Governo do Distrito Federal
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17/04/12 às 12h40 - Atualizado em 13/11/18 às 14h37

Contadores de histórias chamam atenção das crianças na Bienal do Livro

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Se tem um público que aproveita – e bem – a Bienal do Livro e da Leitura, é o infantil. Formado basicamente por alunos de escolas públicas do DF, esse público agita e dá vida aos espaços montados no gramado em frente ao Complexo Cultural da República.

Não é pra menos. Além de poder comprar livros (a maioria recebeu R$ 40,00 do GDF), as crianças têm à disposição uma série de atividades voltadas exclusivamente para elas.

Uma dessas atividades é a “Roda de Contação de Histórias”. A arena infantil, batizada de Monteiro Lobato, lembra aqueles circos mambembes que ainda circulam por cidades do interior do Brasil. Uma lona, arquibancadas de madeira dispostas em formato de círculo e um palco grande. Tudo montado para resgatar o espírito lúdico que envolve essa fase da vida.

No palco, um homem e um violão. Não tem música. Apenas uma trilha incidental como fundo para os contadores de histórias. Naquele espaço os artistas são eles.

Para atrair as crianças, não precisam de muita coisa. Um figurino simples que remete aos contos infantis é o suficiente. Ali, o que vale são as palavras e os gestos. Esses, sim, explorados sem parcimônia.

A voz forte e bem postada, com nuances interpretativas que variam de acordo com cada personagem da história, atrai os olhos e ouvidos até dos adultos presentes na arena.

Rencontro com o mundo imaginário 

Maristela Papa e o marido William Reis são dois dos responsáveis por dar vida e voz aos textos. Eles são responsáveis também por um projeto que merece todos os aplausos. Foi da luta quase silenciosa dos dois (uma contradição quando se fala de pessoas que trabalham com a palavra falada) que a Câmara Legislativa do DF aprovou uma lei criando a Semana do Contador de Histórias. O evento acontece sempre entre a última semana de Julho e a primeira de agosto. “A semana homenageia o pesquisador Luiz da Câmara Cascudo, um estudioso do folclore brasileiro, que morreu no dia 30 de julho de 1986”, afirma Maristela.

O trabalho dos dois, no entanto, começou bem antes. Há dezesseis anos, na comunidade rural de Taguatinga, eles fundaram a “Associação Amigos das Histórias”. De lá pra cá foi ocupando espaços e hoje atua em todas as cidades do DF. Em 2011 a caravana de contadores de histórias visitou 56 escolas em apenas três dias.

Além disso, o casal viaja pelo país disseminando seu ofício. E sem apoio algum. O que vale é só a vontade de levar a arte da literatura falada para o maior número de pessoas possível. A última visita foi a uma cidade do interior do Maranhão. “Os olhos das crianças brilham. É muito bom ver e sentir isso. A hora da história é a hora do reencontro com o mundo imaginário”, conta uma emocionada e persistente Maristela Papa.

A resposta das crianças parece ser mesmo o bálsamo de quem vive a contar histórias. Rita de Cássia Silva, nove anos, aluna da Escola Classe 44 de Ceilândia, ouviu e assistiu a tudo atentamente. “Eu gosto de ouvir as histórias porque entram na imaginação da gente. A gente vive outro mundo. Se eu pudesse escolher, ia viver no mundo de Cinderela.”

Ouvir essas palavras é tudo que Maristela Papa, William Reis e tantos outros contadores de histórias querem para seguir em frente. E não é história pra boi dormir!

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