil. O engajamento com a realidade e o presente histórico do Brasil se manifesta na tela de forma subjetiva, a partir do dia a dia dos moradores da Ocupação Eliana Silva, em Belo Horizonte, às vésperas da eleição de 2018 no País.

 

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A história começa em abril de 2012, quando um grupo de pessoas, sem ter onde morar, ocupou o lugar, cercado ao longo de 21 dias pelas forças policiais, que usaram de extrema violência para expulsá-los. Três meses depois, os membros do movimento se reorganizaram e reergueram suas casas a poucos metros do primeiro confronto, com cerca de 300 famílias.

 

Diretores

 

É ali que, ao longo de sete anos, os diretores, Aiano Bemfica e Pedro Maia, elaboram, com ajuda de outros aliados de fora da comunidade, oficinas de formação, mostras de cinema, registros de atos, campanhas de financiamento, enfim, a realização dos primeiros curtas-metragens.

 

“Entre Nós Talvez Estejam Multidões” nasceu dessa experiência de voluntarismo e consciência sobre a pauta por moradia aos mais vulneráveis na sociedade. Para tanto, viveram oito meses no local, colhendo depoimentos e imagens para a realização do projeto de baixo orçamento que chega a Brasília, apontando o dedo para o poder público federal.

 

“Participar desse que é o mais antigo festival de cinema do Brasil é um privilégio e uma janela fundamental, não só para a obra em si, mas para os temas e questões que ela traz e que são pertinentes ao nosso tempo”, observa Aiano Bemfica. “Acredito que é um filme que propõe, evoca e que ajuda a pensar caminhos para superarmos a crise política e democrática em que vivemos. Daí o esforço contemporâneo que essas e outras curadorias no Brasil têm feito para aproximar os festivais dos temas e lutas mais pungentes de nosso tempo”, elogia.

 

A COLETIVIDADE DO INDIVÍDUO

 

Entre nós talvez estejam multidões

 

Menos uma narrativa sobre despejo ou desabrigados, o projeto, nas palavras de seus realizadores, é uma reflexão sobre a relação entre indivíduos e coletividade e como a questão se potencializa na sociedade de hoje. “Fico feliz que, em alguma medida, nosso filme possa reverberar histórias e contribuir para uma elaboração de linguagem atenta à política contemporânea, seus desafios e contradições”, pondera Bemfica, desde 2013, militante do Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas, o MLB.

 

“Nossos filmes, cada um à sua maneira e possibilidade, são feitos sobre aspectos do movimento e dessa luta por moradia digna”, explica Pedro Maia, referindo-se aos primeiros trabalhos da dupla realizados na comunidade, os curtas “Na Missão, com Kadu” (2016), “Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados” (2018), exibido em Brasília, e “Videomemoria” (2020).

 

Ao todo, são trinta sequências que retratam a jornada nua e crua da comunidade, com a câmera estática, ora de longe, captando o silêncio da noite ou o movimento de artistas em suas mais diversas manifestações culturais em ação, ora no registro de reuniões de bairros e na luta por dignidade, na simples reivindicação pela presença de carteiros no local. “O filme abre espaço para diversos debates, inclusive para aqueles que possam se subjetivar, colocando aspectos de seus desejos, sonhos, o do fazer artístico, mas também suas contradições”, destaca, Pedro Maia.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br