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25/10/20 às 18h53 - Atualizado em 27/10/20 às 11h39

Cineastas brasileiros comemoram a continuidade do Festival de Brasília

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Texto: Lúcio Flávio. Editor: Sérgio Maggio (Ascom Secec)

26/10/2020

00:13:27

 

Vem aí o mais tradicional evento cinematográfico do país, que, em 2020, chega com a 53ª edição, em 55 anos de existência. Não bastasse a longevidade, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB) carrega a responsabilidade de ser a mais importante e respeitada mostra do gênero no Brasil.

 

E nasceu dentro de contexto único, quase junto com uma cidade, a nova capital da nação, e à sombra de momento político conturbado. Ingredientes que contribuíram, de forma singular, para a formação e o perfil do evento, que sempre contou com público contestador. São cinco décadas e meia de muito ”câmera, ação e… resistência”.

 

No ano marcado por cancelamentos de festivais de cinema no mundo em razão da Covid-19, o secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues, empenhou-se para que não houvesse interrupção do FBCB por conta da pandemia.

 

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“Na história do festival, as edições que não aconteceram estão diretamente ligadas à censura militar. O que feriu fortemente à cultura nacional. Era uma questão de honra prosseguir com esse patrimônio brasileiro”, observou.

 

AVANTE E FIRME

Com um histórico de consagração no FBCB, o cineasta Cacá Diegues é pragmático e esperançoso quanto à edição deste ano. “O Festival de Brasília é o mais tradicional do Brasil e não pode deixar de acontecer, é importante que ele continue atuante”, diz.

 

“Ele foi criado num momento muito difícil do país, em que havia uma ditadura militar e, se conseguiu sobreviver a tudo isso, então vai sobreviver a essa peste que está aí. O que der para fazer tem que fazer, não pode é parar”, convoca.

 

Curador dessa edição, o cineasta Silvio Tendler comemora a continuidade do festival. Primeiro por ter sido chamado para colocar a sua experiência de gestor do FBCB, quando foi secretário de Cultura e Esportes do DF e realizou a histórica edição de 1996. Depois, por ter consciência da importância de manutenção de um festival político por natureza num tempo de desmonte cultural. “Com essa decisão, Bartolomeu Rodrigues está fortalecendo o cinema nacional em tempos de destruição da nossa memória, e exemplo da Cinemateca”.

 

Para Vladimir Carvalho, realizar a 53ª edição do Festival de Brasília diante de tais circunstâncias nefastas é uma demonstração de força e vigor do cinema brasileiro perante inimigo invisível, que é novo coronavírus. “O Festival de Brasília deste ano será naturalmente marcado pelas circunstâncias que atravessamos. Entretanto, devemos considerá-lo como forma de nossa capacidade e de nossa resiliência”, não esmorece.

 

“O atual secretário de cultura, Bartolomeu Rodrigues, entendeu os nossos sinais e arregaçou as mangas, dando uma volta de 360 graus nos obstáculos. Vai produzir o evento com recursos da própria secretaria, o que não acontecia faz anos”, destaca.

 

CELEIRO DE HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO

Divulgação

Joel Barcellos e Anecy Rocha no filme “A Grande Cidade”, do Cacá Diegues

 

O 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB) é o mais antigo encontro dedicado ao cinema nacional do país, prestigiado por realizadores e críticos por oferecer espaço à apreciação, à reflexão e à participação do público e de profissionais do cinema. Tornou-se, ao longo dos anos, um símbolo de grande prestígio, não apenas por seu pioneirismo, mas também pela ousadia que pautou sua trajetória e seus premiados, antecipando ou reafirmando a consagração de filmes e autores.

 

Nasceu, em 1965, como Semana do Cinema Brasileiro, por iniciativa do historiador e crítico Paulo Emílio Sales Gomes, que estava à frente do primeiro curso superior de cinema, criado na Universidade de Brasília (UnB). Em 1967, tornou-se Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Apenas, nos anos de 1972 a 1974, o festival não foi realizado, no auge repressivo do regime militar, que impôs censura ao evento. Em 2007, o Festival recebeu o registro de Patrimônio lmaterial pelo Governo do Distrito Federal.

 

Leia nesta terça-feira (27.10) sobre Paulo Emílio Salles Gomes, criador do FBCB

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec) 

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br