Governo do Distrito Federal
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17/08/15 às 12h36 - Atualizado em 13/11/18 às 14h49

Juventude que sonha – Júlia Nara

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Júlia Nara, de 24 anos, representa as jovens mulheres negras no hip hop. Nascida em Parnaíba (PI), há uns 10 anos veio morar com os pais em Samambaia. Há apenas duas semanas mora em Ceilândia Norte, mas sempre esteve muito presente na cidade, principalmente por causa da sua carreira musical. Tudo começou em 2010, ouvindo, prestigiando, curtindo rap, pedindo pros pais enviarem DVDs pra ela. “Eu me apaixonei pela música, pela poesia da periferia”. Daí pra começar a cantar foi umpulo. O primeiro contato pra subir ao palco foi no mesmo ano. Desde então vem atuando no Movimento, sabendo que “não é fácil ser uma mulher no Hip Hop”. “Pretendo levar minha música, pretendo que outra mina também possa chegar mais perto, mais próxima da nossa realidade, que a gente possa contar mesmo a nossa história, como ela é, como ela tem que ser, e fazer as coisas acontecerem também positivamente pra nossa quebrada”, explicou.

Sua vida artística começou com o grupo Função Periférica, formado a partir de uma audição dentro do projeto Donas da Rima, em 2012. O grupo teve a oportunidade de produzir um clipe dentro do projeto e desde então o Donas da Rima se tornou, nas palavras de Júlia, “um coletivo de minas que cantam rap”. Com todo o reconhecimento que veio por meio da atuação no projeto, Júlia passou a cantar ao lado das minas do É nóis q tá, que também são de Ceilândia. “A nossa proposta é dar visibilidade para as nossas músicas, resgatar a nossa cultura, resgatar nomes e histórias de outras guerreiras negras, que a gente não aprende na escola e acaba esquecendo. A gente tá nesse papel, tentar resgatar mesmo, levar uma música que outra mina possa se sentir representada, visibilizada, dizendo não ao racismo, não à homofobia, não à violência contra nós mulheres, um espaço pra gente se sentir segura dentro do Movimento Hip Hop e dentro da sociedade também”, declarou.

Mais do que sonhar para si, Júlia sonha em melhores condições para todas as minas: “Eu sempre falo assim – eu quero ser porta-voz da minha cidade, porta-voz pra outras minas também. Beleza, não é tão fácil, mas com a música, com o rap, eu pretendo ir pra outras cidades, levar a mensagem. Já tenho alguns projetos dentro do sistema carcerário também. Isso tem me realizado bastante, tem sido um grande sonho conquistar as minas dentro do espaço carcerário, que não é tão fácil, porque às vezes elas se fecham com o decorrer do tempo. Faz parte do meu sonho, também, que outras minas possam formar seus grupos, possam escrever suas músicas, fazer suas poesias, e assim a gente possa transformar o mundo, porque ele também é nosso. Meu sonho é sempre uma construção”.

Seu sonho e suas realizações também podem aparecer aqui na página. Publique sua história e uma foto sua com a hashtag ?#?juventudequesonha?e pronto. Esse espaço é seu também