Governo do Distrito Federal
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6/05/14 às 19h07 - Atualizado em 13/11/18 às 14h45

Congresso celebra vida e obra de Glênio Bianchetti

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Artista plástico foi homenageado nesta terça (6) em sessão solene

O artista plástico Glênio Bianchetti, falecido em fevereiro deste ano, aos 86 anos, foi homenageado em sessão solene do Congresso Nacional nesta terça-feira (6).

Considerado um dos nomes grandes nomes da arte brasileira contemporânea, ele foi elogiado por parlamentares, amigos e admiradores. A cerimônia, no Plenário do Senado, contou ainda com a presença de sua esposa, Ailema de Bem, filhos e netos, e do secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira.

Nos depoimentos, um ponto comum foi o reconhecimento não apenas dos múltiplos talentos de Bianchetti, mas também de sua dimensão humana, sua visão social e sua coragem.

Um dos fatos citados foi seu pedido de exoneração da Universidade de Brasília, onde ingressou em 1962, compondo o grupo de professores mobilizados pelo fundador Darcy Ribeiro. Mesmo com seis filhos para criar, Glênio optou por sair, em solidariedade a colegas cassados pelo regime militar.

“Ele foi um inconformado, uma qualidade que – temos de reconhecer – falta muito hoje em dia, quando as pessoas se acomodam por crerem que não podem mudar as coisas”, afirmou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que propôs a homenagem.

O deputado Marco Maia (PT-RS), que é de Bagé, município gaúcho onde também nasceu o artista, em 1928, observou que luz e cores eram elementos destacados nas telas do artista, na qual “revelava sua paixão pelos seres humanos”.

“Apesar de não estar mais entre nós, esse sensível artista vive em suas obras e nas lembranças de todos que se emocionam com sua arte”, disse Maia.

Durante as homenagens, foi ressaltado que Glênio era um artista completo, sendo mesmo apontado como “gênio”, dada a diversidade de expressões artísticas que explorou. Além de pintor, ele foi gravador, ilustrador, tapeceiro e desenhista.

À mesa, além da espoca de Glênio, se sentaram também os ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence e Carlos Ayres Britto, amigos do artista.

Para o secretário de Cultura, Bianchetti era o “mais importante artista vivo” e, com sua morte, “Brasília pede o silêncio de todos”.

“Morreu a mão do arco-íris, Glênio Bianchetti. A dignidade do traço e do talento leva consigo as alvoradas que não pode pintar”, afirmou o secretário.

Carreira

Glênio começou sua carreira ainda em Bagé, como autodidata. Já em Porto Alegre, para onde depois se transferiu, ele participou da fundação do clube de gravura da capital, junto a grupo de artistas que cultivavam uma produção socialmente engajada, tratando das classes mais pobres, do trabalho e dos costumes sociais.

Em Brasília, foi um dos responsáveis pela criação do ateliê de arte e do setor gráfico da UnB. Também colaborou na criação do Museu de Arte de Brasília, na década de 1970. Em 1988, após a redemocratização, ele foi reintegrado e voltou a lecionar na UnB.