Governo do Distrito Federal
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11/03/13 às 13h58 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

Concerto de Gala da OSTNCS homenageia Georges Gershwin

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A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, sob a regência do maestro titular Cláudio Cohen, realizará grande concerto de gala no próximo dia 12 de março, terça-feira, às 20h00, na sala Villa Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro, em homenagem ao compositor norte americano Georges Gershwin. No programa: Abertura Cubana, Um Americano em Paris, Suíte Porgy and Bess e Rapsódia in Blue, todas de autoria Gershwin. A obra Rapsódia in Blue, terá como solista o pianista Álvaro Siviero. A entrada é franca obedecendo-se a ordem de chegada do público.

Programa: 

Abertura Cubana – Georges Gershwin

Rapsódia in Blue – Georges Gershwin

Solista – Álvaro Siviero (Piano)

Americano em Paris – Georges Gershwin

Suíte Porgy and Bess ­- Georges Gershwin

Regente titular: Claudio Cohen


Abertura Cubana

 

George Gershwin (1898-1937), o mais admirado compositor americano, passou férias em Havana em 1932. De volta a New York compôs a “Abertura Cubana”, que durante muito tempo foi conhecida como “Rumba”. A Abertura Cubana é uma peça para orquestra bastante curta, concebida originalmente para piano. A descoberta dos instrumentos de percussão cubanos, porém, fez com que Gershwin refizesse a partitura. O compositor explora de tal forma os efeitos sonoros dos diferentes instrumentos do folclore cubano – principalmente as maracas e os bongos -, que seu estilo chega a ficar irreconhecível. A estréia da obra – em 16 e agosto de 1932, com a New York Philarmonic, sob a regência de Albert Coates – foi um sucesso. Embora tenha caído no gosto popular americano, a peça não conquistou o público europeu.

 

Rapsódia in Blue

 

A Rhapsody in Blue é uma obra que combina elementos de música clássica e do jazz. Em 1924, a convite do maestro Paul Whiteman, Gershwin concebeu sua composição mais celebre. O artista hesitou muito devido a polêmica que seu estilo, misturando elementos de jazz e música erudita, já vinha causando desde seu primeiro sucesso, a canção Swanee interpretada por Al Jonson no musical Simbad. Mas apesar dos receios aceitou a tarefa. Daí nasceria a famosa Rhapsody in Blue. As discussões em torno da obra só seriam superadas pelas da ópera Porgy and Bess onde o autor aborda temas raciais de forma radical para a época. Na primeira apresentação pública de Rhapsody in Blue estavam presentes como ouvintes nomes como Stravinsky, Rachmaninov e Leopold Stokowski.

 

 Um americano em Paris

 

Apesar do título sugerir uma obra descritiva, Um Americano em Paris é um poema sinfônico, segundo o próprio Gershwin, que justifica-se: “Meu propósito é o de apresentar as impressões de um americano visitando Paris. Enquanto passeia pela cidade, presta atenção aos ruídos das ruas e se impregna do ambiente parisiense… não tentei em absoluto evocar cenas determinadas… cada ouvinte pode encontrar aqui os episódios que sua imaginação sugerir.” A peça inicia com vários temas que sugerem um passeio por Paris. O “americano”, turista assumido, desce o Champs-Elysées e vai sentar-se na mesa de um bar do Quartier Latin. Neste trajeto, guarda várias impressões: uma briga de taxistas (para a qual Gershwin exigiu verdadeiras buzinas de automóvel), cujas buzinas são geralmente representadas pelos trompetes; suas andanças sem destino na frente dos teatros de music-hall, evocadas em uma canção popular executada pelo trombone; um flerte imaginário durante um passeio pela margem esquerda de Paris, representado por um diálogo entre a clarineta e o violino, em solos alternados. O tom é nostálgico, numa transição para o blues, como se o americano sonhasse… com a América. O exotismo de Paris é ignorado. Surge então um ritmo de charleston, pelos trompetes, para espantar a melancolia. Por fim, na repetição de todos os temas anteriores, evoca-se o encontro do ‘americano’ com um conterrâneo, com o qual troca impressões da cidade. O tema nostálgico volta mais pomposo. Retorna, por fim, o motivo do passeio inicial e a coda conclui sobre o tema de blues triunfante. A peça ganhou o mundo ao ser tema do filme homônimo estrelado por Gene Kelly, Leslie Caron e Cyd Charisse, considerado uma das melhores produções musicais de Hollywood.

 

Suíte de Porgy and Bess

 

Ópera norte-americana composta por George Gershwin em 1935, Porgy and Bess teve libreto da autoria de Ira Gershwin e DuBose Heyward, baseado no livro Porgy (1925) da autoria do último e da peça homónima escrita por ele e a mulher, Dorothy Heyward. A história aborda a vida na comunidade afro-americana da fictícia Catfish Row, em Charleston, no início dos anos 30. Originalmente composta como uma “ópera folk americana”, não foi aceite de forma legítima antes dos anos 70. Conta a história de Porgy, um negro aleijado que vive num bairro pobre de Charleston, na Carolina do Sul, e as suas tentativas para salvar Bess das garras do seu chulo Crown e do traficante de droga Sportin' Life. O teor da história foi bastante controverso, tendo sido acusado diversas vezes de racista. A obra original de Gershwin, com mais de quatro horas de duração, foi encenada de forma privada pela primeira vez no outono de 1935 no Carnegie Hall. Seguiu-se a 30 de setembro uma versão bastante amputada no Colonial Theatre, em Boston, e finalmente a estreia na Broadway a 10 de outubro. Esta produção, dirigida por Rouben Mamoulian e interpretada por Todd Duncan e Anne Brown, fez pouco sucesso, mas no ano seguinte foi feita uma digressão por algumas cidades dos EUA. Em 1942, Cheryl Crawford dirigiu uma nova e melhor sucedida produção na Broadway com os mesmos protagonistas, mas numa versão muito encurtada da original e uma estrutura mais parecida com os musicais teatrais convencionais. A 27 de março de 1943, teve a sua estreia europeia em Copenhaga, na Dinamarca, com a particularidade de ter usado um elenco exclusivamente composto por atores brancos por imperativos da ocupação nazi. Entre as diversas produções que se seguiram, merece destaque aquela que foi encenada em 1976 no Houston Grand Opera, a primeira que deu a ver e ouvir a versão integral de Gershwin, vencendo um Tony e um Grammy. Um pouco por todo o mundo, sucederam-se depois diversas adaptações de uma ópera que se tornou clássica. Em 1959, foi realizada por Otto Preminger e produzida por Samuel Goldwyn uma versão cinematográfica que teve como protagonistas Sidney Poitier e Dorothy Dandridge. A ópera inclui diversos temas musicais que se tornaram famosos e transcenderam o seu contexto operático, estabelecendo-se como clássicos do jazz ou dos blues: “Summertime” e “It Ain't Necessarily So”, entre outros. A suíte que ouvimos neste concerto é uma seleção de alguns dos principais temas e passagens desta maravilhosa opera.

 

Piano – Álvaro Siviero

 

O paulistano Alvaro Siviero é um apaixonado pelo piano. Siviero acumula passagens por países como Alemanha, Portugal, Itália, EUA, Áustria, França, Inglaterra, Suíça atuando como solista em diversas turnês pelo Brasil, Argentina, Chile, Uruguay, Peru diante da London Festival Orchestra, Budapest Chamber Orchestra, Russian Virtuosi of Europe, The City of Prague Philharmonic Orchestra, Salzburg Chamber Soloists, Orquestra Academica de Madrid, I Musici de Montreal, entre outras. Atuou também em recital conjunto com a Mahler Chamber Orchestra. A crítica de suas apresentações resume-se no que publicou o periódico El Mercúrio (Chile), definindo Siviero como “detentor de depurada técnica e rigoroso estilo, unido a uma esplêndida elegância e finesse. Em alguns momentos sua digitação causa vertigem, enquanto que nos contrastes dinâmicos seus pianissimos chegam a comover. Um pianista para aplaudir”. Siviero foi o primeiro brasileiro mundialmente selecionado para participar do curso de imersão na obra de Beethoven na Fundação Wilhelm Kempff, em Positano, Itália. Sua tocante interpretação do Concerto n.3 para piano de Rachmaninov foi ovacionada pelo público e crítica especializada durante turnê que realizou pelas principais salas de concerto das capitais brasileiras. Em maio de 2007, foi o pianista que realizou recital particular ao Papa Bento XVI, em Aparecida, São Paulo, quando da visita do Romano Pontífice ao Brasil. Em novembro de 2009, foi o único brasileiro convidado a representar o Brasil no histórico Encontro Mundial de Artistas, celebrado na Capela Sistina, em Roma. Em 2011, na Cartuxa de Valldemossa, Siviero foi o pianista que realizou o recital oficial de reabertura da verdadeira cela em que viveu o compositor Frederic Chopin, em Maiorca, após histórica sentença judicial. O pianista acaba de assumir a diretoria artística do IICS – Instituto Internacional de Ciências Sociais (São Paulo). Com especialização em multiculturalidade pelo Lesley College, Cambridge, e graduado em Física pela Universidade de São Paulo, Siviero é responsável pelo blog de música clássica nos conteúdos digitais do jornal O Estado de São Paulo.

 

Maestro Claudio Cohen

 

Cidadão honorário de Brasília, Cláudio Cohen é maestro e violinista. Tem participado de forma ativa no cenário musical do país e exterior, seja como maestro, solista ou camerista ou ainda na condição de artista convidado dos prin- cipais festivais de música e orquestras do Brasil. É membro fundador da Or- questra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, na qual atuou por muitos anos na condição de spalla (primeiro violino). É maestro titular e diretor musical da OSTNCS para as temporadas de 2011 a 2014. Faz parte do Quarteto de Brasília, com o qual já realizou turnês pelo Brasil, pela Ásia, pelas Américas e pela Europa e gravou nove CDs, o primeiro deles vencedor do Prêmio Sharp na categoria de melhor disco Clássico do ano de 1993. É também ganhador do Prêmio OK de Cultura e recebeu indicação para o Prêmio TIM de música, ano 2003, e para o VII Prêmio Carlos Go- mes. Com o Quarteto de Brasília venceu o IX Prêmio Carlos Gomes em 2004 (categoria Destaque – Música de Câmara), o Prêmio Brasil de Excelência Almub em 2006 e o Prêmio Accorde Brasil 2008.? Cohen foi parecerista em projetos culturais do MinC e lecionou Violino no Departamento de Música da UnB, tendo tam- bém ministrado cursos nos principais festivais de música do país. Exerceu, entre 1999 e 2004, a função de diretor executivo da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro. É membro e foi diretor de Música da Academia Brasileira de Letras e Música (Almub). É detentor da Ordem do Mérito de Brasília no grau de oficial e da Ordem do Mérito Cultural do Distrito Federal no grau de comendador, além do título de ci- dadão honorário, concedido pela Câmara Legislativa em 2009. Trabalhou intensamente a prática da regência com os maestros Silvio Barbato (2002) e Emílio de César (2002–2006). Recebeu também orientações dos maestros Carlo Pales- chi (Itália), Miguel Graça Moura (Portugal), Ermano Flo- rio (EUA), Fabiano Mônica (Itália), Carmine Pinto (Itália), Christian Ehwald (Alemanha), Roberto Montenegro (Uruguai), Francesco La Vechia (Itália) e Abel Rocha (São Paulo), sempre em aulas particulares. Atuou como maestro adjunto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro nas temporadas de 2002 e 2003.