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5/10/20 às 8h59 - Atualizado em 5/10/20 às 11h05

Ao completar dois anos, Complexo Cultural Planaltina vira tela de arte

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Texto: Lúcio Flávio. Fotos: Marina Gadelha. Edição: Sérgio Maggio (Ascom/Secec)

05/10/2020

09:01:07

 

O Complexo Cultural de Planaltina (CCP) está de cara nova. Contando com o talento de 15 artistas do grafite do DF, as paredes externas do espaço se encheram de cores vivas e do poder contagiante da arte urbana. O amplo painel de mais de 8 m de altura, finalizado na tarde do domingo (04.10), exalta a cultura e importância histórica da centenária cidade, materializando, na prática, o resultado do edital Planaltina Arte Urbana da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), que destinou R$ 22,5 mil para o segmento artístico.

 

“Existe uma relação intensa entre as RAs e as artes urbanas. Encher as paredes do Complexo Cultural de Planaltina, que completa dois anos de intensa existência neste domingo é um presente cheio de afeto para a cidade e sua ´população”, observa o secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues.

 

“Muitos artistas usam o Complexo para conseguir visibilidade e promover o intercâmbio cultural. É um lugar de fomento da cultura e somos o mais democrático possível no acesso para a comunidade”, destaca Júnior Ribeiro, gerente do Complexo Cultural Planaltina.

 

GRAFITE VALORIZADO

 

A ideia de promover uma grande intervenção na parte externa do Complexo Cultural da cidade, de 161 anos, teve duas finalidades. A primeira, evidenciar a importância do lugar como espaço de entretenimento para a comunidade local. A segunda, valorizar a arte do grafite por meio de jovens talentos do segmento espalhados em todo o DF. Ao todo, 45 artistas se inscreveram no edital.

 

Os 15 selecionados desenvolveram trabalhos individuais que deram unidade conceitual ao projeto dentro do tema: “Planaltina: Patrimônio, Cultura e Identidade de uma Cidade Centenária”. O resultado é um cartão-postal afetivo local.  Assim, jatos de sprays e muita criatividade deram contornos e poesia visual aos símbolos históricos da cidade, manifestações populares seculares locais e personagens que marcaram Planaltina.

 

Confira o resultado do Planaltina Arte Urbana

Resultado Final Planaltina Arte Urbana

 

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Foram lembradas, entre outras coisas, a Pedra Fundamental – primeiro marco simbólico da mudança da capital para o Planalto Central -, a mítica igrejinha de São Sebastião, a festa do Divino Espírito Santo, a lida dos primeiros moradores da região, além da trajetória dos pioneiros, Luiz Cruls (responsável, junto com uma equipe, por delinear o quadrilátero do DF) e Tia Neiva (fundadora do Vale do Amanhecer). A pesquisa foi ferramenta fundamental no processo de criação dos artistas.

 

Que o diga Alain Oliveira da Silva, 36 anos, nome artístico Onk. Formado em Designer e Turismo, o grafiteiro de Sobradinho viu, na experiência promovida pela Secec, oportunidade única de se aprofundar um pouco mais na herança patrimonial e história da região administrativa mais antiga do DF.

 

“Tive que pesquisar porque, até então, eu não conhecia a história de Planaltina e foquei nos patrimônios históricos da cidade”, confessa, referindo-se à Igreja São Sebastião, aos casarões do lugar e à pedra fundamental. “Espero que o nosso trabalho desperte atenção de todos que passam por aqui. Estamos resumindo na arte do grafite a história e tradições de Planaltina”, explica o artista, emulando premissa defendida pelo gerente do espaço.

 

“São desenhos que resgatam a história da cidade, esse painel servirá também para o estudo de Educação Patrimonial”, planeja Júnior Ribeiro. “A gente vai contar a história de Planaltina a todos que passam por aqui por meio desse trabalho de arte”, idealiza.

 

QUANDO AS PAREDES VIRAM TELA

 

Cada um dos artistas selecionados para o projeto da Secec recebeu R$ 1.500 de cachê. Para evitar aglomeração, os 15 artistas foram divididos em grupos ao longo de quatro dias. Devidamente aparelhados com máscaras de proteção contra a Covid-19 e equipamentos de segurança de escalada como capacetes, cintos e mosquetão (ganchos), os grafiteiros trabalharam, literalmente, nas alturas, em cima de estruturas de andaimes montadas especialmente para este projeto.

 

Afinal, eram 18,4 m² de espaço para eles esparramarem seus talentos, um paredão de 8 m de altura por 2,3 m de largura. Um desafio que todos encararam com tranquilidade. “Uma das grandes dificuldades que nós grafiteiros temos é de encontrar espaços adequados para esse tipo de manifestação artística, então foi uma aventura prazerosa. Só de estar participando aqui é uma honra, sobretudo por estar representando a saída norte de Brasília, que é Sobradinho, Planaltina”, agradece Karek, pseudônimo de Leonardo Henrique Martins, 29 anos.

 

Karek já foi pichador de rua, mas hoje tem orgulho de dizer que ganha a vida como grafiteiro no DF. “Fazia pichação mais pela adrenalina, depois comecei a apostar mais no meu potencial como artista e virou profissão”, revela.

 

Há cinco anos grafitando pela cidade, Daniel Henrique de Oliveira Sinimbu, 33 anos, o DHOS, se considera um novato na arte urbana. Tomou gostou pela coisa depois que voltou de uma viagem de um ano na Austrália, mas desde pequeno tem paixão pelo grafite, ao admirar os traços pulsantes que via pelos muros do Guará, no caminho da escola para casa, da casa para escola.

 

“Sempre desenhei, pintei, desde novo, fazer grafite foi um sonho”, conta o alagoano de Maceió, desde os seis vivendo no DF. “Em 2015 fui selecionado para um evento de grafite e foi um fracasso, tive que me aperfeiçoar, melhorar, porque grafite é prática”, lembra.

 

Cinco anos e muitas latas de tintas depois, o resultado de sua dedicação e esforço o levou a ser selecionado para o projeto de Planaltina da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF. “Sou novato na galera do grafite, então participar de eventos como esse é importante porque me faz conhecer a galera do meio, trocar experiência traz crescimento pessoal”, acredita o artista, que escolheu fazer o busto do astrônomo e geodesista belga Luiz Cruls.

 

“Escolhi desenhar o Luiz Cruls porque era uma figura da história de Brasília que eu não conhecia e fiquei fascinado”, confessa. “Creio que a minha contribuição para esse projeto ajude outras pessoas a saber quem foi esse homem e sua importância para o nascimento da capital”, torce.

 

INCLUSÃO CULTURAL

Surgido na década de 1970, em Nova York, como manifestação genuinamente urbana, a origem do grafite, bastante associado ao movimento musical hip hop, remonta aos tempos do Império Romano. Hoje, no DF, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), a arte se transformou em parceiro do governo no combate às pichações e em prol do embelezamento de muros de escolas, fachadas de prédios e até parada de ônibus de algumas regiões administrativas. De 2019 até agora, a pasta já investiu R$ 277,5 mil para que artistas do segmento desenvolvam seu talento e imaginação nos equipamentos públicos da cidade.

 

Nascida em São Paulo, capital, mas há quase 20 anos morando no DF, a grafiteira Sabrina Falcão, 37 anos, a Nabrisa, é uma das cinco artistas mulheres selecionadas no projeto de grafite do Complexo Cultural Planaltina. Assim como dezenas e milhares de artistas de Brasília e entorno, ela sofreu com as limitações impostas pela pandemia, atribuindo vital importância ao fomento da Secec para o segmento artístico que atua. Melhor ainda por prestigiar e dar espaços para artistas mulheres.

 

“Só de grafiteiras no DF são cerca de 60 mulheres, dos 15 selecionados para esse projeto da Secec. Cinco, ou seja, 1/3 são mulheres, então a gente fica muito feliz de ver esse avanço porque, antes, só eram convidados homens para eventos assim”, compara a artista, que escolheu como tema a criadora do Vale do Amanhecer, comunidade de espiritualistas próxima à cidade. “Busquei como tema do meu trabalho a representatividade feminina na história de Planaltina e assim cheguei à tia Neiva”, revela.

 

Para o serralheiro Antônio dos Santos Pereira, 45 anos, iniciativas como essa, de embelezamento de espaços e locais públicos, devem ser sempre incentivadas. “Passo por aqui várias vezes por dia e estava admirando o trabalho do pessoal”, diz. “É muito bonito, alegra o lugar, as pessoas, é uma coisa que o governo deve sempre apoiar”, elogia.

 

Leia mais nesta terça-feira (06.10) a reportagem as mulheres e seus grafites

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br

 

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