Governo do Distrito Federal
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13/03/20 às 12h04 - Atualizado em 13/03/20 às 12h13

Conexão Cultura DF – Artistas levam grafite para o mundo por intermédio do programa

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Linha de incentivo da Secec leva grafiteiros do Distrito Federal para eventos internacionais sobre arte urbana

 

Democracia e liberdade de expressão são duas características da arte urbana. Para o artista do grafite, suas obras não precisam ter padrão, hora marcada, momento certo ou reserva de espaço. Boa vontade e criatividade são as principais características dos grafiteiros do Distrito Federal.

 

Em um esforço de valorização da arte urbana dentro e fora do Brasil, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) consegue levar o grafite local a várias paredes do mundo. O Programa Conexão Cultura DF, comandado pela subsecretaria de Economia Criativa, funciona como uma ferramenta de incentivo, capacitação e difusão da arte do DF em diversos lugares do mundo, com o intuito de inserir a produção artística e cultural de Brasília em eventos internacionais.

 

Um dos resultados efetivos deste programa é a garantia de participação de grafiteiros do Distrito Federal em eventos globais sobre o tema. Há dois anos consecutivos, o programa seleciona delegação de artistas para irem a Montreal, no Canadá, fazer parte do “Mural Festival”, evento que celebra o movimento internacional de arte urbana. O Festival é um importante encontro da comunidade artística global, reunindo músicos e artistas visuais de nível mundial.

 

O último edital de chamamento público, de 2019, reuniu os profissionais de artes visuais do DF para uma celebração cultural no coração de Montreal, no Boulevard Saint-Laurent. Na ocasião, os grafiteiros coloriram fachadas de edifícios, estradas, estacionamentos e espaços públicos. Além de ocupar a cidade, a delegação brasiliense trocou experiências com artistas internacionais, formando uma delegação mundial de arte urbana.

 

A subsecretária de Economia Criativa, Érica Lewis, que gerencia o Conexão Cultura, tem buscado contemplar cada vez mais projetos, em segmentos diversos. “Ano passado foram beneficiadas ações em áreas diversas da economia criativa, como gastronomia, por exemplo, ampliando o leque das atividades culturais”, explica.

 

Ao longo de seis edições de sucesso, o Mural Festival transformou Montreal por meio da regeneração de bairros, tornando a cidade como um destino turístico final, e também referência para a arte urbana contemporânea, sendo modelo para o encontro do Grafite, que este ano terá sua 4° edição.

 

Um dos grafiteiros selecionados para o evento do ano passado, Rafael dos Santos, conhecido artisticamente como ODRUS (“surdo” de trás para frente), relata sua oportunidade em expressar sua arte, pela primeira vez, fora do país. “Além dos contatos com outros artistas de vários países, o intercâmbio possibilitou uma grande troca de experiência, contribuindo para minha evolução artística”, completa.

 

ODRUS, que nasceu com surdez profunda, foi um dos pioneiros do grafite na Região Administrativa de Santa Maria (DF). Ele atua, principalmente por meio da arte visual, em projetos de inclusão social de pessoas com deficiência. Com seu estilo e paixão pela arte, vislumbrou a possibilidade de trabalhar temas como inclusão social por meio de suas obras de arte.

 

O artista também ressaltou a importância dessa interação entre os artistas do mundo inteiro, e também da inclusão e da acessibilidade em todos os espaços. “A viagem para Montreal foi enriquecedora não só para o meu trabalho profissional, mas também para a promoção da cultura do DF” conta.

 

Outro nome brasiliense da cena do grafite, participante da delegação do Conexão em 2019, Juliana Borgê, enfatiza que a participação em eventos de grande porte, com a presença da comunidade internacional e de grandes nomes do cenário mundial, permitiu a vivência e experiência sob diversos pontos de vista. “Festivais como este permitem observar as possíveis soluções para aplicação da arte urbana em eventos locais, favorecendo uma melhor experiência de difusão do cenário no Distrito Federal”, relata.

 

Borgê também reforçou o ganho científico, de natureza singular, adquirido em festivais mundiais sobre a linguagem das artes urbanas, além do conhecimento adquirido com a finalidade de ser replicado na comunidade do DF. “Neste festival, também pudemos executar estudos de casos sobre obras específicas da arte contemporânea que são referências mundiais da arte no espaço urbano e nos museus”, celebra.

 

Foto: Loane Bernardo – Secec-DF