Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
28/01/20 às 12h50 - Atualizado em 28/01/20 às 16h37

“Cine Brasília Debate” apresenta filme “Ainda temos a imensidão da noite”

COMPARTILHAR

Conversa com diretor e equipe, ligados à capital, abordará assuntos como o fazer artístico e a questão feminina

 

O Cine Brasília apresenta na sexta-feira (31) o filme “Ainda temos a imensidão da noite” (Gustavo Galvão, 2019, drama, 98 minutos, 16 anos), às 20h30, seguido de debate com diretor, as atrizes Ayla Gresta e Vanessa Gusmão, os atores Gustavo Halfeld e Hélio Miranda e a mediação da corroteirista Cristiane Oliveira.

 

A iniciativa, com entrada paga, inaugura o projeto “Cine Brasília Debate”, que pretende consolidar uma vocação da sala de 619 assentos, a maior em atividade do Brasil, projetada por Oscar Niemeyer como espaço de discussão da sétima arte numa cidade cuja identidade está ligada ao cinema. “Ainda temos a imensidão da noite” foi exibido na 52ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde obteve na Mostra Brasília os prêmios de Melhor Fotografia e Melhor Montagem.

 

“Uma das tradições do Cine Brasília é convidar os realizadores a discorrerem sobre seus filmes. Esta ação faz parte da uma política de formação de público adulto. Acredita-se que, quanto mais os espectadores tenham acesso a informações referentes aos processos de criação dos artistas, mais eles terão interesse em assistir a outras produções cinematográficas”, aposta o gerente e programador do Cine, Rodrigo Torres.

 

A escolha de “Ainda temos a imensidão da noite”, terceiro longa de Galvão como diretor e roteirista, teve várias razões. Com diretor e atriz principal originários da capital federal, o filme trata do fazer artístico do rock na cidade que completa 60 anos em 2020, mas já marcada pela força de tantas bandas.

 

Diretor e roteirista comentam

“Brasília é minha cidade, meu mundo, onde fiz quase todos os meus filmes”, diz Gustavo Galvão, formado em jornalismo pela Universidade de Brasília, diretor de sete curtas e três longas. “Brasília nasceu sob o signo da vanguarda da arte, e eu quis fazer um longa que a reconectasse com o fazer artístico”.

 

Outra questão que Gustavo acredita constar na discussão com o público depois do filme na sexta é a dificuldade especial que artistas mulheres enfrentam para vencer na cena do rock, “um meio essencialmente masculino e frequentemente machista”.

 

A trama do filme mostra Ayla Gresta (“Karen”, trompetista e vocalista do quarteto criado para o filme, “Animal Interior”) cansada de lutar para viabilizar a sobrevivência de sua banda. Diante das dificuldades que desagregam o grupo, ela decide ir embora de Brasília, cidade que seu avô ajudou a construir, seguindo os passos do ex-parceiro de banda “Artur” (Gustavo Halfeld), que tenta a sorte em Berlim. O convite parte de “Martin” (Steven Lange), amigo alemão, com quem formam um triângulo.

 

“Ayla me representa. Mesmo eu não sendo mulher, nem tão jovem quanto ela, nem músico, ela ampliou o discurso que o filme propõe sobre as dificuldades do fazer artístico, da música em especial”, revela o diretor, que escreveu com a artista multidisciplinar e arquiteta profissional formada pela Universidade de Brasília letras que formam a trilha musical da película.

 

A trilha, com produção de Lee Ranaldo (guitarrista, cantor e compositor), é assinada por Munha da 7 (música experimental) e Nicolau Andrade (formado na Escola de Música de Brasília, jazzista), além de Galvão e Gresta. Uma das marcas do filme é o fato de os atores serem primeiramente músicos. Além de Ayla, fazem parte do quarteto Gustavo Halfeld (guitarrista, que faz o “Arthur”), Hélio Miranda (o “Cícero”, baterista) e Vanessa Gusmão (“Lara”, baixista).

 

Outro apelo do filme tem é a abordagem de questões existenciais que a juventude vivencia para além das fronteiras. A corroteirista Cristiane Oliveira, que mediará o debate, afirma que “o roteiro tem muito do que ouvimos de músicos da cidade, mas também traz um paralelo com Berlim. Escrevemos junto com alemães para trazer ao filme o que a juventude de lá vive também”.

 

“No debate vamos falar mais sobre os paralelos históricos entre as duas cidades e como elas acabaram tomando caminhos bem distintos”, complementa a roteirista gaúcha, que tem em mente o modernismo que marca as duas cidades e os estigmas que ambas carregam como centros de poder, o que os jovens acabam percebendo e enfrentando.

 

Projeto

“Acreditamos que um filme não termina no momento em que os créditos sobem na tela, mas se prolonga nas discussões sobre ele. Ressuscita quando provoca reflexões no cotidiano dos espectadores e expande-se quando suas ideias atingem mesmo aqueles que não o viram”, teoriza Torres.

 

Em 2019, houve 14 sessões seguidas de debate, com filmes políticos e de grande bilheteria como “Bacurau”, “A Vida Invisível”, “Vidas Partidas”, “Brasília, Life After Design” e “Divino Amor”, para citar alguns. “Esperamos que em 2020, sexagenário da capital, consigamos fortalecer tal estrutura e promover ainda mais eventos desta natureza”, finaliza o programador da sala.

 

Serviço

Cine Brasília Debate
“Ainda temos a imensidão da noite”
Sexta-feira, 31
Horário: 20h30 (exibição do filme)
Debate ao término da sessão com:
Gustavo Galvão – diretor

Ayla Gresta – atriz, trompetista e vocalista
Gustavo Halfeld – ator, guitarrista
Vanessa Gusmão – atriz, baixista

Hélio Miranda – ator, bateirista
Cristiane Oliveira – corroteirista (e mediadora do debate)

Entrada paga: R$ 12 (inteira). Bilheteria só aceita dinheiro, não cartões.
Endereço: Asa Sul, entrequadra 106/107. Telefone: (61) 3244-1660.