Governo do Distrito Federal
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27/05/13 às 15h12 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

III Festival de Ópera de Brasília

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Evento terá espetáculos Carmen e Olga, além de um concerto em homenagem ao bicentenário de Wagner e Verdi

Pelo terceiro ano consecutivo a Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional vai respirar ópera por quase um mês. Com direção geral do maestro Cláudio Cohen, o III Festival de Ópera de Brasília será realizado de 12 de junho a 7 de julho, com 11 apresentações das óperas Carmen e Olga e de um concerto em homenagem ao bicentenário dos compositores Wagner e Verdi. Além disso, será feita uma homenagem ao diretor cênico Fernando Bicudo. Os ingressos custarão R$ 30, a inteira, e R$ 15, a meia-entrada, e as récitas serão sempre às 20h.

A programação do III Festival de Ópera de Brasília começa com Carmen, de Georges Bizet, com regência de Cláudio Cohen e direção de Willian Pereira. “Essa visão de Carmen é diferente da apresentada no ano passado. A direção de Pereira apresenta uma visão mais autêntica, com uma cigana mais revolucionária”, afirma o maestro. O diretor Willian Pereira também assina o cenário e os figurinos e completa: “É uma Carmen mais sóbria e não uma Carmen floral. Eu vejo essa Espanha franquista da época da guerra civil sem o clichê da Espanha turística”.

Cohen destaca, ainda, o elenco da ópera, que contará com a mezzo soprano croata Biljana Kovac e a brasileira Janete Dornellas revezando-se no papel da cigana que encanta os homens se valendo de canto e dança. O tenor alemão Martin Muehle será Don José, a espanhola Ana Luisa Espinosa interpretará Micaela e o brasileiro Homero Velho viverá o toureiro Scamillo. “São quatro nomes muito importantes que vão dar ainda mais brilho à obra”, diz Cohen.

A escolha de Carmen para abrir o Festival não foi à toa. “Essa ópera fechou o festival do ano passado com um sucesso imenso. Muitas pessoas ficaram de fora do Teatro Nacional e voltaram para casa sem assistir ao espetáculo. Agora elas terão nova oportunidade”, comemora o maestro.

Bicentenário

A segunda atração do III Festival de Ópera de Brasília será um concerto em homenagem a dois grandes compositores: o italiano Giuseppe Verdi e o alemão Richard Wagner. “Esse ano comemora-se os 200 anos do nascimento deles, que são dois nomes da música clássica que têm uma visão operística”, afirma Cohen. Ele adianta que o concerto terá a participação de coro, orquestra e de quatro solistas: a croata Dupravka Separovic-Musovic mais Janete Dornellas, Homero Velho e Helenes Lopes.

No programa as aberturas das óperas Os Mestre Cantores e Rienzi e árias de Tristão e Isolda, de Wagner, além de trechos de Va Pensiero da ópera Nabucco, Brindisi de La Traviatta, Grande Marcha Triunfal da ópera Aída e a abertura da ópera A Força do Destino. Todas de Verdi.

Olga

A saga de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes é o mote para a ópera Olga, de Jorge Antunes, que fecha o Festival sob a regência de Mateus Araújo. Esta é a primeira vez que a ópera – que estreou em São Paulo em 2006 – está sendo montada em Brasília.

No elenco, Martha Herr no papel de Olga, Adriano Pinheiro, no de Luiz Carlos Prestes; Homero Velho no de Filinto Müller e Cris Dantas como Carmen Ghioldi. “Durante décadas acalantei a ideia de compor uma ópera com a saga de Olga Benário”, afirma Antunes, ressaltando que o libreto de sua obra foi escrito em parceria com Gerson Valle e é baseado no livro de Ruth Wainer e não na biografia de Fernando Morais. Apesar de a abordagem política ser importante em Olga, Antunes não deixou de lado o amor entre Olga e Prestes. No segundo ato o compositor faz um paralelo entre as histórias de amor de Prestes e Olga e Tristão e Isolda. “O amor dos dois casais surgiu em uma viagem de navio. Tristão levava Isolda para o Rei Mark, mas um filtro do amor a bordo acrescentou novos rumos à história. Prestes levava Olga para a revolução brasileira, mas um coquetel a bordo acrescentou novos rumos à história”, explica Antunes, completando: “Neste ato uso muitas citações de Wagner”.

O diretor do Festival, Cláudio Cohen, celebra a apresentação de Olga em palcos brasilienses. “Escolhi encerrar o festival com ela porque valoriza o talento local”, afirma Cohen, lembrando que Antunes tem uma história com a Universidade de Brasília (UnB).