Governo do Distrito Federal
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5/06/20 às 10h13 - Atualizado em 5/06/20 às 11h08

Cine Brasília prepara lista de filmes infantis para assistir em casa durante a pandemia

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Especialistas também sugerem links que trazem produção audiovisual destinada a crianças e adolescentes

 

“É importante, neste momento da pandemia, ocupar as telas com filmes que se preocupem com o olhar das crianças”. A tese é do educador audiovisual e diretor Igor Amin, que pesquisa a relação da infância com as telas. O Cine Brasília, equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), preparou sugestões de filmes infantis para assistir em casa durante o isolamento social (veja os links no final).

 

Há mais de dez anos, Amin – mineiro do interior, que passou parte da infância em Brasília, indo depois para Belo Horizonte – está envolvido com o que define como “descolonização do olhar” pelo audiovisual. Diretor do filme “O que queremos para o mundo” (2016, ficção, 70 minutos, livre, link disponível abaixo), selecionado pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB) na edição de 2016, ele defende que a tela seja para as crianças um lugar “amigável, seguro, criativo e emancipador”.

 

Para o gerente e programador do Cine Brasília, Rodrigo Torres, a infância é um momento fundamental no processo de formação do espectador. “É quando códigos e convenções da linguagem do audiovisual são incorporados e elaborados subjetivamente”, afirma. Autor das sugestões de filmes listadas ao final dessa matéria, ele frisa que “é justamente nessa fase da vida que as crianças devem ser apresentadas a obras audiovisuais de alta qualidade”.

 

Presente no FBCB do ano passado, a idealizadora e diretora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, Luiza Lins, lamenta que as crianças estejam submetidas a produtos que vêm em sua maior parte dos Estados Unidos: “Eles têm uma produção maravilhosa, mas não é justo com a criança brasileira que ela assista só a isso”.

 

A catarinense, autora de três curtas-metragens para crianças, atuou em 2019 na comissão de seleção do Festivalzinho, programação do FBCB voltada para o público infanto-juvenil. “A criança brasileira cresce assistindo aos mesmos conteúdos, e isso não a habitua a ver a nossa cultura, o nosso cinema”, acredita. Ela defende a diversidade de produções, como a que promove no Cinema do Centro Integrado de Cultura (CIC) de Florianópolis.

 

“As programações precisam ter curadorias. No CIC exibimos filmes japoneses, canadenses, iranianos, enfim, produções de vários lugares. A criança percebe que o mundo é diverso e passa a respeitar a diferença”, argumenta Lins, que já prepara a 19ª edição da Mostra em Floripa: “Estamos pensando em fazer a Mostra na primavera. A ideia é ter uma parte online e outra presencial, mas ainda estamos pensando”. Os filmes selecionados para este ano já estão no site (link abaixo).

 

Dentro da tese da descolonização do olhar, Igor prega que a tela deve se constituir num espaço de diálogo com a criança, de escuta do que ela tem a dizer, o que está na base de “O que queremos para o mundo”. O longa partiu de entrevistas com elas para dar origem a um roteiro inspirado nas preocupações que manifestaram nas conversas.

 

“A narrativa na tela deve propiciar à criança se identificar, se incluir, se sentir à vontade para falar de sua própria história”, acredita o pesquisador. É um caminho que ele recomenda para desenvolver nesse público a capacidade de saber se posicionar diante das coisas.

 

Cinema e educação
Curador do Lobo Fest – Festival Internacional de Filmes, que contempla também mostras infantis e juvenis –, Ulisses de Freitas defende o papel do Estado na formação de público: “É fundamental que o Cine Brasília tenha uma programação voltada para a formação e a educação do olhar desde cedo”. Ele lembra que a mesma internet que oferece opções também traz “imagens em profusão que deseducam”.

 

Nesse sentido, Amin elogia o projeto do Governo do Distrito Federal “Escola Vai ao Cinema”, encabeçado pela Secec e a Secretaria de Estado de Educação (Seedf), uma iniciativa que leva estudantes da rede pública para assistir a filmes selecionados, no Cine Brasília, com vistas à formação audiovisual de crianças e jovens.

 

“É uma referência. Proporciona acesso a qualidade de conteúdo, fugindo daquela ideia de venda de ingresso e pipoca”, comenta o diretor mineiro. Luiza Lins lhe faz coro: “[O Cine Brasília] é uma pérola. A experiência da sala de cinema é incomparavelmente mais rica que a proporcionada pelas telas de televisão, computador ou celular”, compara. “Qualquer país desenvolvido trabalha a questão curatorial em departamentos voltados para esse público”, emenda Ulisses.

 

Luiza entende que a produção cinematográfica para crianças e jovens no Brasil ainda é muito incipiente. “É uma pena porque se a criança crescesse assistindo audiovisual brasileiro, a situação do país em relação ao cinema como um todo seria bem diferente”, diz ela. Ela ressalva, contudo, que a situação tem melhorado um pouco com séries na televisão a cabo e VoD (“video on demand”).

 

Torres prefere apontar que os últimos vinte anos foram de intenso crescimento na área da animação – tanto para criança como para adultos – e aposta no futuro do segmento. Confira dicas abaixo para assistir e conhecer. Alguns filmes brasileiros gratuitos são por tempo limitado.

 

Filmes/animações

 

“Salu e o cavalo marinho” (2015)
Direção: Cecília da Fonte / Animação / 13min / Classificação: Livre
Sinopse: O filme conta a história de Mestre Salustiano, um dos artistas populares mais famosos do Brasil. Filho do rabequeiro João Salustiano, Salu logo cedo sonha em participar de um grupo de Cavalo Marinho, folguedo típico do sertão de Pernambuco, onde mora.
Disponível até 14/06/2020
https://www.videocamp.com/pt/campaigns/quarentena-ceciliadafonte-salu/player?special_id=32365

 

“Quando a chuva vem?” (2019)
Direção: Jefferson Batista / Animação / 8min / Classificação: Livre
Sinopse: A seca que assolou o Nordeste do Brasil entre os anos de 1979 e 1985 marcou para sempre a vida da população sertaneja do estado de Pernambuco. O grande período sem chuva levou a população a um quadro de pobreza e abandono. Em uma das poucas famílias que resistiram, crescia uma criança que não conhecia a chuva.
Disponível até 10/06/2020

https://www.itaucultural.org.br/secoes/videos/quando-a-chuva-vem-mostra-de-animacao-para-criancas-e-para-todos

 

“Òrun Àiyé: a criação do mundo” (2015)
Direção: Jamile Coelho e Cintia Maria / Animação / 12min / Classificação: Livre
Sinopse: Òrun Àiyé mostra a trajetória de Oxalá (Carlinhos Brown) em sua missão para criar o Mundo.
Disponível até 10/06/2020

https://www.itaucultural.org.br/secoes/videos/orun-aiye-a-criacao-do-mundo-mostra-de-animacao-para-criancas-e-para-todos

 

“Poética de Barro” (2019)
Direção: Giuliana Danza / Animação / 6min / Classificação: Livre
Sinopse: O curta-metragem Poética de Barro, animado em “stop motion” (técnica de animação) com argilas do Vale das Viúvas de Maridos Vivos (Jequitinhonha), é baseado no trabalho de ceramistas mineiras e conta com uma trilha original composta por instrumentos de cerâmica. Retrata a saga de uma pequena criatura, que precisa sobreviver às vicissitudes da vida.

http://portacurtas.org.br/filme/?name=poetica_de_barro

 

“Caminho dos gigantes” (2016)
Direção: Alois Di Leo / Animação / 12min / Classificação: Livre
Sinopse: Em uma floresta de árvores gigantes, uma menina indígena desafia o seu destino para entender o ciclo da vida.
Disponível até 10/06/2020

https://www.itaucultural.org.br/secoes/videos/caminho-dos-gigantes-mostra-de-animacao-para-criancas-e-para-todos

 

“Lipe, vovô e o monstro” (2016)
Direção: Felippe Steffens e Carlos Mateus / Animação / 8min / Classificação: Livre
Sinopse: Um menino vai passar o fim de semana no sítio dos avós. Durante uma pescaria, ele conhece um segredo de seu avô e acaba fazendo uma nova e inusitada amizade.
Disponível até 10/06/2020

https://www.itaucultural.org.br/secoes/videos/lipe-vovo-e-o-monstro-mostra-de-animacao-para-criancas-e-para-todos

 

“Dela” (2018)
Direção: Bernard Attal / Ficção / 8min / Classificação: Livre
Sinopse: Dela mora na Ilha de Itaparica com seu pai, Agenor. Na escola nova, os colegas acham seu nome estranho e seus cabelos esquisitos. A menina questiona seu pai, e a história que ele conta muda a forma como ela vê a si mesma!

http://portacurtas.org.br/filme/?name=dela

 

“Bá” (2015)
Direção: Leandro Tadashi/ Ficção / 14min / Classificação: Livre
Sinopse: O menino Bruno é obrigado a lidar com as mudanças que ocorrem em sua vida quando sua “Bá” (de “Batchan”, avó em japonês) é trazida para morar em sua casa.

https://www.videocamp.com/pt/campaigns/quarentena-cigano-ba/player?special_id=32363

 

Sugestões de links com material infantil:
www.mostradecinemainfantil.com.br
www.oquequeremosparaomundo.com.br
www.poloaudiovisual.tv
www.videocamp.com
https://www.nfb.ca/channels/cartoons_for_kids/
http://festival.curtas.pt/
https://cardume.tv.br/catalogo/?filter_genre=infanto-juvenil

 

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