Governo do Distrito Federal
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21/12/20 às 18h02 - Atualizado em 21/12/20 às 18h04

Cine Brasília evoca memórias de afeto e resistência do FBCB

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Texto: Vanessa Castro. Edição: Guilherme Lobão

 

21/12/2020

18:02:00

 

Na programação de atividades paralelas do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, artistas do audiovisual brasileiro discutiram a produção contemporânea nacional fomentada pelo evento na mesa de debate on-line “Brasília 60 anos – Filmes e Personalidades que marcaram o Festival de Brasília – Nova Geração”.

 

O diretor de fotografia radicado em Brasília André Xará foi um dos primeiros a rememorar sua trajetória neste que é o mais tradicional e um dos mais importantes fóruns de discussão da sétima arte no País. “O festival nos permite pensar no cinema de diversos lugares do Brasil. Já moro em Brasília há mais de 30 anos. No festival, temos a oportunidade de sentir a pulsação do cinema nacional. É um verdadeiro pulmão da sétima arte produzida em todo o País”, enalteceu.

 

 

Primeira atriz trans premiada no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2019, Anne Clementino, protagonista do longa “Alice Júnior”, contou sobre sua inclusão no festival como premiada e, neste ano, integrando a seleção dos longas numa “experiência enriquecedora do backstage com pessoas muito especiais”. “’Alice Júnior’ marca a minha entrada no audiovisual e o Festival de Brasília estará sempre relacionado com isso”, garantiu.

 

“Todo mundo que gosta de cinema entende que este festival é uma entidade, uma instituição”, assegurou o cineasta Lino Meireles, responsável pelo documentário “Candango: Memórias do Festival”, que reúne entrevistas com diretores, atores, produtores, críticos e organizadores que vivenciaram a história do FBCB. “Ainda possui um viés político profundo, atual, mais forte do que nunca”, destacou.

 

Maya Darin, cineasta e artista visual, falou sobre a experiência no Cine Brasília, palco oficial do festival. “Exibir um filme neste cinema, com toda a sua dimensão e importância, é uma experiência única. Vivemos, atualmente, um momento de luta e de luto da cultura, mas, ao mesmo tempo, é muito bom poder estar aqui falando sobre o cinema e o festival”, analisou.

 

Polêmico, já ovacionado e vaiado em ao menos três ocasiões no Festival de Brasília, o cineasta pernambucano Cláudio Assis atestou a importância política do FBCB. “O poder do Brasil é Brasília. Frequento desde os anos 80, é um momento de encontro contra o poder, contra o governo. É o simbolismo artístico, político e social em um único evento”, concluiu o diretor agraciado com o Candango de Melhor Filme por “Amarelo Manga” (2002), “Baixio das Bestas” (2006) e “Big Jato” (2015).

 

Jaques Cheuiche, que contabiliza mais de 120 trabalhos durante sua carreira de diretor de fotografia e cineasta, reforça a relevância do festival como ponto de encontro para um público itinerante. “Estar no Cine Brasília é uma experiência avassaladora, um templo cultural do Brasil. Vivemos esse momento estranhíssimo da cultura, com a pandemia e o desmonte cultural. Quando olho para trás, vejo a Brasília que conviveu com a ditadura, o final da Embrafilme, o atual desmonte da Ancine e, mesmo com tudo isso, estamos aqui realizando esta edição do festival”, reconheceu.

 

A artista plástica, fotógrafa, poeta e cineasta franco-colombiana Paula Gaitan, vencedora do Candango de Melhor filme por Exilados do Vulcão na edição de 2013, fez um paralelo entre o Festival de Brasília e o de Havana, em Cuba: “O público do Cine Brasília é dinâmico, engajado. Há filmes e diretores de todos os cantos do Brasil. Um festival epicêntrico, com lugar e importância histórica,” analisou.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br