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20/12/20 às 15h58 - Atualizado em 20/12/20 às 16h01

Festival de Brasília debate a potência das mulheres em novos curtas

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Texto: Loane Bernardo. Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

20/12/2020

15:58:00

 

O protagonismo feminino dentro do ambiente de trabalho foi tema de uma das mesas da programação de atividades paralelas do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, neste domingo (20). Mediado pela roteirista Naya Lopes, o painel, que foi transmitido pelo YouTube da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), contou com a presença dos cineastas que concorrem com curtas-metragens no festival pela mostra oficial: Tamiris Tertuliano, de “Pausa para o Café; Breno Nina, de “Quanto Pesa”; e Ricardo Alves Jr., de “Vitória”.

 

 

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Naya abriu a mesa ressaltando as semelhanças e diferenças na concepção dos curtas-metragens dos diretores convidados. A mediadora considerou que ambos contam com mulheres fortes e suas jornadas de trabalho, saúde e vida pessoal são um convite para a compreensão dos locais de gênero no Brasil. “Eu consigo enxergar essa costura da potência de um filme para o outro”, afirmou.

Estreante no festival, a diretora paranaense Tamiris Tertuliano trouxe com seu filme, “Pausa para o Café”, a chance de formular para depois transbordar. Diante de uma narrativa que propõe aproximações e conexões apesar das diferenças, a trama se passa no intervalo do trabalho de Sheila, quando Dona Ângela, avó paterna de seu filho, a procura para conversar sobre a pensão alimentícia exigida.

 

Dona Ângela tenta se aproximar firmando um pacto de paz entre as partes, ambas mães solteiras. “Quis falar sobre a romantização do título de mãe solo, uma vez que é uma situação imposta para muitas mulheres e não uma escolha. Também expus outra situação delicada, quando as avós são procuradas pela justiça diante da ausência paterna”, justificou.

 

Já o diretor de “Vitória”, o cineasta mineiro Ricardo Alves, fez uma ampla imersão na realidade das mulheres que trabalham em fábricas de tecidos no interior de Minas Gerais. A ficção destaca a personagem Vitória, que é uma entre muitas operárias da fábrica têxtil. Num dia de trabalho, ela aventa a possibilidade de agir coletivamente e transformar a ordem vigente.

 

Para Ricardo, o drama de Vitória muda o sentido por meio da voz que chamou a atenção sobre os problemas e abusos profissionais sofridos pelas mulheres nas fábricas. “Tive uma experiência quase que documental ao descobrir essas pessoas e essas histórias. Quis amplificar essas vozes silenciadas e motivar provocações que podem ser transformadas”, destacou.

 

Para o ator e diretor do curta maranhense “Quanto Pesa”, Breno Nina, seu filme já mostra a carga de sua inspiração, o argumento de Malcolm X (1925-1965), ativista negro assassinado nos Estados Unidos. “Não se pode separar paz de liberdade, porque ninguém consegue estar em paz a menos que tenha sua liberdade”.

 

Nina propõe ao público uma provocação sobre a jornada de trabalho enfrentada pelos brasileiros. Com uma protagonista mulher, a narrativa começa em um mercado popular, no qual o dinheiro é usado como moeda de troca, até um hipermercado, quando se leem apenas códigos de barra em um sistema automatizado de injustiças.

 

“Instiga-me muito questionar o trabalho ser o Deus da vida das pessoas. O trabalho enquanto novas e sofisticadas formas de escravidão. Se mantém a escravidão, só muda o termo. Fizemos essa investigação, que começa em um Mercado Central e termina em um hipermercado”, sintetizou.

 

A partir da reflexão sobre as jornadas femininas encaradas no ambiente de trabalho e fora dele, os cineastas concluíram suas mensagens como um grande alerta social a respeito dos verdadeiros valores em intercâmbio com as necessidades humanas. Sobre o Festival de Brasília, o grupo celebra o encontro de várias produções que fazem um cinema que reflete a realidade. “Vejo Brasília como um lugar de encontro para troca de ideias sobre as tentativas de descolonização de narrativa país afora”, concluiu Breno Nina.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br