Governo do Distrito Federal
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19/04/16 às 13h21 - Atualizado em 13/11/18 às 14h50

Hiperfotos de Rauzier celebram Brasília

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Exposição do fotógrafo francês estreia no Museu Naiconal

Após a bem sucedida exposição do fotógrafo francês Jean François Rauzier no Rio de Janeiro, o artista apresenta suas espetaculares hiperfotos em Brasília. A partir do dia 20 de abril (terça-feira) até 5 de junho, o Museu Nacional da Republica ambienta a exposição Hiperfoto-Brasília, que oferece ao público do planalto central a oportunidade de conhecer a técnica autoral jamais antes vista. Para serem produzidas as hiperfotografias de Rauzier passam por um processo longo e complexo. Manipuladas em computador, algumas delas, inclusive, alcançam um volume que pode sugerir uma escultura bidimensional.

A mostra em Brasíliaapresenta 34 imagens deslumbrantes de paisagens, da arquiteturae ambientes da capital brasileira que oferecem ao espectador conhecer imagens cujas intensidades ultrapassam ao normal. Numa única obra o público pode ver tudo e, ao mesmo tempo, somente o que ele quiser. Com seus olhos o espectador pode passear na imagem, ver de perto um detalhe, mover-se para trás para vê-la em sua totalidade, construindo assim a sua própria história da obra.

A obra de Jean François Rauzier dialoga com o cubismo, o mosaico, o surrealismo, o barroco e a escultura bidimensional. O projeto brasileiro de Rauzier visa apresentar as diferentes capitais escolhidas, Rio de Janeiro, Brasilia, Salvador e São Paulo sob um olhar e técnica únicos que o artista pesquisa desde 2002. Até o final da exposição do Rio de Janeiro Rauzier se debruçou essencialmente sobre a força da herança do mundo católico barroco. Mas sua visita preparatória a Brasília marcou uma verdadeira ruptura em sua maneira de conceber sua obra. “Rauzier foi tomado pelo construtivismo de Brasília, seu minimalismo, o branco puro dos edifícios mal esquentados por uma luz dourada ímpar… todos este elementos característicos que acabaram por levar o artista em outras direções”, analisa Marc Pottier, o curador das exposições no Brasil.

“A obra de Jean-François sobre Brasília se torna totalmente cubista, ignorando qualquer floreio e jogando com as massas como ele nunca havia feito antes… A estética é privilegiada em detrimento da segurança, como é o caso da famosa escada helicoidal do Palácio do Itamaraty. O trabalho se tornou então verdadeiramente Arquitetônico. Mas com pequenos toques o artista buscou reencontrar seu universo onírico ao introduzir, como sombras, certos detalhes das obras penduradas nas paredes dos palácios governamentais que ele pôde visitar. Ele foi também surpreendido pela onipresença de uma natureza perfeitamente domada, que oferece uma situação insólita em uma cidade de esplanadas e eixos viários onde é difícil caminhar. Ele constatou que os principais pedestres são frequentemente os jardineiros, guardiões dos locais, conservandoos desenhos de Burle-Marx. Eles, inclusive, estão presentes nesta exposição em um grande afresco mural”, complementa o curador.

As fotografias de Rauzier, impressas em formatos enormes, intensificam o mundo sobre o qual ele lança seu olhar. Com o computador ele fabrica uma hipercolagem onde em cada uma de suas obras são reunidas inúmeras imagens fotografadas durante suas viagens, criando uma espécie de casamento entre o macro e o micro, o virtual e o real assim como o imaginário. Desta maneira, ele mostra uma versão original e excepcional das cidades, das paisagens e dos assuntos que ele aborda.Se não fosse fotógrafo, seria possível pensar em Jean-François Rauzier como um pintor do sobrenatural que compõe suas obras a partir de pequenas pinceladas em uma tela.

“Nossas memórias cerebrais são capazes de guardar uma enorme quantidade de detalhes, estes que podemos até descrever, mas jamais mostrar em uma única imagem.O que eu tento fazer é justamente isso: tirar centenas, milhares de imagens, de todos os detalhes, como se tivesse uma câmera dentro dos meus olhos”, explica Rauzier. Foram os modernistas brasileiros – cujas produções, qualquer que seja o meio, preenchem as salas dos edifícios oficiais da capital administrativa do Brasil – que me deram um novo sopro. Um vento de juventude”, diz o artista sobre sua mostra em Brasília.

Esta exposição propõe ao longo das imagens uma grande viagem a Brasília onde o espectador poderá reconhecer ou descobrir certos edifícios fechados ao público, e alguns ícones da cidade como a Catedral, a Biblioteca ou o Senado. Algumas imagens se tornam grandes caleidoscópios vertiginosos, se transformando às vezes, se prestarmos atenção, em grandes máscaras mágicas prestando homenagem sutil ao astral de uma capital única em seu gênero. O Catetinho, primeira residência do presidente Juscelino Kubitschek, é representado como uma torre precária prestes a ruir, mas que se transforma em torre de guarda para observar o futuro de um Presidente que foi megalomaníaco para o país, mas humilde para si mesmo.

A exposição “Hiperfoto-Brasília” faz parte do projeto “Hiperfoto-Brasil” idealizado e produzido pela empresa KDB Partners Consultoria que conta com mostras no Rio de Janeiro (realizada no Museu Histórico Nacional, em agosto e setembro de 2015), em Salvador, a ser realizada no segundo semestre de 2016 e São Paulo, prevista para 2017.

Jean-François Rauzier, Artista (1952)

Criador não convencional de um mundo onírico pós-moderno, Jean-François Rauzier se interroga, através de suas hiperfotos, sobre o futuro de nosso patrimônio. Com seus mundos quiméricos, ele oferece uma reflexão sobre nossa percepção do mundo e sobre os grandes temas que alicerçam nossas sociedades: a cultura, a ciência, o progresso, a opressão, a ecologia, a utopia, a liberdade, a saúde… Reconhecido por suas arquiteturas imaginárias e por suas numerosas referências culturais e populares, ele transforma os vestígios em verdadeiras utopias e questiona a cidade do futuro, bem como o nosso lugar no mundo moderno, através de padrões de construção diferentes. Chamado de “re-encantador do real” pelo crítico de arte e curados de exposição Damien Sausset e colocado no mesmo patamar dos artistas “barrocos numéricos” pelo curador de exposição Régis Cotentin, Rauzier já teve sua obra exposta em várias instituições internacionais (Fundação Annernberg de Los Angeles, Palácio das Belas-Artes de Lille, MOMA de Moscou, Centro Cultural de Botânica de Bruxelas, etc.) e está presente em coleções de arte contemporânea (Louis Vuitton, Instituto Cultural B. Magrez, Cidade de Versailles, etc.). (www.rauzier-hyperphoto.com)

Curadoria:

Marc Pottier nasceu em Dijon, vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e Paris.

Começou a trabalhar em arte contemporânea através do mundo dos leiloes, posteriormente ocupou-se da coleção de arte contemporânea e moderna Sawada (Nagoya, Tokyo, Paris, Nova York). Por oito anos trabalhou no Ministério das Relações Exteriores Francês tendo sido Adido Cultural no Rio de Janeiro e em Lisboa. Desde 2007 voltou a ser curador independente. Organizou importantes exposições tais como “Aleksander Rodchenko” no MAM-SP, “Cerâmicas de Picasso” no Rio de Janeiro e “Luzboa – a bienal da Luz”, em Lisboa, além de circuitos culturais por cidades como Veneza, Paris e Nova York. Foi responsável pela curadoria e pela coordenação de eventos e exposições como “Pulso Iraniano” (Oi Futuro RJ, BH e SESC Vila Mariana São Paulo 2011-12) e “Elles@” (Centre George Pompidou, em Paris, CCBB RJ, CCBB BH). É autor do livro “MadebyBrazilians” (Enrico Navarra Publisher) com relatos de 230 pessoas que representam o mundo da arte contemporânea brasileira. Foi curador convidado da 3a Bienal da Bahia, em 2014 e curador responsável pela invasão criativa “Madeby… Feito por Brasileiros” na Cidade Matarazzo em São Paulo. Idealizador e apresentador da série semanal “Olhar Estrangeiro”, do Programa Arte 1 Visual, veiculado na TV Bandeirantes.

Produção/idealização – KDB Partners Consultoria

Empresa de consultoria e produção de projetos culturais com sede em Paris e Rio de Janeiro. Dentre suas produções, destacam-se: exposição de gravuras de Picasso no RJ e em São Paulo; retrospectiva da alta-costura dos anos 60 RJ e SP, Artes Visuais com smartcardswithArt em Direct – France/USA, Influence management with internet, Projeto Arcos com JFR, entre outros.

“Hiperfoto-Brasília”, Jean François Rauzier

http://www.hiperfoto-brasil.com

34 imagens em hiperfotografia

Patrocínio: Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura e Caixa Seguradora

Museu Nacional do Conjunto Cultural da República

Abertura :terça-feira, 19 de abril, 18h30

Exposição: de 20 de abril a 05de junho de 2016

Curadoria de Marc Pottier

Museu Nacional da República

Setor Cultural Sul, lote 2, próximo à Rodoviária do Plano Piloto – Zona 0.

Horário de visitação: terça-feira a domingo, das 9h às 18h30.

Telefones: (61) 3325-5220 e 3325-6410

Fax: (61) 3325-5220- museunacional@gmail.com