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História do Teatro Nacional


O teatro e suas cenas concretas - Localizando no mapa

No Relatório do Plano Piloto, Lucio Costa dá a primeira definição de qual destino novo Brasília está traçada, com a previsão certeira de que também precisará de vida cultural: cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país.

Mais à frente, noutro item do Relatório, a cultura já pode ser situada: como decorrência dessa concentração residencial, os centros cívico e administrativo, o setor cultural, o centro de diversões, o centro esportivo, o setor administrativo municipal, os quartéis... E ainda no artigo 5: O cruzamento desse eixo monumental, de cota inferior, com o eixo rodoviário residencial impôs a criação de uma grande plataforma liberta do tráfego que não se destina ao estacionamento ali, remanso onde se concentrou logicamente o centro de diversões da cidade, com os cinemas, os teatros, restaurantes, etc. No item 10, o urbanista vislumbra uma cidade culturalmente pulsante e até com um quê de exótica: Nesta plataforma (...) onde o tráfego é apenas local, situou-se então o centro de diversões da cidade (mistura em termos adequados de Piccadily Circus, Times Square e Champs Elysées). A face da plataforma debruçada sobre o setor cultural e a esplanada dos ministérios, não foi edificada com exceção de uma eventual casa de chá e da ópera, cujo acesso tanto se faz pelo próprio setor de diversões, como pelo setor cultural contíguo, em plano inferior. Na face fronteira foram concentrados os cinemas e teatros, cujo gabarito se faz baixo e uniforme, constituindo assim o conjunto deles um corpo arquitetônico contínuo, com galeria, amplas calçadas, terraços e cafés, servindo as respectivas fachadas em toda a altura de campo livre para a instalação de painéis luminosos de reclame. As várias casas de espetáculo estarão ligadas entre si por travessas no gênero tradicional da rua do Ouvidor, das vielas venezianas ou de galerias cobertas (arcades) e articuladas a pequenos pátios, com bares e cafés (...)

A origem

O Teatro Nacional é o maior conjunto arquitetônico realizado por Oscar Niemeyer em Brasília destinado exclusivamente às artes. É um dos pontos centrais de interesse turístico, numa cidade em que os monumentos impressionam pela sobriedade e rigor arquitetônicos. Evidentemente, está lá, mesmo que velado, nos planos de Lucio Costa, nos planos de Juscelino Kubitschek, no plano dos seus primeiros moradores. Um teatro que se construiu pela necessidade e pelo sonho.

O projeto

O Teatro Nacional foi projetado por Niemeyer numa temporada de carnaval em que, certamente, enfrentava os desafios e a imensa solidão do planalto central, acompanhando as obras da capital. Tem a forma de uma pirâmide sem ápice, característica da arquitetura asteca. Foi calculado por Joaquim Cardozo, o poeta que tinha o domínio para as grandes massas de concreto armado. São 3.608 vidros nas fachadas leste e oeste. Os cubos brancos nas paredes norte e sul, de dimensões diversas, desenhados por Athos Bulcão, passam também de centenas. Esses relevos são a maior e mais monumental obra de intervenção urbana de Athos Bulcão. Na elaboração do projeto, Oscar Niemeyer teve a colaboração do pintor, cenógrafo e técnico de teatro, o italiano Aldo Calvo.

A construção

O Teatro Na cional de Brasília, assim chamado no início, foi construído em várias etapas, iniciando-se as obras a partir de 30 de julho de 1960, poucos meses depois da inauguração da capital em 21 de abril. O presidente do Brasil é claro, era Juscelino Kubitschek e o prefeito da nova capital, Israel Pinheiro. A Novacap foi a responsável pela obra em to das as suas etapas. A estrutura ficou pronta em 30 de janeiro de 1961, mas as obras foram interrompidas por um período de cinco anos, sendo retomados parcialmente em 1966 par a completar, não de todo, a Sala Martins Pena, inaugurada no mesmo ano, 21 de abril de 1966. A Sala Martins Pena após dez anos de atividade foi fechada em 4 de setembro de 1976 para, logo em julho, recomeçaram as obras de conclusão do Teatro Nacional, entregue completamente construído no dia 21 de abril de 1981. Os jardins foram projetados por Burle Marx, dentro da obra de finalização completa do prédio. Nesse trabalho de conclusão, a equipe foi dirigida pelo arquiteto Milton Ramos. O tratamento acústico foi encomendado ao especialista russo Igor Sresnewski. O teatro foi reaberto em 6 de março de 1979, com todas as salas concluídas, mas vários problemas que exigiam imediata correção fizeram que com novas obras fossem executadas a partir de novembro do mesmo ano. Nesta última etapa, foi construído o Anexo do Teatro, para abrigar a administração, a sede da Fundação Cultural e salas de ensaio e galerias. O Anexo foi inaugurado no dia 24 de junho de 1981, pelogovernador de então, Aimé Lamaison.O teatro passou a se chamar Teatro Nacional Claudio Santoro pela Lei nº 378, de 1º de setembro de 1989, em homenagem ao maestro e compositor que foi genial criador, pioneiro e grande incentivador da educação e da cultura em Brasília.

Inaugurações e reformas

Foram muitas as inaugurações do Teatro Nacional ao longo das décadas. Nos primeiros dez anos de Brasília, o espaço vazio da pirâmide serviu para diversas funções, algumas inimagináveis, como campeonato de vôlei, missa do galo, espaço para alistamento militar, bailes de carnaval e concurso de beleza. Em 1963, o aniversário da cidade foi comemorado no teatro com jogos esportivos. Na inauguração de março de 1979, o teatro contou com vasta programação. As três salas receberam programação especial, destacando-se a noite de 6 de março, quando o maestro Claudio Santoro regeu na novíssima Sala Villa-Lobos obras importantes do maior compositor brasileiro. No mezanino da Villa-Lobos, foi montada a exposição Monhanga Poranga, de arte indígena brasileira, inclusive com raridades seculares, com curadoria de Gisela Magalhães. Em 23 de maio de 1997, a Sala Martins Pena foi reaberta com música de Altamiro Carrilho, Zezé Gonzaga, Paulo Sérgio Santos e grupo Choro Livre, com o show Pixinguinha 100 anos de Música. Numa das reformas, em 4 de setembro de 1997, o show de reabertura foi com Gal Costa e Maria Bethânia na Sala Villa-Lobos, Balé Castro Alves, Deborah Colker, Ivan Lins e Simone.

Nomes e estrelas

As estrelas que se apresentam num teatro por tantos anos acabam por criar uma constelação. Mas há dados curiosos sobre os grandes talentos da arte que entraram no Teatro Nacional para comover o público. Na Sala Martins Pena, por exemplo, o primeiro pianista a tocar para o público foi o alagoano Joel Bello Soares, que logo seria professor na Universidade de Brasília, até hoje vivendo na cidade e com uma carreira admirável. Numa campanha para erguer sua fundação e seu teatro, por exemplo, Dulcina de Moraes juntou-se às mulheres da sociedade para montar a peça americana Tia Mame. Mas há uma lista de nomes interminável na qual podemos destacar celebridades internacionais como Maria Casaré, Susanne Linke, Kazuo Ohno, Antonio Márquez, Mercedes Sosa, Yma Sumac, os balés russosBolshoi e Kirov, o balé da Ópera de Paris, Astor Piazzola e, entre os brasileiros, estão Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Dulcina de Moraes, Glauce Rocha, Ziembinski, Márcia Haydé, Márika Gidali e o balé Stagium, grupo Corpo, João Gilberto, Caetano Veloso e praticamente todos os grandes nomes da música popular brasileira. Uma deusa da beleza que participou de um baile de carnaval ainda nas estruturas incompletas do teatro foi Rita Hayworth, na década de 60.

Lendas

Uma história de dramas, cenas, acontecimentos. O mundo inteiro é um teatro, escreveu o maior dos dramaturgos, Shakespeare. E cada teatro tem suas histórias, seus mitos, anedotas, memórias. O de Brasília não poderia ser diferente. De histórias dramáticas, como a de um funcionários que perdeu a vida num acidente a anedotas carregadas de assombro que falam de fantasmas dentro do teatro. E o assombro, é lógico, sempre se manifesta nas altas horas da noite, quando a cidade dorme e o teatro se transforma como quê numa grande e secular pirâmide, por onde transitam os imaginados fantasmas. Há quem diga que funcionários do teatro ouviram vozes, numa noite de lua cheia, vindas do palco da Villa-Lobos, e garantem que tudo indica se tratar da presença do maestro Claudio Santoro. Só que o próprio maestro Santoro, quando vivo, se divertia com a lenda, chegando a comentar várias vezes com sua esposa, a coreógrafa Gisèle Santoro, o assunto. Hoje, Gisele não se incomoda com esses boatos de que o próprio fantasma da ópera seria o maestro que dá nome ao teatro. Altas horas numa outra noite, depois de um espetáculo, funcionários e vigias ouviram de um dos pianos do teatro uma música insólita. A passos cautelosos, com lanternas nas mãos, foram constatar quem era o artista. Quando perceberam, era um gato que se divertia com as teclas do piano de cauda. Há outras histórias ordinárias ou extraordinárias, que ficaram na memória do teatro. Gente que se perdeu nos corredores e ficou presa, só podendo sair no dia seguinte. Um jovem que queria ver um show sem pagar entrada e acabou morrendo num dos poços. Ou o sumiço de um xale utilizado em cena pelo japonês Kazuo Ohno que teria sido levado por algum fã incondicional (o teatro é conhecido também pelo máximo de segurança que companhias e equipes têm com seus objetos e pertences pessoais).

As principais datas do teatro

30 de julho de 1960
início das obras
30 de janeiro de 1961
interrupção das obras
21 de abril de 1966
abertura da Sala Martins Pena
4 de setembro de 1976
fechada a Martins Pena para reformas do teatro
6 de março de 1979
entrega das obras do teatro, começando com concerto na Sala Villa-Lobos, regido por Claudio Santoro
7 de março de 1979
reabertura da Sala Martins Pena
8 de março de 1979
inauguração da Sala Alberto Nepomuceno
1º de dezembro de 1979
o teatro novamente é fechado para reformas
1980
criado o quadro da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional
maio de 1980
oficialização da OSTN, com regência de Claudio Santoro
março de 1981
reabertura do Teatro Nacional com as salas Villa-Lobos, Martins Pena e Alberto Nepomuceno

O Decreto

Decreto de nomeação do Teatro Nacional Claudio Santoro
Lei nº 37, de 1º de setembro de 1989
Diário Oficial do DF de 4 de setembro de 1989
Denomina Teatro Nacional Claudio Santoro o Teatro Nacional de Brasília.Faço saber que o Senado Federal decretou, o Governador do Distrito Federal, nos termos do art. 10, parágrafo 3º, da Resolução nº 157, de 1988, sancionou, e eu, Nelson Carneiro, Presidente do Senado Federal, promulgo a seguinte lei:
Art. 1º - É denominado Teatro Nacional Claudio Santoro, o Teatro Nacional de Brasília, pertencente ao Governo de Distrito Federal.
Art. 2º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário.


Senado Federal, em 1 de setembro de 1989
101º da República e 30º de Brasília
Senador Nelson Carneiro
Presidente


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