Governo do Distrito Federal
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31/01/14 às 16h14 - Atualizado em 13/11/18 às 14h45

Bienal Brasil do Livro e da Leitura discute os 50 anos do golpe militar

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Evento que acontecerá em Brasília homenageia Eduardo Galeano e Ariano Suassuna

A II Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que acontecerá entre 12 e 21 de abril de 2014, na Esplanada dos Ministérios, levará o público a um espaço de 5,4 mil metros quadrados para conferir obras nacionais e internacionais, seminários com autores e até uma programação especial que relembra os 50 anos do início do golpe militar.

A Bienal é uma realização das secretarias de Cultura, que investirá R$ 11 milhões, e de Educação, que vai arcar com compras de livros e transporte de alunos. São também realizadores o Ministério da Cultura e o Instituto Terceiro Setor (ITS). O projeto está inserido no Plano do Livro e da Leitura do Distrito Federal – Brasília Capital da Leitura.

Serão quatro pavilhões de estandes, sendo um deles especial para literatura infantil e quadrinhos. Também há espaços reservados para obras técnicas universitárias e para publicações do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.

A estrutura ainda traz um Café Filosófico, espaço central que une os quatro pavilhões, duas praças de alimentação, dois auditórios, arenas infantil e jovem e uma sala específica para receber os alunos das escolas.

Neste ano, a Bienal homenageará o escritor uruguaio Eduardo Galeano, famoso pelas obras As veias abertas da América Latina e a trilogia Memória do Fogo, e o poeta, dramaturgo e romancista paraibano Ariano Suassuna, famoso por O Auto da Compadecida e A pedra do reino.

A I Bienal, que aconteceu em 2012, atraiu mais de 250 mil pessoas e vendeu cerca de 330 mil livros, movimentando cerca de R$ 9 milhões.

Lançamento

O lançamento da II Bienal foi realizado na quinta-feira (30), no auditório da Biblioteca Nacional de Brasília. Integraram a mesa o secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira; de Educação, Marcelo Aguiar; a subsecretária de Políticas do Livro e da Leitura do DF, Ivanna Sant'Ana; o coordenador geral da Bienal, Nilson Rodrigues; o coordenador literário, Luiz Fernando Emediato; além do diretor de Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da Fundação Biblioteca Nacional, Fabiano dos Santos.

“Educação e cultura são anjos de uma asa só. Só voam se estiverem abraçados”. Com as palavras do teólogo e escritor Rubem Alves, o secretário de cultura do DF, Hamilton Pereira, ilustrou “o espírito formador e a instância educativa de um evento como a Bienal”.

Segundo o secretário, é oportuno pontuar que o fato de o governo chegar a seu quarto ano agrega importância à Bienal, justamente para “deixar de ser política de governo para se converter em política de Estado”.

De acordo com sua avaliação, “nós, brasileiros e latino-americanos, temos uma dívida com nós mesmos. Precisamos refletir sobre nossa história de maneira crítica. Daí a importância do evento ocorrer 12 dias após os 50 anos do golpe”.

Para ele, o Brasil não tratou desse assunto adequadamente: “não viramos essa página, e embora não tenhamos pretensão de esgotar esse assunto, é fundamental que a geração que viveu a repressão ilumine e elucide a geração que está aí”.

O secretário de Educação do DF, Marcelo Aguiar, reforçou a fala de Hamilton Pereira, defendendo a continuidade da Bienal com uma ação de Estado – e não apenas uma iniciativa de um governo. “Prosseguimos com nosso plano de incentivo à leitura, investindo junto aos alunos na aquisição de livros para compor acervos das bibliotecas das escolas”.

Conforme informou, “em 2013, foram dedicados R$ 3 milhões na aquisição de livros. Neste ano, já estão garantidos R$ 4 milhões, embora nossa meta seja alcançar R$ 5 milhões em investimentos para livros escolhidos por estudantes e professores durante a Bienal”. A participação de alunos também está garantida, já que 100 ônibus da nova frota do GDF estarão a serviço das escolas.

De acordo com o curador e coordenador literário da II Bienal, Luiz Fernando Emediato, o grande diferencial dessa iniciativa é que, “ao contrário de outras feiras, inclusive brasileiras, a programação não está a cargo das editoras”. Conforme explica, há um comitê que levanta e discute os temas, para somente, após essas definições, buscar nomes de escritores, especialistas e intelectuais.

Para o coordenador-geral da Bienal, Nilson Rodrigues, “nosso grande propósito e desafio com esse evento é colocar Brasília novamente na direção de uma Capital pensada por grandes intelectuais, como Lúcio Costa, Athos Bulcão, Oscar Niemeyer, um pulsante centro de reflexões”.

Fabiano Santos, diretor de Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da Fundação Biblioteca Nacional, afirmou que “a Bienal é Bienal Brasil, não Bienal Brasília, por já trazer em seu nome o conceito e a abrangência territorial”.

De acordo com ele, a Bienal traduz em seu conceito os quatro eixos do Plano Nacional do Livro e da Leitura: democratização do acesso, a formação e a mediação de leitura, a comunicação e o fomento à economia do livro, ou seja, a cadeia criativa e produtiva.

Seminários

Os seminários serão divididos em cinco grandes blocos: Krisis, Literatura no feminino, Narrativas contemporâneas da História do Brasil, A literatura que veio do oriente e Internet – Estética, Difusão e Mercado.

O seminário Krisis, a exemplo da I Bienal, traz para o debate reflexões sobre a crise econômica mundial e questões políticas e macroeconômicas no cenário brasileiro e internacional. Já está confirmado para esse ciclo, o filósofo e professor Vladimir Safatle, o historiador Peter Demant, o professor norueguês e estudioso de religião Dag Øistein Endsjø, o senador Cristovam Buarque, entre outros.

Literatura no feminino reunirá autoras para refletirem sobre o crescente protagonismo da mulher no universo literário. Estão confirmadas a norte-americana Naomi Wolf, a nigeriana Nnedi Okorator, a argentina Pola Oloiraxac e a mexicana Valderia Luiselli.

Pelas mesas do seminário Narrativas Contemporâneas da História do Brasil circularão escritores e especialistas de trajetória reconhecida e premiada, como Mary del Priore, Paulo Rezzutti e Lilia Moritz Schwarcz. No centro do debate, o golpe militar, a diáspora africana e a construção do Brasil, os indígenas e a afirmação da identidade brasileira, as novas visões da colonização portuguesa no Brasil, além da política e a construção das desigualdades sociais no Brasil.

Já o seminário Internet – Estética, Difusão e Mercado refletirá sobre o impacto do universo virtual, como suporte e ferramenta, no mundo da escrita e das comunicações e sua grande repercussão nos meios de difusão da produção literária. Também serão discutidos os novos formatos, gêneros e estéticas da era eletrônica. Estão confirmados os pensadores Pierre Lévy, Dan Schawbel e Jessica Sorensen.

A Literatura que vem do Oriente irá expandir o contato dos leitores brasileiros com a produção literária asiática, mostrando as possibilidades de intercâmbio e as especificidades dessas culturas. Estão confirmadas as presenças do escritor chinês Murong Xuecon e do autor sul-coreano Kim Young-ha – sucessos editoriais em seus países.

50 anos após o golpe

A passagem dos 50 anos do golpe militar de 1964 tem programação especial na II Bienal com seminários, mostra de cinema, leituras dramáticas e os chamados shows de resistência. Testemunhos pessoais e reflexões históricas serão dados no seminário O Golpe, a Ditadura e o Brasil: 50 anos. Para discutir a produção literária nos anos de chumbo, nomes como Carlos Heitor Cony, João Ubaldo Ribeiro, Thiago de Melo e Antônio Torres.

A mesa Narrativas guerrilheiras: a luta contra a ditadura vista por dentro disporá dos relatos do Secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira, do escritor Maurice Politi e do religioso Frei Betto. O poeta e músico Capinam e o escritor Ziraldo também participam do seminário na mesa A produção artística e cultural na ditadura: a criatividade e a esperança como armas contra o medo e a repressão.