Governo do Distrito Federal
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8/08/19 às 19h14 - Atualizado em 9/08/19 às 10h05

Educadores em Territórios Culturais trabalham história de Brasília em visita ao MVMC

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Estudantes vão à exposição permanente “Poeira, Lona e Concreto” e assistem a filmes que discutem identidade

 

“Como é que você chega a uma cidade que não existe?” A pergunta da historiadora Karolline Pacheco, mediadora e coordenadora do Projeto Territórios Culturais – parceria entre Secretarias de Cultura e Economia Criativa (Secec) e da Educação – deixou hoje (8) pensativos estudantes da escola Centro de Ensino Médio (CEM) 12 da Ceilândia. A turma participava de uma visita ao Museu Vivo da Memória Candanga e se deteve uns instantes diante de fotos dos operários descendo de “paus de arara” nos acampamentos pioneiros que dariam lugar à capital da República anos depois.

 

Esse não foi o único momento em que os estudantes foram sacudidos de suas certezas: “Quem sabe o dia do aniversário de Brasília?” Antes que os murmúrios se tornassem uma resposta, a professora emendou: “E o aniversário de Ceilândia?”. “A gente luta contra essa noção de que antes de Brasília aqui não havia nada”, ensina Karolline, a bordo de uma segunda graduação em Museologia depois de concluir mestrado também em História e de olho num doutorado na área.

 

Do mesmo modo, aprendem que “pau de arara” também é uma forma de transporte irregular ainda muito utilizada no Nordeste e em outras regiões rurais, que consiste em caminhões com carroceria adaptada para o transporte de passageiros, sem conforto ou segurança.

 

O projeto “Territórios Culturais” é assim. Estudantes da rede pública deixam suas escolas e os conteúdos programáticos previstos para vivenciar experimentos que combinam história, educação patrimonial e visão crítica da realidade. É isso que faz a mediação. Ela instiga estudantes a entender de onde vêm e que caminhos percorreram. As turmas são acompanhadas de professores que conseguem dessa forma dar mais dinamismo ao ensino.

 

Nesta semana, o tema foi cultura nordestina, aproveitando os trinta anos da morte de Luiz Gonzaga, figura fortemente implicada com a origem de Ceilândia, onde a população, descendente de candangos, tem fortes laços com o nordeste do país, do qual vieram para dar realidade ao projeto de JK. Gonzagão, além de nordestino de Pernambuco e músico popular que imortalizou as agruras da seca, esteve presente na construção de capital federal, pois cantava para os candangos na caçamba de caminhões.

 

A semana temática também promoveu o Cine Museu, com curtas e filmes de animação. Os alunos foram assistiram ao “Rap, O Canto da Ceilândia” (Adirley Queirós, 2005, 16 min), que retrata o pensamento crítico da região administrativa.

 

No filme, aprendem que rap pode tanto ser entendido como “música de bandido”, diz Japão, morador local entrevistado pelo diretor, ou “canto de protesto”. Tomam conhecimento também de que Ceilândia, como outras regiões administrativas, foi criada para dar moradia aos candangos.

 

Elisvânia de Oliveira, 17, aluna do CEM 12, disse que achou a visita ao MVMC “legal porque faz a gente pensar”.

 

A docente Maria Ofélia de Oliveira, professora de História da escola acompanhando os alunos, concorda com a importância do projeto. “Eles estão num momento de vida em que a identidade é uma questão. Esse projeto ajuda-os a lidar com isso”, profere.

 

Sara da Rocha, educadora voluntária oficial, também vai nessa direção. “É tudo, né? Dos temas abordados ao lanche coletivo – em que cada um traz uma coisa –, tudo ajuda a amadurecer”, disse em referência ao intervalo para comer sob uma das generosas sombras no local.

 

Antes de embarcar de volta para Ceilândia, três animações ainda aguardavam o grupo do CEM 12: “Patativa” (Ítalo Maia Duração, 2001,10 min), sobre o poeta, cantor e improvisador cearense; “Josué e o pé de macaxeira” (Diogo Pereira Viegas, 2009, 12 min), releitura nordestina do clássico “João e o pé de feijão” e “O Jumento Santo e a Cidade que Acabou Antes de Começar” (William Paiva, Leonardo Domingues, 2007, ‘’ min) sobre as origens do sertão. Nordeste na veia.

 

Na agenda do projeto, já há outras atividades previstas. Na semana que vem é a vez do evento “Brasília – Patrimônio Vivo”. Até o final do mês, serão um workshop, “O trabalho em rede” (29/8), aberto ao público, e o “Festival de Ciências, Tecnologia e Inovação” (30/8), voltado à educação patrimonial.

 

Serviço
Projeto Territórios Culturais
Museu Vivo da Memória Candanga
Coordenação: Karoline Pacheco
Contato: 3301-3590
educativomvmc@gmail.com