Governo do Distrito Federal
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6/05/16 às 13h47 - Atualizado em 13/11/18 às 14h50

Festa da Tocha Olímpica leva 5 mil à Esplanada

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Público dançou, pular e celebrou a paz desde as 16h

O Revezamento da Tocha Olímpica começou por Brasília em clima de festa. Às 10h, depois que a jogadora de vôlei Fabiana Claudino iniciou o percurso do fogo olímpico no Brasil, descendo a rampa do Palácio do Planalto, o grupo feminino de percussão Batalá iniciou a programação cultural do dia com show ali mesmo no centro do poder.

A chama atravessou 105 quilômetros pelo Distrito Federal, passando desde a Ponte JK à Praça do Relógio, até chegar ao palco montado na Esplanada dos Ministérios. Porém, antes de a secretária de Esportes, Leila Barros, acender a pira das Olimpíadas, o público de mais de cinco mil pessoas presentes até o fim do evento já pulava e dançava ao som da diversidade musical e cultural brasileira desde as 16h.

A celebração na Esplanada começou com a bateria da Aruc fazendo um belíssimo Carnaval em cima do palco. O grupo acompanhou ainda os shows das sambistas Renata Jambeiro e Dhi Ribeiro, a mestre de cerimônias do evento. Em seguida, acompanhada de sua banda, Ellen Oléria fez um apanhado das clássicas trilhas sonoras de novelas brasileiras em um show que emocionou e fez o público cantar junto e dançar coladinho.

No gramado da Esplanada, entre as apresentações, foi possível ver toda a tradição das culturas populares de Brasília representadas nas performances do Boi de Seu Teodoro, Zé Regino, Zé do Pife e as Juvelinas e Mamulengo Presepada.

Diogo Nogueira subiu depois ao palco com toda sua ginga e simpatia cantando seus principais sucessos e e interpretando clássicos do samba. Daniela Mercury fechou o evento com chave de ouro, apresentado as músicas mais famosas de seu repertório (O Canto Dessa Cidade, Romeu e Julieta) e ainda tocando Legião Urbana, Raul Seixas e Belchior. A rainha baiana lançou toda sua energia sobre o público desde antes da tocha chegar ao palco. Embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, ela reforçou o belo ato pela Paz Mundial que tomou conta do palco. “Que esta chama nos fortaleça, que a gente acenda os nossos corações e possamos nos unir como nação. A chama é nosso coração”

O Papa Francisco enviou à capital brasileira mensagem com votos de paz e solidariedade para celebrar a chegada da tocha olímpica no Brasil. A mensagem foi lida em ato simbólico pela Paz Mundial, que uniu várias vertentes religiosas para proclamarem a união e convivência fraterna entre as nações. Representantes do catolicismo, das igrejas protestantes e demais religiões cristãs, do espiritismo e das religiões de matriz africana, do budismo, hinduísmo, judaísmo e islamismo uniram-se ao pajé indígena do Xingu, Kami Katy, que representou as tradições ancestrais brasileiras, para celebrarem a tolerância e o respeito à diversidade por uma cultura de paz, em nome de cada crença.

O ato foi coroado com a mensagem ecumênica do Santíssimo Papa, que evocou o espírito de comunhão, compaixão e respeito às diferenças: “Por ocasião da chegada da tocha olímpica a Brasília, dando início à contagem regressiva para as Olimpíadas Rio 2016, faço votos de que este eloquente símbolo, que evoca a fraternidade entre os povos, possa inspirar um renovado compromisso de todos pela construção de uma civilização onde reinam a paz e a solidariedade, fundadas no reconhecimento de que todos somos membros de uma única família humana. Que Deus abençoe cada um!”.

A cerimônia foi realizada pela Universidade Internacional da Paz e pela United Religions Iniciative (Iniciativa das Religiões Unidas – URI), que atua em mais de 70 países em cerca de 600 cidades pelo mundo, em parceria com os governos distrital e federal.

A líder pacifista moçambicana, Graça Machel, foi a grande homenageada da noite. Viúva do Nobel da Paz Nelson Mandela, é uma das mais premiadas ativistas internacionais por seu trabalho na África de atendimento e combate à fome entre crianças e adolescentes, sendo premiada pela ONU por sua atuação na luta contra o uso de crianças-soldados e o casamento precoce de meninas. Graça Machel discursou em nome da organização sem fins lucrativos que criou em Moçambique, Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade. “O que pulsa nos corações da população de Brasília é a chama da paz, aquele estado de espírito que daqui será ofertado para o resto do mundo. Junto minhas mãos e meu coração aos brasileiros dessa cidade de paz, para que esse sentimento permaneça e prevaleça.”

O ato também contou com a presença do primeiro brasileiro campeão olímpico nas pistas de atletismo, o brasiliense Joaquim Cruz. Nascido em Taguatinga, começou treinando basquete, mas logo foi deslocado para o atletismo, com diversas medalhas internacionais conquistadas desde jovem. Foi em 1984, nas Olimpíadas de Los Angeles (EUA), que o meio-fundista brasileiro foi campeão de atletismo, quando também quebrou recorde olímpico, concluindo a prova em 1min e 43 segundos. O mundo era apresentado a um grande atleta e o Brasil assistia, pela primeira vez, um brasileiro vencer uma prova e subir no topo do pódio olímpico. “O esporte une as pessoas e promove a paz”, disse o medalhista na cerimônia.

Na ocasição, a cantora indígena da Amazônia, Djuena Tikuna, interpretou o Hino Nacional na língua tikuna acompanhada pelo maestro e acordeonista, Marcos Farias, afilhado do rei do baião, Luiz Gonzaga, e filho da rainha brasileira do xaxado, Marinês, para simbolizar a diversidade brasileira unindo as raízes da cultura amazônica e nordestina.

Poucos sabem que a história da bandeira brasileira tem um fato curioso. Ela foi inspirada nos ideais positivistas, que tinham como base a frase de Auguste Compte: “o amor como princípio, a ordem por base e o progresso por fim'. O primeiro desenho da bandeira tinha a palavra amor. E três grandes artistas do Brasil guardam esta versão, Xico Chaves, Jards Macalé e Bené Fonteles. Uma delas foi entregue ao Congresso Nacional em 1993/94, durante a CPI da Corrupção. A bandeira com a palavra amor foi mostrada na cerimônia para lembrar ao Brasil o sentido do amor como princípio.

Também foram transmitidas mensagens, vídeos e imagens para celebrar a união entre povos e nações pela força do esporte e da cultura. A projeção foi realizada no Museu Nacional da República, uma das obras mais reconhecidas do arquiteto Oscar Niemeyer e um dos maiores símbolos da capital federal, que foi a primeira cidade moderna a ser reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Sobre Graça Machel

Machel iniciou sua militância política em Portugal, quando estudava filologia na Universidade de Lisboa. Lutou na guerrilha contra as tropas portuguesas em Moçambique, quando ainda era casada com Samora Machel, que tornou-se o primeiro presidente do país. Participou ativamente da reconstrução do país devastado pela guerra civil deflagrada no final dos anos 70. Foi ministra da Educação e Cultura por dez anos e recebeu diversos prêmios internacionais, inclusive a medalha Nansen das Nações Unidas pelo estudo que coordenou sobre o Impacto dos Conflitos Armados na Infância. É uma das mais reconhecidas ativistas internacionais pelos direitos humanos.