Governo do Distrito Federal
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26/02/20 às 15h53 - Atualizado em 2/03/20 às 12h00

Cine Brasília programa filmes brasileiros com questões de gênero e regionais

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Telona mostra “Jovens Polacas”, “Modo de Produção” e mantém em cartaz “Azougue Nazaré”

 

Filmes brasileiros com recorte regional e de gênero marcam a programação que entra no pós-carnaval na telona do Cine Brasília. “Jovens Polacas”, que teve pré-estreia numa mostra da ONU no ano passado sobre diásporas, traz de volta o assunto de prostituição forçada de imigrantes judias do leste europeu, considerado um tabu na comunidade judaica. Também entra “Modo de Produção”, sobre precarização do trabalho. “Azougue Nazaré”, que foca no maracatu e crenças populares, ganha outra semana em cartaz.

 

“Jovens Polacas” recupera a história de mulheres egressas do leste europeu, generalizadas sob o mesmo gentílico, que vieram para o Brasil, fugindo ao nazismo, na esperança de emprego ou casamento, mas acabaram sendo prostituídas.

 

O diretor do filme, Alex Levy-Heller, fala da experiência da experiência de filmar a partir do livro homônimo da historiadora baiana Esther Largman, lançado em 1992: “É sempre uma grande responsabilidade adaptar a obra de uma outra pessoa. Eu propus um roteiro lúdico, poético, baseado na memória de uma personagem. Esther adorou o roteiro”, conta.

 

O filme usa como fio condutor do roteiro as memórias embaçadas de “Mira” (Jacqueline Laurence), filha de uma “polaca” que passou parte da primeira infância num bordel, vendo a mãe e outras mulheres sendo exploradas sexualmente. Segundo Alex, a recepção do filme pelas mulheres tem sido “positiva”.

 

Outro filme, “Modo de produção”, da diretora pernambucana Dea Ferraz (“Câmara de espelhos”, 2016, e “Mateus”, 2019), faz do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ipojuca, Canela e Nossa Senhora do Ó, a cerca de 60 km do Recife, seu tema central.

 

Trata-se de um lugar por onde passa uma massa de trabalhadores rurais, de vidas talhadas pelo corte de cana. Aborda também aposentadorias, demissões, vínculos laborais e um suposto desenvolvimento econômico-social que se avizinha com o Porto de Suape.

 

Dea destaca em seu filme um grupo de mulheres que se reúne semanalmente no sindicato: “Elas conseguem construir um caminho para o fortalecimento e o acolhimento comum. Constroem ali um novo mundo. E isso me emociona”.

 

A diretora elabora a questão do corte de gênero: “Podemos dizer que as mulheres são as mais exploradas, sobretudo pela dupla jornada. Trabalham fora e em casa, e o trabalho doméstico não é considerado. Dupla exploração. Com as mulheres do campo essa condição se perpetua”.

 

Segundo ela, a ideia de fazer o filme nasceu em 2012, a partir da conversa com amigos jornalistas sobre os impactos de Suape e “a forma equivocada com que a mídia hegemônica exaltava o porto como sendo o oásis do desenvolvimento brasileiro”. Com o documentário, Dea busca pensar sobre os impactos ambientais, sociais e humanos enfeixados nos casos que afloram no atendimento do sindicato.

 

“Quando decidi filmar o sindicato, assumi o desejo de apontar para uma máquina de funcionamento que faz das pessoas suas engrenagens. Esse acabou se tornando o foco do filme, e o Porto de Suape uma miragem distante, quase fantasma, como o plano final”, explica a cineasta.

 

Continua em cartaz “Azougue Nazaré”. O diretor, Tiago Melo, põe sua lente sobre o maracatu. “É uma arte de pura resistência, e eu quis colocar isso na tela, mostrar como a arte pode superar preconceitos, bloqueios, ameaças e intolerância”.

 

Na história, um ex-maracatuzeiro se torna evangélico e passa a combater a dança porque diz ser inspirada pelo diabo. É o cinema de Pernambuco recorrendo de novo à alegoria (vide “Bacurau”) para fazer crítica a eventos contemporâneos.

 

A seguir, fichas técnicas, sinopses e links para os trailers.

“Jovens Polacas”
De Alex Levy-Heller (2019, Brasil, drama, 96 minutos, 14 anos)
Elenco: Jacqueline Laurance, Emilio Orciollo Netto e Thierry Tremouroux

Sinopse: Baseado no livro homônimo de Esther Largman, o filme conta a história de mulheres judias iludidas pela possibilidade de uma nova vida e traficadas do leste europeu para a prostituição no Rio de Janeiro no início do século XX. Ao ser entrevistada pelo jornalista Ricardo, Mira busca em sua memória detalhes de sua vida e rotina com sua mãe e faz as pazes com o passado.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=P3-N291CbjM

 

“Modo de produção”
De Dea Ferraz (2020, Brasil, documentário, 75 minutos, livre)
Sinopse: Uma massa de trabalhadores rurais passa diariamente pelo Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ipojuca (PE), com suas vidas talhadas pela cana. Esse lugar é o personagem principal do filme, uma instituição decadente que faz refletir possibilidades de um olhar sobre Estado, Justiça e Sindicato.

Trailer: https://m.facebook.com/watch/?v=2545519442393099&_rdr

 

“Azougue Nazaré”
De Tiago Melo (2018, Brasil, drama, 84 minutos, 14 anos)
Elenco: Mestre Barachinha, Ananias de Caldas e Joana Gatis

Sinopse: Num canavial que parece não ter fim, uma casa isolada abriga o casal Catita e Irmã Darlene. Catita esconde que participa do Maracatu. Darlene é fiel da igreja do Pastor Barachinha, um antigo mestre de maracatu convertido à religião evangélica, que se vê na missão de expulsar o demônio do Maracatu, evangelizando toda a cidade. Nesse cenário, um pai de santo pratica certo ritual religioso com cinco caboclos de lança. Estes ganham poderes, incorporam entidades e desaparecem. A cidade de Nazaré da Mata testemunha acontecimentos misteriosos.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=NFxE51n0IQo

 

 

Programação 27/2 a 1º/3

16h – Azougue Nazaré
18h – Modo de Produção
20h – Jovens Polacas

Obs. Segunda (2/3) e terça (3/3) não há sessões de cinema em virtude de apresentações da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro. A SESSÃO DE QUARTA-FEIRA, 4, FOI CANCELADA.

 

Serviço
Entrada paga, R$ 12 (inteira). Bilheteria só aceita dinheiro, não cartões.
Endereço: Asa Sul, entrequadra 106/107. Telefone: (61) 3244-1660.