Governo do Distrito Federal
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30/07/12 às 14h37 - Atualizado em 13/11/18 às 14h37

Espaço Renato Russo: um centro gerador de cultura e formação de artistas

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Uma corrente presa no arco de ferro do teatro Galpão, no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 sul, é a ferramenta de trabalho do acrobata Daniel Lacourt.

Dependurado nela, o artista se contorce, sobe, desce, fica de cabeça pra baixo. Tudo parece simples. Mas o trabalho é pesado. São necessárias horas de ensaio para que a apresentação ao público seja perfeita.

Daniel faz parte da companhia circense Instrumento de Ver e usa o espaço para os ensaios do espetáculo “O que me toca é meu também”, que estreia no dia 5 de agosto, na sala Martins Pena do Teatro Nacional.

“Pra nós do circo, pro trabalho que a Instrumento de Verdesenvolve, o Teatro Galpão é o de melhor infraestrutura. Todos os espetáculos criados pela Companhia foram ensaiados aqui”, diz o acrobata.

Segundo ele, o Espaço Cultural Renato Russo, apesar de alguns problemas estruturais, continua sendo um centro de iniciação e aperfeiçoamento para os artistas da cidade de diversas áreas como circo, artes plásticas, cinema e fotografia.

Oficinas

As oficinas são outro atrativo do Espaço Cultural Renato Russo. Atualmente, estão abertas inscrições para “Adaptação Cinematográfica”, com Sérgio Moriconi; e “Xilogravura e outros métodos”, com Sylvio Carneiro.

As vagas são de preenchimento livre e atendem qualquer pessoa a partir dos 14 anos. Para fazer a inscrição, basta ir até o local, na 508 sul.

Para agosto, já está confirmada a continuação do curso “Teatrando Montagem” e abertura de novas turmas para iniciantes. Além disso, o espaço receberá o público para as oficinas de “Criação Cênica” e “Leituras Dramáticas”.

O Espaço Cultural

O complexo arquitetônico do Espaço Cultural 508 Sul foi inaugurado em 13 de setembro de 1993. O primeiro edifício que deu origem ao complexo cultural que começou a se estabelecer na década de 70 situava-se num setor destinado ao comércio, com galpões de estocagem de materiais de um lado, pela W2, e área de comércio, atendimento e administração voltada para a W3.

Nesse período, a sede da Fundação Cultural do Distrito Federal (FCDF) era em um dos galpões da 508 Sul. A história do espaço tem início com a ocupação dos galpões por artistas e assessores da FCDF, então sob a direção de Ruy Pereira da Silva.

A FCDF lutou junto à prefeitura do Distrito Federal para incorporar parte do bloco “A” da 508, que então funcionava como seção da Secretaria de Finanças. Nesse espaço, voltadas para a W3, foram instaladas as primeiras galerias. A primeira abre em 1973, com exposição do arquiteto japonês de renome internacional Kenzo Tange.

As galerias B e C são abertas em seguida, e alguns atores começam a ensaiar nessas dependências nas horas vagas. Alguns notam que o galpão da esquina seria ideal para um centro de oficinas e laboratórios. Importantes exposições passam a ser programadas na 508.
Em 1975, o diplomata Wladimir Murtinho toma posse à frente da Secretaria de Educação e Cultura, e fica imediatamente entusiasmado com o projeto da 508 Sul.

Nesse mesmo ano, outra novidade vem marcar o início da ebulição cultural na cidade: a instalação de uma construção em forma geodésica, que passa a ser chamada de Balão de Ensaio.

O Balão, concebido pelo arquiteto Sérgio Prado, com oito metros de diâmetro, destinava-se especialmente à dança e à música, mas também serviu como palco adpara espetáculos de teatro de bonecos e ponto de encontro de artistas plásticos e dos primeiros músicos de rock da cidade.

Experiências

Em 1977, outro desdobramento marcante para a 508 Sul é a implantação do Centro de Criatividade, que passa a compor, com os teatros Galpão e Galpãozinho e as galerias, um centro cultural com programação ininterrupta.

O projeto tem apoio da Unesco, dentro de uma política de “educação permanente através da arte”, abarcando a instrução, a informação e o lazer, e abre frente para uma série de oficinas de artes plásticas e teatro, com instrutores renomados.

Mudanças

A 508 passa por momentos difíceis, até que em 1986 toda a comunidade mobiliza-se para a retomada. O arquiteto Antonio Eustáquio é chamado para repensar o espaço e propõe a fusão dos galpões e a abertura das paredes, possibilitando uma passagem da W2 para a W3.

Em 1993, o Espaço Cultural 508 Sul é reinaugurado, depois de quase quatro anos em obras, com verba da fundação japonesa Mokiti Okada.

Hoje, o espaço está situado no meio da Asa Sul, numa das quadras que – com as 107/108, 507 e 707/708 Sul – formam o quadrilátero da primeira Unidade de Vizinhança, prevista no Plano Piloto do arquiteto e urbanista Lúcio Costa.

É composto pelo Teatro Galpão, sala multiuso, sala de vídeo, sala para cinema, galpão destinado a oficinas, biblioteca, mezanino e espaço para laboratório e escritórios de administração.

Nomes que dão sentindo aos espaços

Rubem Valentim
Nascido no mesmo ano da Semana de Arte Moderna, em 1922, o baiano de Salvador Rubem Valentim foi um autodidata que não tardou a se tornar mestre. Construtivista, ritualista, luminoso, causou impacto nas bienais de São Paulo e Veneza. Morou em Roma e residiu vários anos em Brasília, onde foi artista influente e polêmico. Vários espaços da cidade apresentam a marca de Rubem Valentim em painéis, esculturas e quadros. Faleceu em 1991, em São Paulo.

Parangolé

Gíria carioca dos morros na década de 50. Ganhou notoriedade no mundo das artes com o artista plástico Hélio Oiticica. Inicialmente eram esculturas móveis ou simplesmente tecidos com os quais o artista fazia composições em modelos populares. O Parangolé número 1, que deu origem a uma série, é uma peça em lamê prateado, confeccionada com gaze e outros materiais, no jeito de corpo da malandragem carioca, hoje brasileira. Os parangolés são bandeiras tupinambás de atual e universal antropofagia.

Marco Antônio Guimarães

Curador de cinema, pesquisador e poeta, Marco Antônio Guimarães, mineiro de Abaeté, trabalhou muitos anos na Fundação Cultural do Distrito Federal, onde foi um dos principais responsáveis pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e organizador do Encontro Nacional de Escritores, além de programador do Cine Brasília. Trabalhou na pesquisa da série “Os Pioneiros”, de Tânia Quaresma, para a TV Nacional. Marco Antônio publicou o livro de poemas “Espaços: no Jardim”, em 1973, e deixou inédito “Jejuns do Coração”, também de poemas. Faleceu em 1995.

Darlan Rosa

Nasceu em Coromandel, Minas Gerais. Mora e trabalha em Brasília desde 1967. Artista multimídia, Darlan atuou na televisão como produtor, diretor e apresentador de programas infantis, na TV Brasília. Titio Darlan contava e desenhava histórias. Ilustrou vários livros infantis, publicados no Brasil, Japão e Inglaterra; e criou, para o Unicef do Brasil, o Zé Gotinha. Darlan é também artista plástico reconhecido, com exposições por vários países. Entre suas exposições destaca-se série de esculturas em metal.

Ethel Dornas

Mineira de Araxá, nascida em 1922, Ethel Dornas veio para Brasília acompanhando o marido, Francisco Colen Dornas, funcionário da Novacap. Pioneira, formou-se em Biblioteconomia pela UnB e ingressou na Fundação Cultural em 1962, onde atuou até 1993, quando se aposentou. Na Biblioteca da Fundação, leitora incansável, conheceu profundamente a história de Brasília e sua cultura. Cada consulta era respondida com atenção. Ninguém ficava sem resposta. Se não tinha explicação, pesquisava até obter resultado satisfatório. Por isso, Tia Ethel tornou-se símbolo de informação e dedicação.

Os Espaços

Praça Central

A Praça Central se abre com muitas luz e ventilação para todo o espaço. Há duas entradas: uma pela W2 e outra pela W3. Lá, encontram-se a Galeria Darlan Rosa, bilheteria, sala de informações e um pequeno mezanino que dá acesso à Gibiteca. Ainda pela Praça se chega a todos os pontos da 508.

Teatro Galpão

Surgiu em 1974. Existiam dois galpões que funcionavam como depósito. O arquiteto Mauro Bonde, da Universidade de Brasília, criou o espaço que foi construído em um mês. A primeira peça, especialmente montada para ocupar o teatro de arena, foi sucesso de público e crítica; ‘O Homem que Enganou o Diabo e ainda Pediu o Troco’, de Luiz Gutemberg, seria a primeira produção de teatro coletivo e independente a se fazer na cidade, com grande elenco de atores profissionais e amadores. A partir daí, uma sequência de estréias revelou nomes de atores e diretores da cidade como Dácio Lima, Humberto Pedrancini, Hugo Rodas, Ricardo Torres, entre outros.

Sala Multiuso

Com capacidade para 180 pessoas, a Sala Multiuso é destinada a espetáculos e ensaios de dança e teatro, conferencias e performances.

Sala Marco Antônio Guimarães

Com 140 lugares e palco italiano para exibição de filmes e montagens de shows e teatro. A curvatura do teto se ajusta às corretas necessidades da acústica, permitindo uma projeção perfeita da voz de cantores e atores. Ideal para eventos, como o festival dos grupos de teatro de escolas.

Teatro de Bolso

Destina-se a mostras de vídeo, palestras, projeção de slides, leituras dramáticas, debates, seminários e ensaios cênicos. Tem capacidade para 66 pessoas, com poltronas não-numeradas e palco curvo em tábua corrida. Não dispõe de urdimento, coxia, iluminação cênica e sonorização.

Galeria Rubem Valentim

Tem uma área de 240 metros quadrados. O nome da galeria, a maior do espaço, foi sugerido pelo artista plástico Wagner Barja, que também deu nome à Galeria Parangolé, inspirado no objeto-criação de Hélio Oiticica. Recomendada para médias e grandes exposições, com uma interessante vitrine aberta para a W3.

Galeria Darlan Rosa

Ideal para exposições de fotos, desenhos e gravuras. Localiza-se na Praça central.

Galeria Parangolé

Com área de 115 metros quadrados, ao lado direito de quem entra na 508 pela W3 Sul. Ótima para pequenas e concentradas exposições. Também tem uma vitrine voltada para a W3.

Gibiteca

Localizada no mezanino da Praça Central, a gibiteca tem um acervo de três mil exemplares, com destaque para a coleção de mangas, quadrinhos nacionais e internacionais, revistas de arte, vídeos e desenhos animados, posters e pranchas de ilustração, fanzines de todo o Brasil, livros técnicos sobre desenho.

Musiteca e Estúdio de Som

A musiteca da 508 Sul foi idealizada por Marta Benévolo, então diretora da 508 Sul, no inicio de 1999 e implantada definitivamente em abril de 2001, estimulada com a aquisição do acervo de discos de vinil vindos da discoteca da Rádio Cultura.

Galpão das Artes

Lugar das oficinas de artes plásticas nos mais diversos modos, estilos e técnicas. Tem espaço físico de 1.020 m², pias em inox de quatro metros e meio, tanques, mezanino para mesas de aula ou reuniões e instrumentos.

Espaço Cultural 508 Sul: 3443-6039
Horário de Visitação: Todos os dias das 9h às 18h.
E-mail: 508sul@gmail.com


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