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9/06/20 às 16h41 - Atualizado em 10/06/20 às 19h37

Participantes do Clube de Leitura do Espaço Renato Russo escolhem “Quarto de Despejo” para encontro de julho

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Mineira Carolina Maria de Jesus e nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie disputaram as preferências na rede social

 

Seguidores do perfil social no Instagram do Espaço Cultural Renato Russo – 508 Sul, espaço da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), escolheram o livro de Carolina Maria de Jesus “Quarto de Despejo” (1960), depois de empatarem na escolha da obra do próximo encontro do Clube de Leitura da Biblioteca de Arte de Brasília Ethel de Oliveira Dornas, que funciona no local.

 

O tema do encontro do dia 1º de julho, às 19h, em plataforma digital, é “Escritoras negras”. O livro da mineira recebeu 55% das escolhas, enquanto 45% optaram por “Hibisco Roxo” (2003), da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

 

O livro de Carolina de Jesus reproduz o diário da migrante que cursou apenas dois anos de estudo formal, mas era apaixonada pela leitura desde pequena. No diário, ela narra o dia a dia de moradores de favelas da cidade de São Paulo. Aborda angústias e sofrimentos de populações pobres, sem casa, lutando para pagar aluguéis a grupos que passam a controlar os espaços. A temática, falta de habitação e a vida em locais controlados por milícias, ressoa no presente.

 

O livro de Chimamanda Ngozi Adichie – um misto de ficção e autobiografia da autora – inspira reflexões sobre a religiosidade extrema de um patriarca, que inferniza e destrói a vida de sua família. Retrata ainda o panorama social, político e religioso da Nigéria, mostrando os remanescentes invasivos da colonização européia no país, o que também estabelece impressionantes paralelos com o Brasil e sua história de domínio colonial de base econômica escravista.

 

O encontro de julho, ao abordar os assuntos acima, reflete questões que os brasileiros têm sido levados a encarar em interações sociais, não apenas por acontecimentos que fazem parte do dia a dia nacional, como discriminação racial, de classe (o recente caso Miguel) e feminicídio, como por eventos nos Estados Unidos, como o assassinato há dias do negro George Floyd por policial branco.

 

Atualidade

No encontro passado do Clube de Leitura, a proposta de lidar com um assunto da atualidade a partir de abordagem literária teve sua primeira edição. O livro debatido, “A Peste” (1947), de Albert Camus, ao abordar uma epidemia na Argélia (África), permitiu ao público manifestar inquietações relacionadas à pandemia de coronavírus. “A literatura é capaz de retratar angústias que vivemos”, justifica a bibliotecária da Secec Marmenha Rosário, que ajuda a mediar os encontros literários.

 

Ela aposta no crescimento do número de participantes nos encontros do Clube de Leitura em razão do espaço de afetividade e escuta que a iniciativa encerra. O servidor Renato Santos, também curador e mediador nos encontros, acredita que “os números aumentem bastante para o segundo livro, uma vez que o tempo anterior de divulgação e leitura foi muito curto e tivemos problemas de conexão que serão resolvidos para reunião de julho”.

 

O link para acesso à sala em que acontecerá a reunião do próximo mês será disponibilizado no dia 1º de julho às 18h através de “story” no perfil da rede social. Fiquem atentos!

 

Serviço

Clube de Leitura da Biblioteca de Arte de Brasília Ethel de Oliveira Dornas do Espaço Cultural Renato Russo

https://www.instagram.com/espacoculturalrenatorusso/

 

#agendacultural

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