Governo do Distrito Federal
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18/03/13 às 17h15 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

Concerto de Gala da OSTNCS com Maestro Tiago Flores

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A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, sob a regência do maestro convidado Tiago Flores, realizará grande concerto de gala nesta terça (19/03), às 20h00, na sala Villa Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro. No programa: Abertura Coriolano de Ludwig van Beethoven; Concerto para Trompete e Orquestra de Joseph Haydn, tendo como solista o trompetista Enrique Sanchez; e encerrando o concerto teremos a apresentação da Sinfonia Brasileira de Arthur Barbosa. A entrada é franca obedecendo-se a ordem de chegada do público.

Programa:


Abertura Coriolano – Ludwig van Beethoven 
Concerto para Trompete e Orquestra – Joseph Haydn
Solista – Enrique Sanchez (Trompete)
Sinfonia Brasileira¬- Arthur Barbosa
Regente convidado: Tiago Flores

Ludwig van Beethoven – Abertura Coriolano

Coriolano foi escrita por volta de um ano após Beethoven escrever Leonore III. Pertence ao mesmo período do Quarto Concerto para piano, do Concerto para Violino e do Quarteto de Cordas Razumovsky. Foi escrita para servir de abertura a uma tragédia, do mesmo nome, do jurista e poeta Heinrich-Joseph von Collin, secretário civil do imperador da Áustria, baseada na vida do general romano Gaius Marcius Coriolanus. Alguns jornais da época mencionam apresentações privadas da obra na casa do Príncipe L., que poderia ter sido o Príncipe Lobkowitz ou o Príncipe Lichnowsky. Ambos eram patronos e amigos de Beethoven. Alguns historiadores admitem a possibilidade dessa obras terem sido tocadas em ambos os palácios. A cena acontece no contexto de um conflito entre Coriolano e Volumnia.

O general rebelde estava ansioso por vingar as injustiças que lhe foram impostas e sua mãe clama por perdão. O general Coriolano é inimigo de sua pátria, chefe de uma facção patrícia e depois do exército dos Volscos, que consegue humilhar o senado romano e que só cede mediante as súplicas de sua mãe e de sua esposa, vindo a perecer como traidor, sob os golpes de seu exército revoltado. A obra foi escrita em 1807 e a sua primeira apresentação foi no mesmo ano em Viena. Possui uma estrutura semelhante ao que chamamos hoje de Poema Sinfônico. É formada por dois temas, sendo que o tema inicial representa a índole rude do general Coriolano e o segundo representa o seu rival Volumnia. A tonalidade de dó menor freqüentemente é utilizada por Beethoven para indicar a rebelião apaixonada. O sentimento de furor, raiva está presente na obra com os fortes acordes que são apresentados no início.

Beethoven está tão obcecado com a descrição dos eventos que deixa de optar pela forma sonata. Na Coda, ouvimos o tema de Volumnia implorando pela terceira vez a seu filho, e aqui a mudança de tonalidade mostra a sensação de desesper vinculado ao momento em que Volumnia é vencido. Finalmente o tema da abertura retoma a tonalidade de dó menor, mas a truculência se dissolve para ser substituída pela nulidade sem esperanças quando Coriolano percebe que qualquer ato de misericórdia significará sua morte. Além de inspirer Beethoven, vida do general Coriolanus influenciou também a criação da peça teatral homônima de William Shapespeare, em que, diferentemente do final do Von Collin e Beethoven, Coriolanus se mata.

F. J. Haydn – Concerto para Trompete

Haydn compôs apenas um concerto para trompete, datado de 1796. Foi dedicado ao trompetista da orquestra de Viena Anton Weidinger, que desenvolvera oprimeiro trompete que possibilitava ao músico uma execução diatônica e cromática. Antes da criação de Weidinger, o trompetista podia apenas emitir sons correspondentes a uma determinada série harmônica, limitando-se a pequenos trechos musicais. A partir de 1500 já se conhece sobre obras escritas para o trompete, mas o instrumento até o momento não possuía todos os recursos técnicos, limitado de realizar as modulações, sendo necessária a construção do sistema com tubos.

Até 1750, as notas produzidas pelo trompete eram restritas à série harmônica. Com a vibração dos lábios, o som produzido pela coluna de ar dentro do instrumento produzia a séria harmônica de um som gerador. Para obter novas séries foram realizadas varias experiências nas quais resultariam no desvio do ar dentro do instrumento. Em 1793, Wendinger começa a desenvolver o trompete de chaves. Ele produzia a escala de Eb, G e Bb, mas deveria ser tocado numa região grave, possibilitando o uso do cromatismo dando um grande avanço tecnológico em relação aos demais. Anton Wendinger executou essa peça em público apenas em 28 de março de 1800 no Imperial Royal CourtTheatre.

O concerto para trompete em Eb foi o último concerto composto por Haydn.A estrutura do primeiro movimento remete à forma sonata, com os dois temas exposto, um pequeno desenvolvimento e reexposição. O segundo movimento, um andante em compasso composto de 6/8, apresenta um tema em Lá Bemol Maior com uma pequena sessão de contraste em menor e a volta ao tema em Lá Bemol Maior. O Movimento teria, assim, uma pequena forma de A-B-A.Por fim, Haydn, escreve no terceiro movimento um rondó com um tema agradável e de fácil assimilação. Sua estrutura é uma sonata de forma Rondó.

Arthur Barbosa – Sinfonia Brasileira

A Sinfonia Brasileira, do compositor cearense, radicado no Rio Grande do Sul, Arthur Barbosa, retrata, de uma forma bastante resumida, todo um passeio por um país de ritmos e cores que, certamente, possui uma das músicas mais diversas em todo o planeta. Ela também é atemporal e não tem a intenção de classificar ou mesmo separar, mas sim de unir todos estes elementos numa só obra onde são apresentados às vezes de forma séria, às vezes de forma burlesca e até mesmo de forma dramática no que cada movimento se apresenta como uma pequena suíte representando determinada situação. No primeiro movimento é explorada a verve musical que representa basicamente o centro do país; ouve-se a o ritmo e a harmonia da Bossa-Nova que rapidamente transforma-se num Chorinho, ritmos que são irmãos do Samba que é retratado posteriormente; em contrapartida e até de forma divertida, ouve-se o toque do Maxixe, que é avô de todos os ritmos citados acima. Todo o movimento é uma espécie de brincadeira com melodias e ritmos que se misturam constantemente.

O segundo movimento faz a vez do Scherzo de uma sinfonia tradicional e é uma junção de Maracatu, ritmo de origem africana característico do litoral da região Nordeste, mesclado a um tema que lembra a música Caipira e, até mesmo, temas de origem Indígena. Logo em seguida apresenta-se um Frevo (espécie de marcha muito rápida) em forma de fuga e num grande crescendo de timbres.Volta o Maracatu agora um pouco mais complexo onde culmina de forma mais dramática para depois recomeçar o Frevo, agora com mais contracantos e temas sobrepostos. Uma breve coda finaliza o movimento onde reaparece o motivo anunciado pelas trompas no início do próprio.

No terceiro movimento, que é o movimento lento da sinfonia, viajamos ao sul do Brasil onde um tema em forma de Milonga (ritmo parente próximo do tango argentino) é o motivo principal que é apresentado de maneira suave e às vezes dramática. Em outros momentos ouve-se uma Rancheira, que é um ritmo mais dançante também muito característico da cultura regional dos pampa.

O quarto movimento é um Finale onde o tema principal é um Baião, ritmo muito peculiar a uma região mais agreste no interior do nordeste, além de fazerem-se presentes também situações que lembram outros ritmos oriundos da mesma região como as Cavalhadas; ouve-se neste movimento às bandas de pífanos (pequenas flautas rústicas de madeira , típicos instrumentos de sopro indígenas) e também o som das rabecas (violinos feitos e tocados de forma rústica).A zabumba, que é um tambor muito característico do baião, é aqui representada pelo bumbo com intervenções peculiares ao instrumento. O final é grandioso e, de forma simbólica, representa a própria força da música deste país–continente, uma música que há muito tempo tem encantado ao planeta e, a meu ver, continuará encantando.

Trompete – Enrique Sanchez

Natural de Niterói – RJ, iniciou seus estudos musicais aos 14 anos na tradicional Banda Sinfônica do Colégio Salesiano Santa Rosa (Niterói-RJ). Com ela, entre diversas premiações, em 1992, conquistou o primeiro lugar no II Jugendmusik Festival, na Suíça.
Graduou-se em Música – Trompete UFRJ 1999, classe do professor Dr. Luís Cláudio Engelke e aperfeiçoou-se na UNI-RIO com o professor Dr. Nailson Simões (1998 a 1999). Licenciou-se em música pela Universidade Católica de Brasília em 2005. Cursou vários festivais de música com renomados professores – Campos do Jordão (Festival de Inverno); Curitiba (Festival de Inverno); Brasília (Festival de Verão); Belo Horizonte (I Encontro de Trompetista da OMB/CRMG- Prof. Dr Charles Schlueter );International trumpet guild,Universidade de Richmond – Virginia USA e Conservatório de Música Purchase College, Universidade do Estado de Nova York.

Atuou como solista no concerto para dois trompetes, cordas, cravo, e baixo contínuo em C maior na Orquestra Sinfônica Municipal de Goiânia, 1993 e na Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, Brasília-DF, em 2004 e 2009. Concerto J. Haydn para trompete e orquestra em Eb maior com a Orquestra
Sinfônica da Escola Nacional de Música (UFRJ) em 1998. Também como músico convidado da Orquestra Sinfônica Brasileira e Orquestra Sinfônica Nacional (UFF). Foi semifinalista do II Concurso Nacional Talentos da Rádio Mec (RJ), no ano de 1997. Lecionou na Escola de Música de Brasília nos anos de 2003 e 2004 como professor por contrato temporário e na UnB como professor substituto em 2005 e 2006. Desde fevereiro de 2000, é trompetista da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, Brasília (DF), foi aprovado no concurso interno para exercer o cargo de solista no ano de 2009.

Maestro Tiago Flores

Graduou-se em Regência pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob a orientação do Maestro Arlindo Teixeira, onde também estudou Composição com o Prof. Flávio Oliveira. Fez curso de especialização em Regência Orquestral em São Petersburgo, na Rússia, sendo aluno do Maestro Victor Fedotov. Participou de diversos cursos, oficinas e festivais, tendo como professores o maestro alemão Kurt Redel e o Maestro Lutero Rodrigues, dentre outros.

Foi vencedor do Concurso Jovens Regentes promovido pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Participou como professor de Regência Coral de vários cursos e painéis promovidos pela Federação de Coros do Rio Grande do Sul. Foi Professor no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), nas disciplinas de Regência Coral e Arranjos Vocais. Ocupou o cargo de Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre entre os anos de 1999 a 2001. Neste período criou o projeto Ouviravida que visa atender crianças e jovens das classes menos privilegiadas através do ensino da música. Como regente convidado, já atuou frente a orquestras do Brasil, Itália, Áustria, Venezuela, México, Uruguai e Lituânia. Em 2005 recebeu o prêmio “ Melhores da Cultura 2005” concedido pela Secretaria de Estado da Cultura – RS . Como diretor musical do filme “Sal de Prata” foi vencedor do prêmio de “Melhor Música” no Festival de Cinema de Maringá – PR. Tiago Flores tem se destacado como incentivador da nova música brasileira, tendo feito a estréia mundial de diversas obras de compositores brasileiros.

A frente da Orquestra de Câmara da ULBRA desde 1996 recebeu o prêmio açorianos de melhor CD instrumental em 2005. Em 2008 recebeu o prêmio de “Melhor Espetáculo do Ano” com o show “Beatles – Magical Classical Tour”. Em turnê pela Argentina o conjunto recebeu do jornal La Nación crítica extremamente positiva destacando que a orquestra “alcançou um nível de excelência a serviço do repertório clássico e da frondosa literatura musical do país irmão(Brasil)”, e sintetiza :”Nuestra opinión: excelente”. Ocupa o cargo de diretor artístico da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) desde 2011.