Governo do Distrito Federal
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21/06/12 às 13h23 - Atualizado em 13/11/18 às 14h37

Em linguagem ousada, Ópera Carmen mistura elementos culturais do século XIX ao século XXI

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Um pedaço de bambu delicadamente ornado com tiras de tecido colorido se transforma, em poucos minutos, em uma bandarilha. O objeto é confeccionado artesanalmente pelas mãos de Tatiana Estrella. A aderecista e arte-educadora está entre os “operários da arte” que, na coxia do Teatro Nacional Cláudio Santoro, preparam os últimos detalhes cênicos para a apresentação da Ópera Carmen, do francês Georges Bizet.

O movimento é intenso. Enquanto uns preparam as peças e pintam os objetos, outros levantam e montam os cenários. Tudo para tirar do papel o que Francisco Mayrink chama de “cinco leituras em um só espetáculo”.

Mayrink é o diretor geral da Ópera Carmen. Segundo ele, a montagem foi idealizada de uma forma totalmente nova, mas respeitando a originalidade do clássico de 1875. O século XXI será representado pelo minimalismo do cenário, que nada mais é do que uma valorização do espaço cênico em contraste com o clássico do figurino.

A globalização, tão em voga no século XX, é representada pela tonalidade entre as roupas usadas pelo coro e pelo balé. “É uma representação do mundo como ele é hoje. Todas as pessoas têm um celular, um pen-drive, um Iphone”, destaca o diretor geral.

O cubismo é a terceira leitura destacada por Francisco Mayrink na montagem de Carmen. A referência ao movimento que teve o pintor espanhol Pablo Picasso entre os fundadores está presente em todo o cenário. Ocupando praticamente o palco inteiro da Sala Villa-Lobos, peças grandes e pequenas se destacam pela forma geométrica (marca do cubismo) simples com que foram desenhadas.

As roupas de época usadas pelos personagens é a quarta leitura concebida por Francisco Mayrink. Uma clara referência a outro movimento que marcou a cultura universal: o Romantismo, que surgiu no século XVIII e se destacou no século XIX.

Por fim, o palco e o piso em cor branca representam o etéreo da montagem. Segundo o diretor da Ópera Carmen, “para passar a ideia de levitação que se dará com a movimentação do balé.” A esse cenário se junta o grupo de crianças que se vestem de branco. Nas palavras do diretor, “para simbolizar a inocência perdida nos dias de hoje.”   

O cenário Criado pelo cenógrafo Hilquias Scárdua,     o cenário minimalista também foi pensado para desconstruir a imagem elitista que a ópera acabou ganhando ao longo dos tempos. Scárdua faz questão de destacar que a origem da ópera é puramente popular e que, por isso, a montagem que será apresentada no Teatro Nacional ganhou contornos populares também. Um exemplo, segundo ele, é a rampa montada bem no centro do cenário. “Ela pode fazer com que um skatista, por exemplo, se identifique imediatamente com o ambiente da ópera.”

Os ensaios

Da sala de ensaios do Teatro Nacional ecoam as vozes que darão vida aos personagens criados por Georges Bizet. É lá que tenores e solistas repetem exaustivamente as cenas de Carmen. Tudo acompanhado pelo olhar atento do diretor de cena, Raphael Gustavo. É ele que orienta cada gesto, cada marcação. Tudo para que o público possa incorporar a proposta da levitação e se integrar à magia da ópera.

Em tempo: As bandarilhas são os espetos enfeitados e depois cravados nos touros durante as touradas. As peças compõem o quarto ato da Ópera Carmen.

Por dentro de Carmen

A ópera em quatro atos do compositor francês George Bizet estreou em 1875, em Paris. Nessa história, a cigana Carmen, o soldado José e o toureiro Escamillo formam um triângulo amoroso baseado em amor, ciúme doentio e morte. Na montagem para o festival, Luisa Francesconi estreará no papel de Carmen, que também terá Mere Oliveira como intérprete. O italiano Raffaele Sepe e Jean Nardoto darão vida a Dom José. O toureiro Escamillo será feito pelo brasiliense Leonardo Neiva e Micaela será interpretada por Patrícia Mello e Della Henry. O elenco conta ainda com 60 vozes do coral de Brasília.

Serviço

Dias: 21, 22, 23 e 24/06

Horário: quinta, sexta e sábado às 20hs e domingo às 17hs

Solistas: Janette Dornellas, Mere Oliveira, Juremir Vieira, Hélenes Lopes, Leonardo Neiva, Marlon Maia, Patrícia Mello, Della Henry, Érika kallina, Renata Dourado, Joyce Moreira, Hermógenes Correia, Francisco Bento Júnior, Leonardo Páscoa, Gustavo Rocha.

Direção Geral: Francisco Mayrink

Direção Musical e Regência: Maestro Claudio Cohen

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