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18/12/20 às 22h37 - Atualizado em 18/12/20 às 22h38

Documentaristas brasileiras compartilham vivências e histórias no Festival de Brasília

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Texto: Vanessa Castro. Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

18/12/2020
22:37:00

 

Realizar um dos maiores festivais de cinema do Brasil durante uma pandemia mundial tem sido um desafio hercúleo. Desde o novo formato, que migrou temporariamente devido ao isolamento social para o Canal Brasil e o streaming Canais Globo, até o ataque de hackers com conteúdo pornográfico, homofóbico e racista sofrido durante a realização da mesa Mulheres no Front, na plataforma de videoconferência.

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Remanejada a sala on-line, as diretoras Carmen Luz, Lucia Murat, Emília Silveira e Camila Freitas compartilharam suas narrativas pessoais, que se unem através do cinema político e cinema histórico. A mediação foi de Beth Formaggini.

 

Lúcia Murat, cineasta carioca, vitima da tortura durante a ditadura militar, é autora de obras densas acerca desse período. A mais conhecida talvez seja “Que Bom te Ver Viva”, de 1989, embora tenha integrado a mostra competitiva do Festival de Brasília nas edições de 2000 e 2012 com “Brava Gente Brasileira” e “A Memória que me Contam”.

 

A diretora aguarda o momento propício para apresentar ao público seu mais recente filme “Ana. Sem Título”, que confunde ficção com realidade falando sobre a ditadura latinoamericana. A personagem Ana, uma artística plástica, brasileira e negra é o fio condutor da história. “Nesse filme, os atores também são membros da equipe técnica, é necessário assistir para compreender. O filme é inspirado na peça “Há mais Passado que Futuro”, que trabalha com uma mistura de ficção com documentário e tem um formato road movie”, explica.

 

Com uma carreira consolidada no jornalismo tendo ganhando o Prêmio Esso, Emília Silveira responsável por títulos como “Setenta”, “Galeria F”, “Silêncio no Estúdio”, além de obras para a televisão, falou sobre a tomada de decisão para iniciar uma nova carreira como cineasta. “Eu quis seguir o caminho do cinema. Eu já não tinha idade para ser iniciante em mais nada, mas me aliei a muitas pessoas que faziam cinema há anos. Entre tantas coisas, uma das mais emocionantes foi participar de todos os processos de criação. Ver um filme seu, ali na ilha de edição, sendo montado e nascendo, é uma coisa fantástica”, rememora.

 

Coreógrafa e pesquisadora independente, Carmen Luz vem de uma realidade diferente, quando não se havia mulheres negras ocupando esses espaços de produção. “De onde eu venho, de todos os territórios, corporais, geográficos e físicos a experiência do cinema sempre foi negada para corpos negros, então quando eu tive oportunidade de fazer cinema eu agarrei. Só passei a conhecer cineastas negras brasileiras negras nos anos 2000. No meu trabalho, quero exaltar o protagonismo negro, a nossa identidade é gigante, sinto que o cinema é um catalizador para isso”, desabafa.

 

Filha de Brasília, a diretora de fotografia Camila Freitas também aguarda o momento pós-pandemia para colocar em circulação seu primeiro longa-metragem, o documentário “Chão”, que fala sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) e a luta pelo direito à terra, na Usina Santa Helena, em Goiás, “O cinema possibilita discussões de discussão e de reflexão, o filme vai se transformando é uma obra viva, uma experiência mutante. Nos inserimos da realidade do movimento, acampando, nas barracas para extrair tudo que fosso possível”, diz.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br