Governo do Distrito Federal
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19/12/20 às 16h49 - Atualizado em 19/12/20 às 16h51

Festival de Brasília discute cinema ambiental

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Texto: Sâmea Andrade. Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

19/12/2020
16:49:00

 

O meio ambiente foi pauta, neste sábado (19), de uma das mesas de debate virtual do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec). A moderadora Sol Udry recebeu Clementino Júnior, André D’Elia, Mônica Duarte Bulgari, Stella Penido e Brent Mollikan para discutir o cinema ambiental em sua diversidade de modalidades e sua importância para a sociedade.

 

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A jornalista e cientista social Mônica Bulgari falou sobre o Videocamp, plataforma online que reúne filmes com conteúdo de impacto social, iniciativa do Instituto Alana, cujo objetivo é a defesa de causas de interesse público. São mais de 400 obras cadastradas, com mais de 130 mil usuários com acesso a películas diversas, entre elas, as relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas. “É importante saber o impacto causado por uma obra audiovisual”, reforçou Mônica, que atualmente conclui mestrado em Linguística na Unicamp.

 

Cineasta, artista visual, arte-educador e pesquisador ambiental, o carioca Clementino Júnior transmitiu, durante a conversa, trechos de seu mais recente documentário, “A Padroeira”, que narra a questão da fé entre os atingidos no acidente ambiental em Mariana (MG), único representante latino-americano no Festival de Gotemburgo (Suécia) deste ano.

 

“Quero que vocês sintam um pouquinho dessa paisagem e desses sons… pra vocês entenderem que três anos depois, tudo isso desapareceu”, lamentou, ao mostrar imagens da lama que cobre, até hoje, a cidade. Atualmente, é doutorando em Educação Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO/GEASur), é presidente da comissão que selecionou os curtas-metragens desta edição do festival.

 

Stella Oswaldo Cruz Penido, como o nome indica, é bisneta do célebre cientista responsável por inúmeros avanços sanitários no Brasil da República Velha. É diretora do documentário “Baniwa – Uma História de Plantas que Curam”, sobre as práticas tradicionais de cura do povo indígena do alto Rio Negro (AM).

 

A cineasta trouxe ao debate o trabalho de Adrian Cowell (1934-2011), documentarista britânico sobre o qual reúne acervo. “Ele veio ao Brasil em 1957, com apenas 23 anos. Conheceu Darcy Ribeiro e os irmãos Villas-Boas”, contou sobre o cineasta, que filmou durante mais de 50 anos na Amazônia brasileira. “Ele foi muito importante pra visibilidade internacional de Chico Mendes, cuja morte abriu o caminho para a discussão ambiental no Brasil”, completou.

 

O estadunidense Brent Millikan, mestre em geografia pela Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), falou, em português fluente, sobre a força do cinema na produção de uma contranarrativa do que ocorre, no território brasileiro, com as minorias indígenas.

 

“A atuação dos atores brasileiros, assim como dos ativistas ambientais, é muito importante. Nada melhor do que o cinema, seja de documentário, seja de ficção, para dar voz a essas personagens silenciadas”, concluiu Millikan, que também dirige o Programa Amazônia da International Rivers, organização de sociedade civil que atua na defesa dos direitos humanos, da água e da vida.

 

Coube a André D’Elia finalizar o debate. Realizador de cinema socioambiental, segundo ele, “cinema pedrada na cabeça”, o roteirista, diretor e produtor contabiliza, entre seus trabalhos, os documentários “A Lei da Água – Novo Código Florestal”, “Belo Monte – Anúncio de uma Guerra” e “O Amigo do Rei”. Este último, produzido em formato híbrido, explorando o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG).

 

“O que aconteceu foi tão surreal que eu não consegui deixar só como documentário. Eu tive que incluir ficção”, disse sobre o maior crime ambiental brasileiro.

 

A conversa contou ainda com a presença do curador Silvio Tendler, “figurinha carimbada” nos painéis que ele próprio ajudou a estruturar.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br