Governo do Distrito Federal
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17/10/19 às 19h25 - Atualizado em 17/10/19 às 19h28

Cidade Afetiva: painel ouviu grafiteiros e especialistas sobre o papel da arte urbana na revitalização de espaços públicos

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Dando início ao calendário de ações do Encontro de Grafite 2019, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec), em parceria com o Comitê Permanente do Grafite e o Coletivo No Setor realizaram a primeira ação do projeto. O bate papo “Cidade Afetiva” reuniu agentes públicos, empresas instaladas no Setor Comercial Sul e grafiteiros para discutir o papel da arte urbana na revitalização de espaços.

 

O objetivo da realização do debate foi amparar os profissionais do grafite durante o processo de transformação do Setor Comercial Sul durante as ações. Participaram da roda de conversa a assessora especial da Subsecretaria de Economia Criativa da Secec, Thayná Lougue, e a representante da subsecretaria do Patrimônio Cultural Mariah Boelsums, o grafiteiro e representante do Comitê de Grafite, Carlos Astro, representante do Coletivo No Setor, Caio Dutra, a gestora da empresa Cabal, Ana Carolina Ferreira, o mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável, Rubens Amaral, e o idealizador do projeto Barba na Rua, Rogério Barba.

 

A ação foi realizada no auditório da Cabal, empresa de tecnologia que acompanha de perto o processo de renascimento urbano do SCS. Instalada no local desde sua fundação, a empresa que começou pequena, hoje conta com mais de 400 colaboradores. De acordo com a gestora Ana Carolina, a Cabal vem participa ativamente de toda a transformação. “A história de crescimento da nossa empresa, envolveu a esperança de vida e história que o Setor Comercial Sul carrega”, disse.

 

O diálogo foi aberto com relatos emocionantes de personagens reais do centro urbano. Conhecido por ser porta voz da rua, o ex-morador do Buraco do Rato, Rogério Barba, contou como conheceu o local, do seu envolvimento com drogas, criminalidade e de sua superação através da cultura.

 

Barba relata que como em qualquer comunidade, as pessoas que dormem no SCS são seres humanos, com esperança, vontade e habilidade para trabalhar. “Como em qualquer comunidade e classe social, existe gente do bem e gente para fazer o mal. Hoje trabalho em ajudar a dar oportunidade para estes cidadãos”, completa.

 

Falando em oportunidade, o Grafiteiro Carlos Astro, e destacou como o trabalho com o grafite mudou sua trajetória de vida. O artista, morador de Ceilândia, falou da sua história e o envolvimento com gangues, tráfico de drogas e sobre seu processo de reclusão pelos crimes cometidos. Hoje Astro conta no livro “Uma Vida, Dois Mundos”, seu processo de transição para o grafite. “Hoje vivo da arte. O grafite me salvou e continua salvando vidas, formando novos artistas”.

 

A representante da subsecretaria de Economia Criativa, Thayná Lougue falou que o Encontro de Grafite é o primeiro passo para o processo de ressignificação do espaço. Segundo ela, o projeto visa estabelecer um diálogo com a sociedade através da arte urbana, reunindo a expertise dos artistas e as políticas públicas implementadas pelo Governo do Distrito Federal. “Onde há cultura, não há violência, estamos felizes em poder realizar esta construção conjunta para o grafite e para o SCS”, celebra.

 

Representante da Gerência de Conservação e Patrimônio da Secec, Mariah Boelsums esclareceu aos grafiteiros como funciona o conceito de pertencimento através do patrimônio urbano, e destacou que sentimentos como empatia, são ferramentas valiosas para o processo como um todo. Sobre o Buraco do Rato, a gerente ressaltou que após a restauração da área, a conservação será um agente fundamental de consciência patrimonial. “É importante que nessa ressignificação do Buraco do Rato, sua história não se apague”, alertou.

 

Finalizando o encontro, o mestre Rubens Amaral apresentou modelos de ocupação, urbanização e oportunidades para ocupar espaços públicos através da arte e economia criativa, envolvendo a comunidade presente nestes setores. Para ele, é completamente possível estabelecer um plano integrado de trabalho e moradia para a comunidade em situação de rua no SCS. “Através da vivência da arte e da cultura, podemos solucionar problemas urbanísticos e sociais”, ressaltou.

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