Governo do Distrito Federal
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24/02/21 às 14h27 - Atualizado em 26/02/21 às 22h01

Fechados ao público, espaços culturais apoiam artistas para o modo online

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Texto: Lúcio Flávio. Edição: Sérgio Maggio (Ascom/Secec)

24.02.21

14:00.03

 

Atenção

Diante do Decreto 41.842, publicado nesta sexta-feira (26.02), no DODF, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) decide fechar, neste sábado (27.02), todos os equipamentos culturais públicos que seguiam abertos e suspender os serviços de apoio para atividades online nos equipamentos culturais.

 

Os fazedores de arte e cultura do Distrito Federal têm buscado, junto aos gestores de espaços culturais geridos pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), alternativas para levar a arte aonde o espectador está. Com criatividade e vontade de vencer, os dois lados estão fazendo a diferença e driblando a pandemia com parcerias para realização de lives e gravações nos palcos dos equipamentos que seguem fechados ao público. Não tem sido fácil, mas com a devida adaptação, tem dado certo.

 

Sem cobrança de pautas e diárias de técnicos, os espaços da Secec abrem os palcos para que a arte continue a acontecer no modo online. As gravações ocorrem dentro do protocolo de segurança e higiene da Covid-19. Os artistas ainda ganham o apoio de divulgação dos projetos pelas redes da Secec e dos equipamentos.

 

“Desde o início da pandemia, a Secec trabalha firmemente para gerar emprego, renda e parcerias com a comunidade artística do DF. Os equipamentos não abriram, por segurança, mas seguem acolhedores com o fazedor de cultura”, observa o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues,

 

CORPOS SEM CONTATO

 

 

Foi o que ocorreu com a companhia carioca Corpus Entre Mundos, que, em março de 2020, firmou parceria com o Centro de Dança do DF para realizar aulas experimentais. O que era para ser presencial foi remodelado para a internet por conta da pandemia da Covid-19.

 

As gravações de aulas ocorreram no Centro de Dança, ofertando aos alunos cursos de diferentes estilos de dança, do afrohouse ao kuduro, passando pela dança contemporânea e pelo balé clássico. O resultado foi divulgado nas redes sociais da companhia Corpus Entre Mundos.

 

 “Dança é contato, tudo é muito próximo, tivemos um bloqueio inicial, mas desenvolvemos as aulas e, com o apoio do Centro de Dança na divulgação das aulas online, foi positivo pra gente, principalmente porque somos uma companhia nova em Brasília”, avalia Dilo Paulo, bailarino e coreógrafo nascido em Angola.

 

“Com esse projeto, conseguimos criar uma ponte para que os artistas pudessem chegar até um novo público. Com a quarentena, acabaram ficando sem opções de lazer e cultura e as aulas online foram a forma de suprir essa necessidade”, reforça Aghatto Augusto, gerente do Centro de Dança desde 2019.

 

VITRINE NA 508 SUL

 

No Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, o caminho virtual também foi a alternativa encontrada, com a realização de exposição online de 20 artistas da cidade divulgada nas redes sociais do equipamento e da Secec. Nasceu, assim, o “Vitrine Virtual Artística”. Os trabalhos selecionados para o projeto foram adaptados às plataformas digitais. Um dos destaques foi o trabalho de Luiz Felipe sobre o isolamento social, que gerou uma sequência de imagens poéticas.

 

Cada realizador poderia enviar até duas criações autorais. Um dos destaques foi o projeto “Ritual da Cura”, da artista plástica Léa Juliana. A partir de latinhas de chá encontradas em sua casa, durante o claustro da pandemia, ela promoveu simbólica cerimônia de imunização norteada por reminiscências.

 

“Muito importante essa iniciativa, até como forma de incentivar outros espaços a realizar projetos nesse sentido. A classe artística está sofrendo muito com tudo isso, se reinventar é muito importante”, constata Léa.

 

 “Tivemos um ótimo alcance, curtidas e visualizações, consideramos que tudo isso foi bem produtivo para todos. Com a impossibilidade de realização de eventos presenciais, vimos a chance de, pelo menos, ajudar os artistas a permanecerem latentes no cenário cultural”, comenta o gerente do espaço, Renato Santos.

 

RAs FORTALECIDAS

Cia. Transicoes

Cia. Transições em aula no CCP

O ‘plano B’ também foi a linha traçada pelos espaços culturais das Regiões Administrativas de Planaltina e Samambaia. Não perdendo tempo, logo no início da pandemia, o Complexo Cultural Planaltina (CCP) emplacou o projeto “Lives de Quinta”, com a realização de sete encontros virtuais. “Os vídeos com a conversa na íntegra estão no nosso Instagram”, indica o gestor do espaço, Júnior Ribeiro.

 

Cantora, poetisa e entusiasta do hip hop, Ravena Carmo foi uma das artistas selecionadas para a live realizada no CCP. “Achei muito bacana essa iniciativa do espaço porque nos reaproximou do Complexo e do nosso público”, constata.

 

“De certa forma, o que manteve o vínculo cultural entre a comunidade artística e o público, nesse período de pandemia, foram as redes sociais, ou seja, as lives, que trouxeram diversas manifestações culturais”, conta.

 

Neste momento, o Complexo Cultural Planaltina traz como novidade uma oficina de dança ministrada por artistas da Cia Transições. O encontro, inteiramente gratuito, ocorrerá até o início de abril.

 

Os interessados que quiserem aprender frevo, dança contemporânea e zumba poderão fazer as inscrições no endereço disponibilizado no site da companhia (clique aqui): .

 

“É importante reafirmar a importância desses trabalhos remotos para fomentar pessoas que procuram os nossos trabalhos não apenas para assistir, mas para participar e ter essa vivência com a dança”, incentiva o coreógrafo e produtor da oficina, Lehandro Lira.

 

HISTÓRIAS VITORIOSAS

 

Inaugurado em 2018, o Complexo Cultural Samambaia (CCS) tem cedido suas instalações para gravações de lives e apresentações ao vivo desde que a pandemia deu às caras e proibiu a manifestação presencial de artistas. No ano de 2020, foram realizados oito projetos. Neste ano, até o momento, cinco apresentações já foram agendadas.

 

Um dos últimos trabalhos apoiados pelo CCS foi a bem-sucedida primeira edição do festival  “Horizonte de Histórias”, que, por três semanas de fevereiro, levou mais de duas mil pessoas para o Canal YouTube/Instituto Cidade Céu. “Esse apoio foi fundamental para o sucesso do Horizonte de Histórias, porque o Complexo Cultural Samambaia tem um teatro, com luz e som, o que garante qualidade para as gravações”, destaca Miriam Rocha, contadora e produtora do evento.

 

O artista ou grupo cultural que quiser fazer uso do espaço deve encaminhar e-mail para gccs@cultura.df.gov.br. De acordo com a gerente do complexo, Suellen Christine Rodrigues Sousa, a solicitação do espaço, necessariamente, precisa ser realizada com, no mínimo, 10 dias de antecedência da realização do projeto.

 

“Considero fundamental apoiar os artistas que buscam o espaço para realizar as atividades. Sabemos das dificuldades que o setor cultural encontra no momento e é gratificante contribuirmos para que a cultura continue se desenvolvendo independentemente do formato que está sendo realizada”, apoia a gestora.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br

 

 

 

 

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