Governo do Distrito Federal
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27/02/19 às 19h13 - Atualizado em 27/02/19 às 19h13

Diretor de documentário sobre Brasília fala sobre os encantos da capital

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Peter Bartleby Simpson, que prefere ser chamado Bart Simpson, é o diretor do documentário “Brasília, life after design” (2017) que estreia amanhã (28) no Cine Brasília antes de entrar no circuito de cinemas nacionais e ganhar exibição na telinha pelo Canal Brasil. “O filme é sobre uma cidade que foi projetada para dividir, mas na qual as pessoas lutam para se encontrar”, define o canadense de dois metros de altura, com olhos azuis como o céu da capital na seca.

 

Bart conversou com a equipe da Secretaria de Cultura do Distrito Federal no hall do Cine Brasília e confessou seu amor pelo projeto de Niemeyer e Lúcio Costa desde que pousou pela primeira vez na América Latina, diretamente em Brasília, em 2004, período em que rodou o mundo filmando a obra pela qual é mais conhecido, “The Corporation” (2003).

 

Ele explica que desde então pôs na cabeça que um dia voltaria ao Brasil para contar um pouco do estranhamento que o estrangeiro experimenta ao pisar na capital pela primeira vez. Do projeto inicial do documentário sobre a cidade, que seria muito dependente da participação de Oscar Niemeyer, ele manteve apenas uma parte da ideia original, uma vez que em 2012, quando Bart começou a gravar, o arquiteto estava doente e faleceu em seguida.

 

“Filmes sobre cidades são mostrados de cima para baixo. Eu queria ao contrário, de baixo para cima, a partir das pessoas”, explica o diretor. Essa ideia foi inspirada pelo próprio Niemeyer e está reproduzida no filme: “Eu sempre disse que a vida é muito mais importante que a arquitetura”.

 

Movido por esse pensamento, Bart enquadra o Plano Piloto de elegantes estruturas e generosos espaços pelo olhar de pessoas solitárias, outro marco distintivo da capital na visão do estrangeiro. Carla, uma exímia patinadora, presente no documentário, diz algo nesse tom enquanto desliza etérea pelas pistas improvisadas da cidade. Com amigas, busca encontrar um amor ou um lugar no projeto que JK cismou de fincar no Planalto Central. “Brasília é louca”, diz Carla. “Brasília é fruto da vontade política”, diz Bart. As duas coisas, talvez, admite o diretor.

 

Apesar de o filme mobilizar no espectador que transita pelos eixos um sentimento de estranheza, Bart é otimista para o futuro que talvez tenha sido capturado na utopia de Niemeyer-Lúcio Costa-Burle Marx. “As pessoas que estão nos seus vinte, trinta anos, as idades dos personagens do meu filme, estão inventando modos de viver dentro desse projeto”, vaticina o diretor.

 

O documentário de observação, gênero no qual se insere o trabalho de Simpson, traz dentro de si uma espécie de charada, explica o diretor. “A gente nunca sabe onde as coisas vão dar quando se observa o comportamento humano”, acredita.

 

Bart Simpson tem muito a dizer sobre a capital dos brasileiros. Ele acha que isso se deve a uma empatia primordial. Afinal, o Canadá também é um lugar em construção, perturbado ao sul por uma nação que impõe seus modos de vida.

 

Ele se encantou com o vendedor Willians, que gritava promoções de souvenir para turistas em frente à Catedral Metropolitana. Bart disse que perdeu o contato com ele, ao contrário dos demais personagens. Por uma contradição não planejada, o camelô ganhou relevância no roteiro. Pela sua afetividade, por inventar explicações sobre as intenções de Niemeyer, pela teimosia em buscar a felicidade na cidade que mói os sonhos que não se abrigam em concursos? Bart quer saber. Acha que tem muito a conversar com o público depois da exibição do filme.

 

Serviço

“Brasília: Life After Design”

(Documentário • Canadá / Brasil / Reino Unido • 2017 • 88 min)

Direção de Bart Simpson

Quando: 28 de fevereiro

Onde: Cine Brasília

Horário: Coquetel às 19h, exibição às 20h

Entrada franca