Governo do Distrito Federal
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24/08/15 às 12h38 - Atualizado em 13/11/18 às 14h49

Juventude que sonha – Frederico Sóter

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Frederico Almeida y Sóter tem 20 anos e atualmente é o secretário-executivo do Ibrat – Instituto Brasileiro De Transmasculinidade no Distrito Federal e Região Centro-Oeste. O Instituto luta pelos direitos dos homens transexuais em diversas áreas, na saúde, na cultura, no respeito aos direitos desse público em geral. Morador da Estrutural, Fred, como é carinhosamente apelidado, preocupa-se em fazer o que estiver ao seu alcance para melhorar a vida da população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) próximos a ele. “Tenho uma casa razoavelmente grande e agora vai pra quarta pessoa LGBT que eu estou abrigando, que estaria em situação de rua caso eu não tivesse ajudado. Tô indo pro terceiro homem trans e um casal de lésbicas morando lá também provisoriamente, até conseguir se reerguer”, detalhou. “Eu, enquanto homem trans, é uma coisa que eu preciso pra mim e pro meu próximo, né? Eu sei que a discriminação é maior ainda, que tudo é mais complicado quando você faz parte de uma minoria. Eu tento me agarrar mais à minha minoria, ajudar mais quem tem uma história de vida parecida com a minha, quem tem o mesmo problema que o meu”, complementou. A mãe de Frederico faleceu há três anos, o que o motivou ainda mais a ajudar outras pessoas: “eu fiquei meio que sozinho, faço minhas coisas por mim mesmo e tento ao máximo ajudar quem está nessa situação, porque eu fico pensando assim: podia ser eu”.

Secretário do Ibrat há cerca de um ano, Frederico tenta “se desdobrar” pra conseguir conciliar a militância e a vida pessoal – é casado há dois anos e cursa o terceiro semestre de Direito pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). Ele vê a importância e a necessidade do trabalho no Instituto principalmente porque, segundo ele, o movimento social de homens trans é razoavelmente novo em comparação com outros. O movimento de mulheres trans e travestis, por exemplo, ele explica, existe há 30 anos, enquanto o de homens trans tem cerca de uma década. “A gente tem muita juventude no movimento social, é claro que por questões, assim, medo de preconceito… muitos são jovens demais, menores de idade que dependem dos pais, ou às vezes já são maiores de idade, mas ainda dependem dos pais, porque é uma realidade, muitos jovens ficam à procura do primeiro emprego e não acham, é uma coisa difícil”, declarou.

Por conta de ter muitos jovens e também por ser um movimento relativamente novo, Frederico conta que há muitos militantes virtuais do movimento de homens trans, o que ele não considera negativo, pois a visibilidade que a internet traz é importante não apenas para o movimento, mas também, para empoderar as pessoas. “A gente tem muito militante de internet, que algumas pessoas criticam, mas eu acho que é uma militância muito válida, tendo em vista que às vezes a pessoa pode estar sofrendo transfobia em casa, não pode se assumir… Então, aquele espaço da militância na internet é um espaço de empoderamento aos poucos pra um dia, quando essa pessoa conseguir andar com as próprias pernas, ela já vai estar mais a par do movimento social. Quando chega numa parte que você já está empoderado o suficiente pra enfrentar sua família, pra ir à luta pelo seu emprego, sofrendo transfobia, homofobia, LGBTfobia no geral, você já vai estar empoderado o suficiente pra lutar por isso. Isso que eu acho legal”, contou.

“Hoje em dia, a gente tem várias tecnologias a nosso favor e a gente usa bastante isso, principalmente a juventude. Por exemplo, aqui no Brasil a gente tem o maior movimento social de homens trans. E aqui, na América do Sul, a gente já tá conhecido, porque pela internet as pessoas dos países vizinhos veem, pessoas até lá dos Estados Unidos veem, porque nos Estados Unidos não se tem um movimento social de homens trans. Eu acho muito interessante isso: o que a gente tá publicando aqui vai lá pro Japão e fortalece o nosso movimento aqui, com essa visibilidade internacional”, ilustrou.

No momento de responder sobre o seu sonho, Fred respirou fundo, sorriu, e ficando sério novamente, respondeu: “meu sonho é advogar o mais perto possível do movimento social. Espero que até lá não precise mais disso, mas penso em advogar pra ajudar um menino a conseguir um tratamento, ajudar um menino que foi expulso de casa a ter uma situação melhor… Cada vez mais a gente tem visto pessoas de 18 anos serem expulsas de casa por pura transfobia. Então é isso que eu quero, advogar mais pela minha causa, no caso, das pessoas trans, principalmente, que a gente sabe que tem a questão da mudança de nome, tem que conseguir atendimento ambulatorial, esse tipo de coisa. Mas eu quero atender também os necessitados no geral, todos os que são minorias, todos que são rechaçados, etc, porque eu sei que nós somos os que mais precisamos e os que menos têm pessoas que ajudam na causa”.

Sabemos que você também tem sonhos, e queremos ouvi-los. Poste uma foto e a sua história com a hashtag ?#?juventudequesonha? e conte tudo pra gente!